segunda-feira, 30 de março de 2026

A Sociedade do Cansaço – Book Review por Cláudia Valdire

 



Biografia do Autor

Byung-Chul Han nasceu em 1959, na Coreia do Sul, sendo atualmente reconhecido como um dos pensadores mais relevantes na análise crítica da sociedade contemporânea, sobretudo no que diz respeito às transformações sociais, culturais e psicológicas associadas ao mundo moderno. Curiosamente, o seu percurso académico não começou na área da filosofia. Numa fase inicial dedicou-se ao estudo da metalurgia no seu país de origem, seguindo uma área mais técnica e científica, aparentemente distante das reflexões filosóficas que mais tarde viriam a caracterizar a sua obra.

A mudança decisiva ocorreu quando decidiu mudar-se para a Alemanha, decisão que acabou por transformar profundamente o seu percurso intelectual. Foi nesse contexto que entrou em contacto com a tradição filosófica europeia e passou a interessar-se por questões relacionadas com a cultura, a linguagem e a condição humana. A partir desse momento optou por abandonar a área da engenharia e dedicar-se ao estudo da filosofia, da literatura alemã e da teologia, frequentando instituições académicas de referência como a University of Freiburg e a University of Munich.

Atualmente leciona filosofia e estudos culturais na Berlin University of the Arts, onde desenvolve investigação sobretudo nas áreas da filosofia social e da teoria cultural. Ao longo dos últimos anos tem-se destacado pela forma crítica com que observa e interpreta os fenómenos da sociedade contemporânea, refletindo sobre temas como o impacto das tecnologias digitais, a aceleração do ritmo de vida, a cultura da produtividade e as novas formas de poder e controlo que emergem no contexto do capitalismo contemporâneo.

Grande parte da obra de Byung-Chul Han procura compreender de que forma a sociedade atual influência o modo como os indivíduos pensam, trabalham e se relacionam entre si. O autor procura demonstrar que muitas das pressões vividas no quotidiano moderno não resultam apenas de imposições externas, mas também de expectativas que os próprios indivíduos acabam por interiorizar.

Entre as suas obras mais conhecidas encontra-se A Sociedade do Cansaço, um ensaio relativamente breve que teve grande impacto no debate académico e social. Para além desta obra destacam-se também Psicopolítica e A Sociedade da Transparência, textos nos quais o autor continua a desenvolver uma reflexão crítica sobre as transformações da sociedade contemporânea.

A escrita apresentada nas suas obras caracteriza-se por ser concisa e reflexiva, frequentemente estruturada em pequenos ensaios ou fragmentos filosóficos. Apesar da extensão relativamente reduzida dos seus livros, o conteúdo apresenta uma elevada densidade conceptual, convidando o leitor a uma leitura atenta e crítica.

 

Sumário do Livro

A Sociedade do Cansaço, publicado originalmente em 2010, apresenta uma reflexão filosófica sobre as transformações estruturais que caracterizam a sociedade contemporânea. Inserida no domínio da filosofia social, a obra procura compreender de que forma as mudanças nos modelos de produção, nas formas de poder e nas expectativas sociais influenciam o modo como os indivíduos vivem e experienciam o seu quotidiano.

Segundo o autor, a sociedade atual deixou de se organizar segundo o modelo disciplinar que caracterizava grande parte do século XX. Nesse modelo, o controlo social exercia-se sobretudo através de mecanismos externos, como normas, proibições e instituições que regulavam o comportamento dos indivíduos. As escolas, as fábricas, os hospitais ou as prisões constituíam exemplos claros dessas estruturas que moldavam o comportamento humano e definiam aquilo que era considerado aceitável dentro da ordem social.

Contudo, esse modelo foi progressivamente substituído por um novo paradigma que o autor designa como sociedade do desempenho. Neste novo contexto social, o controlo já não se exerce principalmente através da repressão ou da proibição, mas através de expectativas que os próprios indivíduos acabam por interiorizar. Em vez de serem obrigados a obedecer, os indivíduos passam a sentir-se responsáveis por produzir mais, melhorar continuamente e alcançar níveis cada vez mais elevados de desempenho.

