segunda-feira, 22 de junho de 2026

Quando a vulnerabilidade se torna força- Book Review: “A Coragem de Ser Imperfeito”, de Brené Brown

 Quando a vulnerabilidade se torna força- Book Review: “A Coragem

de Ser Imperfeito”, de Brené Brown

Logotipos e Identidade Gráfica — ISMAT Instituto Superior ...

A Coragem de Ser Imperfeito de Brené Brown - Livro - WOOK

Capa do Livro


Discente: Dinis Filipe Jesus Novais

Docente: Professora Sandra Araújo

UC: Técnicas de Negociação, Liderança e Motivação


Biografia da Autora

Brené Brown, nascida a 18/11/1965 no Texas, é uma investigadora e professora norte-americana, conhecida pelo seu trabalho nas áreas da vulnerabilidade, vergonha, coragem e conexão humana. Professora na Universidade de Houston, Brené desenvolveu ao longo de vários anos estudos empíricos sobre emoções humanas e comportamento social. Ganhou notoriedade internacional através das suas palestras e publicações, destacando-se pela capacidade de traduzir conceitos complexos em ideias acessíveis e aplicáveis à vida quotidiana e profissional.


Brené Brown: 5 livros para entender a carreira da pesquisadora | Na Prática
Brené Brown


Sumário do Livro O livro “A Coragem de Ser Imperfeito” apresenta uma reflexão aprofundada sobre o papel da vulnerabilidade na experiência humana. Baseando-se em investigação científica, a autora propõe uma mudança de paradigma: em vez de evitar a imperfeição, as pessoas devem aceitá-la como condição essencial para ter uma vida plena e significativa. Um dos conceitos centrais da obra é a vulnerabilidade, definida como a disposição para enfrentar a incerteza, o risco e a exposição emocional. Segundo a autora, é precisamente esta abertura que permite experiências fundamentais como o amor, a criatividade, a empatia e a inovação. A não aceitação da vulnerabilidade conduz ao isolamento emocional e à limitação do crescimento pessoal. Outro tema relevante é a vergonha, entendida como o sentimento de não ser suficientemente bom. Este fenómeno é amplificado por uma cultura marcada pela exigência e pela comparação social, levando os indivíduos a evitar riscos e a procurar validação constante. A autora introduz ainda o conceito de “cultura da escassez”, caracterizada pela perceção permanente de insuficiência, seja de tempo, recursos ou valor pessoal. Esta mentalidade contribui para a insatisfação contínua e para a diminuição da autoestima. O perfeccionismo é analisado como um mecanismo de defesa, distinto da procura de excelência. Enquanto esta última promove o desenvolvimento, o perfeccionismo está associado ao medo de falhar, necessidade de aprovação externa e a pressão imposta pela sociedade na qual vivemos. Por fim, a obra destaca a importância da autenticidade e do sentido de pertença. A autora defende que relações genuínas só são possíveis quando as pessoas têm coragem de se mostrar tal como são, ao aceitar as suas imperfeições. Reflexão Integrativa A leitura desta obra levou-me a refletir de forma mais profunda sobre a forma como encaro a vulnerabilidade no meu dia a dia. Antes desta leitura, tendia a evitar situações que implicassem exposição emocional ou risco de falhar, especialmente em contextos académicos e sociais. No entanto, ao longo do livro, percebi que essa postura pode limitar o desenvolvimento pessoal e a criação de relações autênticas. Esta mudança de perspetiva tornou-se particularmente relevante no contexto da minha formação, uma vez que me permitiu compreender que o crescimento implica desconforto e aceitação da imperfeição. Assim, passei a valorizar mais a autenticidade e a assumir que errar faz parte do processo de aprendizagem e evolução. Análise Crítica A obra de Brené Brown apresenta uma abordagem relevante e contemporânea ao estudo das emoções humanas, especialmente no contexto social e organizacional. Um dos principais pontos fortes reside na valorização da vulnerabilidade como competência, contrariando a visão tradicional que a associa à fraqueza. A autora sustenta os seus argumentos com base em investigação empírica, o que contribui para a credibilidade da obra. Adicionalmente, a linguagem acessível e o recurso a exemplos práticos facilitam a compreensão e aplicação dos conceitos em diferentes contextos, nomeadamente na liderança, negociação e gestão de equipas. No contexto da unidade curricular de Técnicas de Negociação, Liderança e Motivação, esta abordagem revela-se particularmente relevante. Enquanto os modelos tradicionais tendem a valorizar o controlo, a assertividade e a racionalidade, a perspetiva apresentada pela