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terça-feira, 16 de junho de 2026

O GERENTE MINUTO - Book review por João Dinis



https://www.ismat.pt/pt


Introdução

 A liderança e gestão de pessoas são temas muito importantes no mundo dos negócios. Um dos livros mais influentes sobre o assunto é “O Gerente-Minuto", escrito por Kenneth Blanchard e Spencer Johnson. Lançado em 1982, o livro foi um grande sucesso e vendeu milhões de cópias em todo o mundo.

Mesmo após mais de 40 anos, o livro ainda é uma referência importante na área de gestão. Isso ocorre porque os conceitos apresentados são simples e fáceis de aplicar em diferentes contextos. A obra mostra que uma liderança eficaz não depende de métodos complexos, mas sim da capacidade de estabelecer objetivos claros, reconhecer o mérito e corrigir erros de forma construtiva.

Este texto pretende analisar os principais ensinamentos do livro, avaliar seus pontos fortes e limitações e refletir sobre sua relevância para as organizações atuais.

Ken Blanchard 

Kenneth (Ken) Blanchard é um dos maiores especialistas em liderança e gestão de pessoas do mundo. Doutorado pela Universidade de Cornell, escreveu ou coescreveu mais de 60 livros sobre liderança, motivação e gestão de equipes. Seus trabalhos já venderam dezenas de milhões de exemplares e foram traduzidos para diversos idiomas.  

A principal contribuição de Blanchard foi tornar conceitos de liderança mais simples e práticos. Em vez de modelos complexos, ele defendia que gestores eficazes deveriam dedicar tempo a definir objetivos claros, fornecer feedback frequente e desenvolver pessoas. Essas ideias aparecem de forma central em O Gerente-Minuto.



https://en.wikipedia.org/wiki/Ken_Blanchard



Spencer Johnson 

Spencer Johnson era médico de formação, mas ficou mundialmente famoso como escritor. Além de O Gerente-Minuto, escreveu o best-seller Quem Mexeu no Meu Queijo?, que vendeu milhões de cópias em todo o mundo. Johnson tinha talento para transformar conceitos complexos em histórias curtas e fáceis de entender, motivo pelo qual seus livros são frequentemente escritos em formato de parábola.  


https://pt.wikipedia.org/wiki/Spencer_Johnson


A parceria entre os dois 

O sucesso de O Gerente-Minuto vem justamente da combinação das competências dos autores: 

  • Ken Blanchard trouxe a experiência em liderança e gestão.  

  • Spencer Johnson trouxe a habilidade de contar histórias simples e memoráveis. 








Estrutura e Enredo da Obra

"O Gerente-Minuto” é diferente de muitos livros de gestão que apresentam teorias e modelos de forma acadêmica. Em vez disso, utiliza uma narrativa simples para transmitir seus ensinamentos. A história acompanha um jovem que procura encontrar um gestor verdadeiramente eficaz.

Ao longo de sua jornada, o jovem entrevista diferentes líderes e descobre várias formas de gestão, muitas delas ineficazes ou excessivamente autoritárias. Eventualmente, ele conhece o “Gerente-Minuto", um líder que alcança excelentes resultados organizacionais e mantém colaboradores motivados e satisfeitos.

A utilização de uma narrativa torna a leitura dinâmica e acessível, permitindo que conceitos de gestão sejam compreendidos por leitores sem formação específica na área.

Os Três Segredos do Gerente-Minuto

1. Objetivos-Minuto

O primeiro princípio consiste na definição de objetivos claros e específicos. Segundo os autores, uma das principais causas de baixo desempenho é a falta de clareza sobre o que é esperado dos colaboradores.

O Gerente-Minuto dedica tempo a definir objetivos simples e mensuráveis. Cada colaborador sabe suas responsabilidades e os critérios pelos quais será avaliado. Isso promove autonomia, responsabilidade e alinhamento com os objetivos da organização.

2. Elogios-Minuto

O segundo princípio destaca a importância do reconhecimento. As pessoas precisam sentir que seu trabalho é valorizado. Quando um colaborador realiza uma tarefa com sucesso, o gestor deve reconhecer seu desempenho de forma imediata e específica.

O elogio deve ser claro e indicar o que foi bem executado e por que é importante para a organização. Este princípio antecipa estudos contemporâneos sobre motivação, que demonstram que o reconhecimento é fundamental para a satisfação profissional e o compromisso organizacional.

3. Repreensões-Minuto

O terceiro princípio aborda a gestão dos erros. Quando ocorre uma falha, ela deve ser corrigida rapidamente. No entanto, a crítica deve incidir sobre o comportamento ou resultado, nunca sobre a pessoa.