Surge assim o que o autor designa como sujeito de rendimento, um indivíduo que simultaneamente se exige e se explora. A lógica do desempenho transforma-se numa pressão constante, levando o indivíduo a assumir um papel ativo na sua própria exploração.

De acordo com a análise apresentada na obra, esta transformação pode ser entendida como uma passagem de um paradigma imunológico para um paradigma neuronal. O paradigma imunológico, predominante no século XX, baseava-se numa lógica de defesa contra ameaças externas, estabelecendo uma distinção clara entre interior e exterior. Já o paradigma neuronal caracteriza-se pelo excesso de estímulos, pela hiperatividade e pela pressão constante para produzir e alcançar resultados.

Neste contexto também as formas de sofrimento humano se transformam. Enquanto no passado predominavam doenças de natureza infeciosa, a sociedade contemporânea passa a ser marcada sobretudo por perturbações psicológicas, como a depressão, o burnout ou o transtorno de défice de atenção.

Outro conceito central desenvolvido ao longo da obra é o de “violência da positividade”. Ao contrário das formas tradicionais de violência, que se manifestavam através da repressão ou da proibição, esta nova forma de violência resulta do excesso, excesso de produção, de comunicação, de informação e de expectativas de desempenho.

Deste modo o sujeito contemporâneo transforma-se num sujeito de rendimento, alguém que simultaneamente se exige e se explora, uma vez que interioriza as expectativas sociais e passa a impor a si próprio padrões cada vez mais elevados.

Ao longo dos capítulos do livro são ainda abordados temas como a fragmentação da atenção, a perda da capacidade de contemplação e a predominância de uma lógica de atividade constante. Estes fatores contribuem para aquilo que o autor identifica como um estado generalizado de cansaço psicológico, fenómeno que acaba por se tornar uma das características mais evidentes da sociedade contemporânea.

 

Análise Crítica

Uma das principais contribuições de A Sociedade do Cansaço reside na forma como a obra interpreta as transformações da sociedade contemporânea, deslocando o foco da violência social do exterior para o interior do indivíduo.

Inspirando-se em autores como Michel Foucault, a análise apresentada sugere que os mecanismos tradicionais de controlo baseados na vigilância e na norma foram progressivamente substituídos por formas de poder mais subtis e interiorizadas. O indivíduo acredita agir de forma livre, mas continua sujeito a um conjunto de expectativas sociais que o pressionam constantemente.

Outro aspeto particularmente interessante da obra prende-se com a reflexão sobre a atenção e a experiência do tempo na sociedade contemporânea. O autor critica a valorização do multitasking e da hiperatividade, argumentando que estas práticas contribuem para uma fragmentação da atenção e dificultam a concentração profunda.

Neste contexto surge o conceito de “tédio profundo”, entendido como uma condição importante para o desenvolvimento do pensamento reflexivo e da criatividade. Num mundo marcado pela aceleração e pela constante estimulação digital, a possibilidade de parar, refletir ou simplesmente não fazer nada torna-se cada vez mais rara.

A obra aborda também a predominância da chamada vita activa, conceito associado ao pensamento de Hannah Arendt. Segundo esta perspetiva, a sociedade contemporânea valoriza excessivamente a atividade e a produtividade, relegando para segundo plano a importância da contemplação, da reflexão e do descanso.

Apesar da relevância das reflexões apresentadas, é possível identificar algumas limitações. Em determinados momentos a obra tende a apresentar a sociedade contemporânea de forma relativamente homogénea, não considerando plenamente as diferenças existentes entre contextos sociais, culturais e económicos.

Ainda assim, A Sociedade do Cansaço constitui um contributo importante para compreender as dinâmicas sociais contemporâneas, sobretudo ao evidenciar formas de pressão invisíveis que moldam o comportamento humano.

 

Opinião Pessoal

Na minha perspetiva, A Sociedade do Cansaço é uma obra particularmente relevante para compreender muitos dos desafios que caracterizam a vida contemporânea. Apesar de se tratar de um livro relativamente curto, a reflexão apresentada ao longo da obra é profunda e levanta questões importantes sobre o modo como organizamos o nosso tempo, as nossas prioridades e as nossas expectativas.