autora introduz a vulnerabilidade como uma competência estratégica. Esta permite o desenvolvimento de relações baseadas na confiança, empatia e autenticidade, essenciais em contextos organizacionais modernos. Assim, a obra não só complementa como também desafia os modelos clássicos, promovendo uma visão mais humana da liderança. Apesar da relevância dos conceitos apresentados, importa referir que a aplicação prática destas ideias pode ser limitada em contextos organizacionais mais rígidos, onde a exposição emocional nem sempre é valorizada. Assim, a implementação destas práticas depende fortemente da cultura organizacional existente. Opinião Pessoal A leitura de “A Coragem de Ser Imperfeito” permite uma reflexão crítica sobre a forma como a sociedade contemporânea encara o erro, a imperfeição e a exposição emocional. Considero que a principal contribuição da obra reside na desconstrução da ideia de que a vulnerabilidade representa fraqueza, apresentando-a como um elemento essencial para o desenvolvimento pessoal e relacional. Considero também relevante a forma como os conceitos abordados podem ser aplicados ao contexto académico e profissional, nomeadamente na gestão de relações interpessoais e na construção de ambientes mais colaborativos. A obra incentiva uma maior consciência emocional e uma abordagem mais autêntica às interações humanas. Sugere a adoção de uma postura mais consciente e autêntica, menos dependente da validação externa e mais alinhada com os valores individuais. A leitura desta obra levou-me a reconsiderar a forma como encaro a vulnerabilidade, especialmente em contextos académicos e profissionais. Antes, tendia a associá-la a fragilidade, evitando expor dúvidas ou inseguranças. No entanto, ao longo da leitura, percebi que essa postura limita o crescimento e a aprendizagem. Esta mudança de perspetiva tem impacto direto na forma como pretendo atuar enquanto futuro profissional, particularmente em funções de liderança, onde a autenticidade e a empatia são essenciais para construir confiança e promover o desempenho das equipas. Para além disso, identifiquei-me com várias ideias apresentadas no livro, especialmente no que diz respeito ao medo do julgamento e à procura de validação externa. Esta leitura permitiu-me reconhecer comportamentos pessoais que, até então, não questionava, incentivando-me a adotar uma postura mais autêntica e menos condicionada pela opinião dos outros. Conclusão Em síntese, A Coragem de Ser Imperfeito constitui uma obra relevante para a compreensão das dinâmicas emocionais e sociais contemporâneas. A valorização da vulnerabilidade, da autenticidade e da aceitação da imperfeição surge como um contributo significativo para o desenvolvimento pessoal e profissional. Apesar de algumas limitações ao nível do rigor académico, o livro destaca-se pela sua aplicabilidade prática e pela pertinência das suas reflexões, sendo particularmente útil em áreas como liderança, negociação e motivação. Enquanto reviewer, considero que esta obra teve um impacto significativo no meu desenvolvimento pessoal e académico. A leitura não só me permitiu compreender melhor conceitos como vulnerabilidade, vergonha e autenticidade, como também me levou a refletir sobre a forma como me posiciono perante desafios e relações interpessoais. Este processo de análise crítica contribuiu para uma maior consciência emocional e para a adoção de uma postura mais genuína, tanto no contexto académico como na minha futura vida profissional. Neste sentido, a obra convida não apenas à reflexão, mas à transformação comportamental, posicionando a vulnerabilidade como um elemento estratégico no desenvolvimento de competências interpessoais e na eficácia das relações profissionais. Referências Bibliográficas Brown, B. (2013). A coragem de ser imperfeito. Manuscrito. Brown, B. (2010). The power of vulnerability [TED Talk]. TED Conferences. https://www.ted.com/talks/brene_brown_the_power_of_vulnerability Brown, B. (n.d.). Brené Brown. https://brenebrown.com Caro/a Leitor, para Citar esta book Review, use esta referência final: Novais, D. (2026). Quando a vulnerabilidade se torna força - Book Review ao Livro A Coragem de Ser Imperfeito. Book Review Orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de ‘Mudança e Desenvolvimento Organizacional’. ISMAT-Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. Disponível em: https://www.ismat.pt/pt/


quinta-feira, 18 de junho de 2026

A Felicidade Está Mais Perto do Que Pensamos – Book Review de A Fórmula da Felicidade Erica Domingues