O gestor deve explicar claramente o problema, demonstrar o impacto da falha e ajudar o colaborador a compreender como pode melhorar no futuro. Após a correção, deve reforçar a confiança na capacidade do trabalhador.

Análise Crítica

O principal mérito da obra é sua simplicidade. Os autores condensam princípios fundamentais de liderança em um modelo fácil de compreender e aplicar.

O livro destaca aspectos frequentemente negligenciados, como a importância da comunicação clara, do feedback regular e do reconhecimento do mérito. Esses elementos são fundamentais para criar equipes motivadas e produtivas.

No entanto, a simplicidade também pode ser vista como uma limitação. As organizações atuais operam em ambientes mais complexos do que aqueles existentes na década de 1980. Temas como diversidade cultural, transformação digital e liderança remota não são abordados.

Além disso, alguns críticos argumentam que o modelo pode parecer excessivamente mecanicista quando aplicado de forma rígida. A realidade mostra que a gestão de pessoas exige sensibilidade emocional e adaptação às particularidades de cada contexto.

Aplicação na Hotelaria e Turismo

Os ensinamentos de “O Gerente-Minuto” são especialmente relevantes para os setores da hotelaria e do turismo. A definição clara de objetivos permite que os colaboradores compreendam os padrões de qualidade exigidos no atendimento ao cliente.

O reconhecimento imediato de um serviço bem prestado contribui para aumentar a motivação e reforçar comportamentos positivos. A correção rápida de erros ajuda a evitar a repetição de falhas que possam comprometer a experiência do cliente.

Conclusão

"O Gerente-Minuto” permanece uma das obras mais influentes da literatura de gestão. Embora alguns aspectos possam parecer limitados, os princípios centrais continuam a constituir fundamentos sólidos para uma liderança eficaz.

A clareza na definição de objetivos, o reconhecimento do mérito e o feedback construtivo são práticas intemporais que podem melhorar significativamente o desempenho individual e organizacional.

Por isso, a obra continua a ser uma leitura recomendada para estudantes, gestores, líderes e todos aqueles que pretendam compreender melhor a arte de liderar pessoas.

Classificação Final: 4,5/5

Uma leitura breve, prática e inspiradora, que mostra que as melhores soluções de gestão são muitas vezes as mais simples.


Sobre mim: Meu nome e Joao Dinis sou Aluno do Curso de Gestao de Turismo e pretendo trabalhar no ramo do turismo mais na parte da hotelaria

segunda-feira, 2 de junho de 2025

LIGAR O F*DA-SE PARA O SUCESSO - Book Review do livro “A SUTIL ARTE DE LIGAR O F*DA-SE” DE MARK MANSON- por Paulo Luz


SOBRE O AUTOR 
  

Figura 1 – Mark Manson

    Mark Manson (Figura 1) cresceu em Austin, no Texas, viveu em Boston e viajou por todo o mundo durante sete anos. É um autor bestseller do The New York Times e escreve sobre uma grande variedade de temas, no âmbito do desenvolvimento pessoal.
Para além da sua atividade de bloguer e empreendedor, publica regularmente artigos com a BBC, CNN, Business Insider, Time, entre outros.  Vive atualmente em Nova Iorque.
 REFLEXÃO CRÍTICA 

Figura 2 – Capa do livro "A Sutil Arte de Ligar o F*da-se"
O ponto mais forte da obra de Manson é a sua abordagem honesta e sem filtros sobre os desafios da vida moderna. A cultura de “positividade tóxica”, que promove a ideia de que devemos ser felizes o tempo todo, é aqui desconstruída com argumentos sólidos e diretos. A ideia de que o sofrimento é inevitável e que devemos escolher conscientemente as batalhas que queremos travar é poderosa e libertadora. Manson desafia a narrativa tradicional de autoajuda, ao afirmar que o sucesso não está em atingir um estado constante de felicidade, mas sim em aceitar os nossos fracassos e limitações. Esta mudança de mentalidade promove uma maior autenticidade e uma forma mais equilibrada de encarar os desafios pessoais e profissionais.

    Além disso, o autor destaca que a busca constante por validação externa é um ciclo vicioso que leva à insatisfação crónica. A verdadeira realização vem de aceitar que não podemos controlar tudo e que o fracasso é uma parte inevitável da experiência humana. O estilo direto, muitas vezes provocador, é precisamente o que torna a leitura tão impactante na qual somos forçados a confrontar verdades que muitas vezes preferimos ignorar.