Durante a leitura tornou-se evidente que muitos dos fenómenos descritos fazem parte da realidade atual, como a pressão constante para produzir, a necessidade de demonstrar desempenho e a dificuldade em desligar do trabalho ou das responsabilidades.

Um dos aspetos que mais me marcou foi a ideia de que a liberdade contemporânea pode transformar-se numa forma de pressão interna, uma vez que o indivíduo acredita agir de forma autónoma, mas simultaneamente sente-se obrigado a corresponder a expectativas cada vez mais elevadas.

 

Experiência como Reviewer

A experiência de leitura e análise desta obra revelou-se particularmente enriquecedora. Apesar de ser um livro relativamente pequeno em termos de extensão, apresenta uma grande densidade conceptual.

Em poucas páginas são levantadas questões profundas sobre o modo como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos na sociedade contemporânea. Nesse sentido, trata-se de um exemplo claro de como uma obra breve pode conter uma reflexão extremamente rica.

 

Conclusão

A reflexão apresentada na obra revela-se particularmente pertinente no âmbito da promoção da saúde e do bem-estar organizacional. Ao evidenciar as consequências psicológicas associadas à cultura da produtividade e à pressão constante para o desempenho, o livro permite compreender a importância de promover ambientes de trabalho mais equilibrados.

Num contexto profissional cada vez mais exigente, torna-se fundamental reconhecer que a promoção da saúde e do bem-estar no trabalho constitui um elemento essencial para o equilíbrio dos indivíduos e para a sustentabilidade das organizações.

 

Bibliografia

Arendt, H. (1958). *The Human Condition*. Chicago: University of Chicago Press.

Foucault, M. (1975). *Surveiller et punir*. Paris: Gallimard.

Han, B.-C. (2010). *A Sociedade do Cansaço*. Lisboa: Relógio D’Água.

 

Referência para Citação

Caro leitor/a, para citar esta Book Review utilize a seguinte referência:

Valdire, Cláudia. (2025). BOOK REVIEW – A Sociedade do Cansaço. Book Review elaborada no âmbito da unidade curricular de Promoção da Saúde e Bem-Estar Organizacional, integrada no Mestrado em Gestão de Recursos Humanos e Intervenção Organizacional, ISMAT – Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Book Review "O Movimento Slow- Carl Honoré"- por Bárbara Barbalho


"Organizações Positivas: Manual de Trabalho e Formação"- por Beatriz Seromenho

 

BOOK REVIEW

Organizações Positivas

Manual de Trabalho e Formação para desenvolver as forças dos indivíduos e das organizações

 

 


 

  

 Discente: Beatriz Alves Seromenho

Docente: Professora Doutora Patrícia Araújo

Unidade Curricular: Bem-estar Organizacional

 

 

Mestrado em Gestão de Recursos Humanos e Intervenção Organizacional

Portimão 12 de abril de 2026

 

O livro que decidi ler foi escrito por Miguel Pina e Cunha, Arménio Rego, Miguel Pereira Lopes e Mário Ceitil, tendo a sua primeira impressão ocorrido em 2008, pela editora Edições Sílabo. A obra intitula-se como” Organizações Positivas: Um Manual de Trabalho e Formação para desenvolver as forças dos indivíduos e das organizações”. Insere-se no campo da psicologia positiva aplicada às organizações, área de estudo que me desperta interesse e que motivou na escolha do livro.  Esta área procura compreender e analisar de que forma as emoções positivas, as relações interpessoais saudáveis e as práticas de liderança construtivas podem contribuir para o bem-estar e para o desempenho organizacional.

Logo no início, ainda antes de iniciar o primeiro capítulo, os autores começam por identificar os possíveis destinatários da obra, sugerindo a sua leitura a professores, formadores, gestores, estudantes, investigadores e a todos aqueles que poderão se interessar pela temática das organizações positivas. Esta diversidade de destinatários demonstra que a obra foi pensada para alcançar um público bastante abrangente, não se limitando apenas ao meio organizacional. Pelo contrário, pretende também chegar a profissionais que, no seu quotidiano de trabalho, lidam com desafios relacionados com a gestão de pessoas, a motivação das equipas e a criação de ambientes saudáveis. O livro apresenta uma linguagem acessível e utiliza muitos exercícios práticos para que o leitor possa aplicar ao seu contexto.