 A Felicidade Está Mais Perto do Que Pensamos – Book Review de

A Fórmula da Felicidade


Introdução

A felicidade é um dos temas mais procurados e discutidos ao longo da vida. No livro A Fórmula da Felicidade, Mo Gawdat apresenta uma perspetiva diferente sobre este conceito, defendendo que a felicidade não depende apenas das circunstâncias externas, mas sobretudo da forma como interpretamos a realidade.

Através de uma abordagem simples, lógica e baseada na sua experiência pessoal, o autor procura demonstrar que a felicidade pode ser compreendida e desenvolvida através da gestão dos nossos pensamentos e expectativas.



Sobre o autor:


Mo Gawdat é engenheiro, empresário e escritor. Durante vários anos trabalhou na Google, onde ocupou cargos de liderança na área da inovação. Após a perda do seu filho Ali, dedicou-se ao estudo da felicidade e do bem-estar humano, reunindo as suas reflexões e aprendizagens no livro A Fórmula da Felicidade.












As Principais Ideias da Obra

A mensagem central do livro é que a felicidade resulta da diferença entre a realidade e as nossas expectativas. Quando as expectativas são demasiado elevadas, aumenta a probabilidade de sentirmos frustração e insatisfação.

O autor explica ainda que muitos dos nossos problemas resultam da forma como interpretamos os acontecimentos. A mente tende a exagerar situações negativas, criar preocupações futuras e alimentar pensamentos que aumentam o sofrimento.

Outra ideia importante é a distinção entre dor e sofrimento. Segundo Mo Gawdat, a dor faz parte da vida e não pode ser evitada, mas o sofrimento surge da forma como reagimos mentalmente a essa dor.



A Importância dos Pensamentos

Um dos aspetos mais interessantes do livro é a reflexão sobre o poder da mente. O autor defende que muitas vezes acreditamos automaticamente nos nossos pensamentos, mesmo quando estes não correspondem à realidade.

Ao aprender a questionar esses pensamentos e a reduzir expectativas irreais, torna-se possível alcançar uma maior sensação de equilíbrio e felicidade.


Felicidade e Aceitação

Ao longo da obra, Mo Gawdat mostra que a felicidade não significa viver sem problemas ou dificuldades. Pelo contrário, significa aceitar que a vida inclui momentos positivos e negativos.

A aceitação da realidade, juntamente com a capacidade de controlar a forma como pensamos sobre os acontecimentos, surge como uma das principais estratégias para alcançar uma vida mais feliz.


Relação com a Liderança e Comunicação

Esta obra apresenta várias ligações à disciplina de Técnicas de Liderança e Comunicação. Em primeiro lugar, destaca a importância da inteligência emocional e da gestão dos pensamentos, competências fundamentais para qualquer líder.

Além disso, a forma como interpretamos situações influencia diretamente a nossa comunicação. Um líder equilibrado emocionalmente tende a comunicar de forma mais eficaz, empática e consciente.

O livro também demonstra que a capacidade de lidar com desafios, frustrações e expectativas é essencial para desenvolver relações interpessoais saudáveis e um estilo de liderança mais positivo.


Experiência como Leitora

A leitura de A Fórmula da Felicidade foi uma experiência bastante enriquecedora. O livro levou-me a refletir sobre a forma como os pensamentos influenciam o bem-estar e sobre a importância de controlar expectativas excessivas.

Um dos aspetos que mais me marcou foi a distinção entre dor e sofrimento. Percebi que muitas vezes não conseguimos controlar aquilo que nos acontece, mas podemos aprender a controlar a forma como reagimos aos acontecimentos.

Esta leitura ajudou-me também a compreender melhor a importância da inteligência emocional, tanto na vida pessoal como no futuro profissional.


Review da Obra

A Fórmula da Felicidade apresenta uma abordagem diferente dos tradicionais livros de autoajuda. Em vez de prometer felicidade imediata, o autor convida o leitor a compreender melhor a mente humana e a forma como os pensamentos influenciam as emoções.

