domingo, 26 de abril de 2026

Quem mexeu no meu queijo? - BOOK REVIEW Mónica Gabriel

 

O AUTOR

Spencer Johnson foi um médico e escritor norteamericano (1938–2017), especialmente conhecido por livros motivacionais curtos em forma de parábola, como “Quem mexeu no meu queijo?” e “Cinco minutos”. Começou por escrever livros infantis, mas alcançou projeção internacional ao escrever, com Ken Blanchard, “O gerenteminuto” (1980), um bestseller que vendeu mais de 15 milhões de cópias em todo o mundo.

A OBRA 

Publicado em 2001, “Quem mexeu no meu queijo?” tornouse um dos livros motivacionais mais vendidos da história, com mais de 20 milhões de cópias distribuídas globalmente, segundo listas de bestsellers como a do New York Times.



Ao ler Quem Mexeu no Meu Queijo?, deparei-me com um texto simples e acessível que me fez refletir sobre a forma como lidamos com a mudança e a incerteza no nosso dia a dia. A metáfora do “queijo”, que representa tudo aquilo que mais desejamos: sucesso profissional, estabilidade familiar ou reconhecimento pessoal, é particularmente impactante. A narrativa, centrada em quatro personagens: os ratinhos Fungadela e Correria, e os pequenos humanos Pigarro e Gaguinho, ilustra de forma brilhante as diferentes reações perante a perda repentina do queijo no labirinto.

A mensagem central do livro é clara e direta: a mudança é inevitável, e o sucesso depende da nossa capacidade de nos adaptarmos rapidamente e de forma proativa. Admiro particularmente a forma como Fungadela e Correria agem por instinto, sem hesitações, enquanto Pigarro representa aquela resistência teimosa que todos já experimentámos em algum momento. Gaguinho, por outro lado, tornou-se a minha personagem preferida, pois a sua evolução, apesar do medo inicial, mostra que todos podemos aprender a soltar o passado e abraçar novos desafios.

No entanto, na minha opinião, esta visão apresenta uma limitação importante ao focar-se quase exclusivamente na responsabilidade individual. Embora concorde que a atitude pessoal é fundamental, sinto que o autor negligencia o papel crucial das organizações na gestão da mudança. Em contextos profissionais reais,  como os que conheço da minha experiência, a resistência não surge apenas de inflexibilidade individual, mas frequentemente da falta de comunicação, de liderança inspiradora ou de estratégias claras de implementação.

Ainda assim, não posso deixar de valorizar o poder motivacional desta obra. A linguagem simples e as metáforas memoráveis tornam-na uma excelente ferramenta introdutória, especialmente para quem está a iniciar a sua jornada na gestão ou no desenvolvimento pessoal. Pessoalmente, identifiquei-me com a jornada de Gaguinho e levo comigo a lição de que, mesmo com medo, o movimento em direção ao novo é sempre melhor do que a estagnação.

 

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