A obra está organizada em quatro partes principais. Na parte inicial, é apresentada uma abordagem mais teórica, onde é feita uma contextualização de conceitos fundamentais da gestão, com especial enfoque na liderança positiva e nos princípios que lhe estão associados. Nesta primeira parte, os autores procuram introduzir o leitor no conceito de organizações positivas, explicando que estas se caracterizam por valorizar os pontos fortes dos indivíduos, promover relações de confiança e incentivar práticas que reforcem a cooperação e o sentido de pertença. Em vez de se focarem apenas nos problemas ou nas falhas, estas abordagens procuram identificar aquilo que funciona bem dentro das organizações e valorizar as características de todos os envolvidos. Assim, a liderança positiva apresenta-se como um estilo de liderança que procura desenvolver o potencial individual dos colaboradores, promover o reconhecimento e estimular um ambiente de trabalho baseado no respeito, na valorização e no bem-estar das pessoas.

Na segunda parte, são propostos diversos exercícios, dirigidos tanto ao leitor individual como à sua equipa de trabalho. Estes exercícios incentivam à reflexão através de desafios práticos. A título de curiosidade destaco o exemplo que é feito em um dos exercícios através da analogia do camelo (pág. 135), um animal capaz de percorrer grandes distâncias no deserto, demonstrando elevada resistência em contextos adversos. A partir desta analogia, o livro pretende que o leitor reflita sobre a existência de colaboradores com características semelhantes nas organizações. Através deste tipo de comparação, os autores procuram um maior conhecimento dentro da organização aproximando-os de situações concretas do quotidiano profissional. A analogia do camelo permite refletir sobre a resiliência, competência esta cada vez mais valorizada nas organizações contemporâneas. Numa atualidade marcada por mudanças constantes, pressões profissionais e desafios organizacionais, a capacidade de adaptação e de resistência face às adversidades torna-se uma qualidade fundamental para os trabalhadores e para as equipas.

A importância do sorriso é também abordada neste capítulo, levando-me a refletir sobre uma vertente que até então desconhecia ou não atribuía tanta importância. Para iniciar este tema o livro faz referência a um estudo realizado entre 2003 e 2006, com uma amostra de 160 pessoas, entre os 25 e os 60 anos, diagnosticadas com depressão. Os resultados indicam que expressões como o sorriso largo e o sorriso superior podem ter um impacto positivo no tratamento, contribuindo, a longo prazo, para a valorização de pensamentos positivos em detrimento dos negativos. Este exemplo demonstra que pequenos comportamentos, aparentemente simples, podem ter efeitos significativos no estado emocional das pessoas.

Este aspeto é depois aplicado, ao contexto organizacional, com recurso a exemplos reais de empresas que consideram este tipo de característica no processo de recrutamento e seleção. Ainda que de forma indireta, os benefícios desta prática acabam por se refletir no ambiente organizacional, nomeadamente ao nível do bem-estar, das relações interpessoais e do clima positivo nas equipas. Ao apresentarem exemplos concretos de organizações que valorizam estas características, os autores demonstram que a gestão das emoções e das relações humanas tem um impacto real no funcionamento das empresas. Organizações que incentivam ambientes de trabalho positivos tendem a apresentar níveis mais elevados de satisfação profissional, maior cooperação entre os membros das equipas e uma redução de conflitos interpessoais. Consequentemente, estes fatores acabam também por influenciar positivamente a produtividade e a eficácia organizacional.

No exercício intitulado “Indução da Positividade”, são também apresentados os benefícios e as melhorias que pequenos gestos podem trazer para o contexto organizacional. Expressões positivas, como o elogio, a cordialidade e a demonstração de empatia, contribuem para fortalecer as relações interpessoais e promover um ambiente de trabalho mais agradável e colaborativo. Particularmente, pretendo aplicar este exercício no meu local de trabalho de forma mais consciente, procurando adotar uma atitude mais atenta e intencional nas minhas interações diárias.