Entre os principais pontos fortes da obra destacam-se a linguagem acessível, os exemplos práticos e a capacidade de provocar reflexão. O livro transmite mensagens simples, mas profundas, que podem ser aplicadas no dia a dia.

Como aspeto menos positivo, algumas ideias podem parecer repetitivas ao longo da leitura. No entanto, essa repetição ajuda a reforçar os conceitos fundamentais apresentados pelo autor.


Sobre a Reviewer

O meu nome é Érica Domingues e sou estudante da Licenciatura em Gestão de Turismo no ISMAT.

A realização desta book review permitiu-me refletir sobre a importância da felicidade, da inteligência emocional e da forma como interpretamos os acontecimentos da vida. Considero que as ideias apresentadas por Mo Gawdat podem ser úteis tanto a nível pessoal como profissional.

Como futura profissional da área do turismo, acredito que compreender as emoções humanas, saber comunicar eficazmente e desenvolver competências de liderança são fatores fundamentais para construir relações positivas e oferecer experiências de qualidade.


Caro Leitor/a, para citar esta Book Review, utilize a seguinte referência:

Domingues, E. (2026). A Felicidade Está Mais Perto do Que Pensamos: Uma Book Review sobre Liderança, Comunicação e Inteligência Emocional em A Fórmula da Felicidade. Book Review orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de Técnicas de Liderança e Comunicação. ISMAT – Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes.









Book Review por Francisco Correia, do livro “Pai Rico, Pai Pobre para jovens"

 






BOOK REVIEW

Pai Rico, Pai Pobre para Jovens

de Robert T. Kiyosaki

 



Licenciatura em Gestão de Empresas – Ano Letivo 2025/2026

UC: Técnicas de Negociação, Liderança e Motivação – 2º ano – 2º semestre

Docente: Doutora Patrícia Araújo 
Discente(s): Francisco Correia nº22403893



Biografia do Autor

Robert Toru Kiyosaki nasceu a 8 de abril de 1947, no Havai, Estados Unidos da América. É empresário, investidor, autor e educador financeiro, reconhecido mundialmente pelo seu trabalho na área da literacia financeira e do empreendedorismo. Através das suas obras e conferências, tornou acessíveis conceitos complexos de finanças pessoais e investimento, com aplicação prática na vida de milhões de pessoas.

A sua obra mais emblemática, Pai Rico, Pai Pobre, publicada em 1997, vendeu mais de 32 milhões de exemplares em todo o mundo e está traduzida em dezenas de idiomas. Mais tarde, Kiyosaki adaptou os princípios desta obra especificamente para um público jovem, dando origem à versão objeto desta resenha crítica: Pai Rico, Pai Pobre para Jovens.

Para além das obras literárias, Kiyosaki é fundador da The Rich Dad Company, uma empresa de educação financeira que desenvolve jogos, cursos e conteúdos pedagógicos orientados para a independência económica. A sua filosofia assenta na convicção de que a literacia financeira deveria ser ensinada desde cedo, sendo uma competência tão essencial como ler ou escrever.

"A escola ensina-nos a trabalhar para ganhar dinheiro… mas quem nos ensina a fazer o dinheiro trabalhar para nós?"


 Robert T. Kiyosaki, autor de "Pai Rico, Pai Pobre para jovens"


Resumo da Obra

A obra apresenta as lições financeiras que o autor afirma ter aprendido com dois homens distintos: o seu pai biológico ,intelectualmente dotado mas financeiramente frágil, apelidado de "pai pobre"  e o pai do seu melhor amigo sem formação universitária, mas detentor de uma grande inteligência financeira, apelidado de "pai rico". Através da comparação entre as mentalidades e comportamentos financeiros destes dois homens, Kiyosaki propõe uma mudança de paradigma: em vez de trabalhar pelo dinheiro, o jovem deve aprender a fazer o dinheiro trabalhar por si.

A narrativa é estruturada de forma acessível e pedagógica, com exemplos práticos e diálogos que facilitam a compreensão de conceitos financeiros fundamentais, como a distinção entre ativos e passivos, o fluxo de caixa, a literacia financeira, e a importância de criar fontes de rendimento passivo desde jovem.