    Vale a pena referir que estas ideias não surgem de uma teoria abstrata, mas da própria vivência do autor. Manson partilha episódios de perda, desorientação e reconstrução pessoal que o levaram a repensar os seus próprios valores, como no caso da morte do amigo Josh, ou da experiência de fracassar repetidamente até encontrar sentido no que fazia. É essa sinceridade que dá peso às suas palavras e torna o livro não apenas útil mas memorável.

INTERLIGAÇÃO COM A UC DE TÉCNICAS DE LIDERANÇA E COMUNICAÇÃO

    No contexto da unidade curricular de Técnicas de Liderança e Comunicação, considero que o livro “A Sutil Arte de Ligar o F*da-se” se articula com alguns modelos estudados, ao propor uma abordagem profundamente centrada na transformação pessoal e na responsabilidade individual.
O modelo da Inteligência Emocional de Goleman está refletido na forma como o autor encoraja o leitor a reconhecer, aceitar e utilizar emoções como o medo, a frustração ou o fracasso como motor para o crescimento. Esta valorização da autoconsciência e do autocontrolo emocional, em detrimento da repressão ou da fuga, está em sintonia com as competências-chave de um líder emocionalmente inteligente.

    Por outro lado, a narrativa de Manson alinha-se com o modelo da mudança de Kübler-Ross, especialmente quando descreve o impacto psicológico de abandonar valores antigos, como a busca por validação constante ou o medo da rejeição. O episódio da morte de Josh, amigo próximo do autor, intensifica esse paralelismo ao ilustrar um processo de luto que atravessa fases de negação, resistência, desconforto e aceitação, culminando numa nova perceção de vida e de prioridades.
 
    Por fim, a filosofia de Manson assenta numa lógica de autoliderança consciente, que pode ser interpretada à luz dos Followership Styles de Kelley. Embora o autor não se refira diretamente à dinâmica líder-seguidor, promove uma atitude exemplar de pensamento crítico, independência e responsabilidade pessoal, características fundamentais do seguidor ativo e crítico descrito por Kelley. Esta postura é visível no conceito de “responsabilidade radical”, onde o foco está não na culpa, mas na forma como reagimos às circunstâncias e assumimos a direção das nossas escolhas.
CONCLUSÃO

Escolhi este livro porque o título chamou-me à atenção. A leitura foi envolvente e desafiadora, levando-me a refletir sobre a forma como encaro o sucesso, a felicidade e as dificuldades do dia a dia. A ideia de que devemos aceitar as nossas falhas e aprender a viver com o desconforto é algo que sempre tentei aplicar, mas a leitura deste livro deu-me uma nova perspetiva sobre como lidar com essas situações de forma mais consciente e construtiva. O livro ensina-nos a ser mais autênticos e a deixar de tentar agradar a todos – algo essencial num contexto de trabalho em equipa e de gestão de pessoas.

Além disso, a mensagem de que o fracasso é um passo necessário para o sucesso teve um impacto em mim. É aliás, uma perspetiva que sempre tive, isto é, em muitas situações da vida só aprendemos verdadeiramente quando falhamos. Esse tipo de aprendizagem deixa marcas e leva-nos a evoluir como pessoas. Aceitar que errar faz parte do processo é algo que me ajudará a lidar melhor com os desafios que virão.

REFERÊNCIAS

Goleman, D. (2007). Emotional Intelligence (10th ed.). Bantam Books.
ISMAT Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes — ISMAT Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. (2023). Ismat.pt. https://www.ismat.pt/pt/
Kelley, R. E. (1988, Nov/Dec). In praise of followers. Harvard Business Review, 66(6), 142–148
Kübler-Ross, E. (1969). Change curve (10th ed.). Bantam Books. EKR Foundation. (2024, August 5). Kübler-Ross Change Curve® -. https://www.ekrfoundation.org/5-stages-of-grief/change-curve/
Manson, M. (2024, April 16). The subtle art of not giving a fuck by Mark Manson. Mark Manson. https://markmanson.net/books/subtle-art

Sobre mim…


O meu nome é Paulo Luz (Figura 2), tenho 41 anos e sou natural de Almada. Atualmente frequento a licenciatura de Gestão do Turismo no ISMAT – Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes, com o objetivo de aprofundar os meus conhecimentos e competências na área.
 Caro/a Leitor, para Citar esta book Review, use esta referência final:

Luz, P. (2025). Ligar o F*da-se para o sucesso - Book Review do livro A Sutil Arte de Ligar o F*da-se de Mark Manson. Book Review Orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de ‘Técnicas de Liderança e Comunicação’. ISMAT-Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. Disponível em: https://www.blogger.com/blog/post/edit/3268341675809187225/5903487183081705222

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