O exercício em si, propõe que seja registada ao longo do tempo a ação positiva praticada e o impacto que teve no colega. Este exercício parece-me especialmente interessante porque demonstra que mudanças aparentemente simples podem gerar efeitos positivos no ambiente organizacional. Além disso, o facto de registar as ações realizadas e os seus impactos permite ao leitor desenvolver uma maior consciência sobre a influência do seu comportamento nas relações profissionais.

Este capítulo reforça também a importância das pessoas nas organizações, destacando o papel fundamental de manter colaboradores motivados, interessados e otimistas. Deste forma, o leitor é estimulado a identificar o tipo de organização em que se insere, bem como o tipo de líder ou colaborador que é. A título de curiosidade, é apresentada uma comparação entre Portugal e outros países europeus. Esta comparação internacional permite compreender que as culturas organizacionais podem variar entre países, influenciando a forma como as pessoas trabalham, comunicam e se relacionam dentro das organizações. Ao refletir sobre estas diferenças, o leitor é incentivado a analisar criticamente o contexto em que se encontra inserido e a identificar possíveis áreas de melhoria no funcionamento da sua própria organização.

Na terceira parte, a liderança positiva e apreciativa é explorada, essencialmente, através de exercícios práticos. Inicialmente, propõe-se uma reflexão sobre a perceção que os colaboradores (ou alunos) têm do líder, recorrendo a vários exemplos de questionários de avaliação em diferentes dimensões da liderança positiva. Destaco, pela sua relevância, os questionários que avaliam a postura e a ligação que os colaboradores estabelecem com os líderes. Posteriormente, são sugeridos exercícios de autoavaliação, promovendo o autoconhecimento e a autorreflexão do próprio líder. Esta parte do livro demonstra que a liderança não deve ser entendida apenas como uma posição hierárquica, mas sobretudo como um conjunto de comportamentos e atitudes que influenciam diretamente os colaboradores. Ao promover exercícios de reflexão e autoavaliação, os autores procuram que os líderes desenvolvam uma maior consciência sobre o impacto das suas decisões e das suas atitudes no clima organizacional. Dessa forma, torna-se possível identificar comportamentos que podem ser melhorados e promover estilos de liderança mais participativos, construtivos e motivadores.

A quarta e última parte é dedicada a questionários de autoavaliação e à compreensão das características organizacionais. O leitor é convidado a responder a vários instrumentos que permitem um maior conhecimento de si próprio e da organização em que se insere. Esta secção centra-se especialmente na avaliação do bem-estar no trabalho e na qualidade das relações interpessoais. A utilização destes instrumentos de autoavaliação permitem ao leitor desenvolver uma análise mais profunda sobre o seu próprio comportamento e sobre o funcionamento da organização em que trabalha.

Na minha opinião, trata-se de uma obra bastante pertinente e prática, especialmente útil para quem exerce funções de liderança, independentemente do contexto. A leitura é bastante acessível e o livro destaca-se pela riqueza de exercícios, dinâmicas e momentos de reflexão. De certa forma, “obriga” o leitor a parar, pensar e analisar a sua realidade, promovendo o desenvolvimento pessoal e profissional. Ao nível coletivo, também se revela um investimento valioso para equipas de trabalho. Considero igualmente que a obra apresenta um contributo relevante para a promoção de ambientes organizacionais mais saudáveis e equilibrados. O livro oferece ferramentas úteis que podem ser aplicadas tanto em contextos empresariais como em instituições públicas ou educativas.

Em síntese, o livro “Organizações Positivas” apresenta-se como um manual que combina fundamentos teóricos com propostas práticas de intervenção, permitindo ao leitor refletir sobre o seu papel dentro da organização e sobre as formas de contribuir para ambientes profissionais mais positivos. Através da valorização das pessoas, da promoção de relações saudáveis e do desenvolvimento de lideranças construtivas, os autores demonstram que é possível construir organizações mais eficazes, sustentáveis e orientadas para o bem-estar coletivo.

Deste modo, a obra revela-se, igualmente relevante para estudantes e profissionais da área da gestão de recursos humanos, constituindo um contributo útil para a reflexão sobre práticas organizacionais orientadas para o desenvolvimento das pessoas e para a promoção do bem-estar no trabalho.

 

A Sociedade do Cansaço – Book Review por Cláudia Valdire

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