 

Os Dois Pais e as Suas Mentalidades

Um dos pilares conceptuais da obra é a contraposição entre as mentalidades do "pai pobre" e do "pai rico". Esta distinção não se refere apenas aos seus níveis de riqueza material, mas sobretudo à forma como cada um pensa e fala sobre dinheiro.

O pai pobre (com formação académica elevada) recorria frequentemente a afirmações como "Não posso pagar isso" ou "Estuda para conseguires um bom emprego", revelando uma mentalidade de escassez e de dependência do emprego assalariado. O pai rico, por sua vez, substituía essas frases por perguntas como "Como posso pagar isso?", estimulando o pensamento criativo e a procura de soluções financeiras inovadoras.

Esta distinção é poderosa porque evidencia que a riqueza começa, antes de mais, na mentalidade. A forma como pensamos sobre dinheiro, risco e trabalho determina, em grande medida, as decisões que tomamos ao longo da vida.

 Literacia Financeira: Ativos vs. Passivos

Um dos conceitos mais marcantes da obra é a distinção entre ativos e passivos. Kiyosaki define-os de forma pragmática e memorável: um ativo coloca dinheiro no bolso; um passivo retira dinheiro do bolso. A construção de riqueza baseia-se, portanto, na acumulação de ativos e na minimização de passivos.

São exemplos de ativos: rendas de imóveis arrendados, dividendos de ações, lucros de negócios próprios e royalties. Em contraposição, são exemplos de passivos: crédito habitação sem rendimento associado, crédito automóvel, cartões de crédito e bens de consumo financiados.

A conclusão-chave que o autor apresenta é que os ricos compram ativos, enquanto a classe média e os mais desfavorecidos compram passivos, pensando frequentemente que estão a adquirir ativos. Esta distinção, aparentemente simples, encerra uma profundidade conceptual que poucos sistemas de ensino formal transmitem de forma explícita.

"Não é quanto dinheiro ganhas, mas quanto dinheiro guardas, como trabalha para ti e para quantas gerações o consegues preservar."

O Papel da Escola e a Educação Financeira

Kiyosaki argumenta que o sistema de ensino tradicional prepara os jovens para serem bons empregados, mas não para alcançarem liberdade financeira. A educação formal ensina a trabalhar por dinheiro, mas raramente ensina a compreender como o dinheiro funciona.

O autor enumera um conjunto de matérias que a escola tipicamente não ensina: como funcionam os impostos, como investir e fazer crescer o capital, como distinguir ativos de passivos, e como criar fontes de rendimento passivo. Esta omissão curricular representa, na ótica de Kiyosaki, um dos maiores obstáculos ao progresso financeiro das novas gerações.

Importa, contudo, contextualizar esta crítica: o autor refere-se sobretudo ao sistema educativo norte-americano. Em Portugal, têm surgido iniciativas para incluir a educação financeira nos currículos escolares, ainda que de forma ainda incipiente. De acordo com a OCDE (2020), os jovens portugueses apresentam níveis de literacia financeira abaixo da média da OCDE, o que reforça a pertinência do argumento de Kiyosaki no contexto nacional.

 

Os 5 Obstáculos Mentais ao Sucesso

Mesmo as pessoas que aprendem a gerir o seu dinheiro podem falhar por razões de natureza psicológica. Kiyosaki identifica cinco barreiras mentais que os jovens precisam de superar para alcançar a independência financeira:

Medo: O medo de perder dinheiro paralisa as pessoas. Kiyosaki defende que a diferença entre ricos e pobres não é a ausência de medo, mas a forma como cada um lida com ele. Os ricos veem o fracasso como uma lição; os outros evitam tentar.

Cinismo: A voz interior ou a pressão de amigos e familiares, que diz "Isso não vai funcionar" ou "É demasiado arriscado". O cinismo impede de reconhecer oportunidades.

Preguiça Mental: Manifesta-se frequentemente em pessoas que estão "demasiado ocupadas" a trabalhar para cuidarem das suas finanças. O autor sugere combater este obstáculo substituindo "Não posso pagar isto" por "Como posso pagar isto?", forçando o cérebro a procurar soluções criativas.

Maus Hábitos: A maioria das pessoas paga as despesas com o que sobra do rendimento. O pai rico ensina a regra do "Pagar a Ti Próprio Primeiro": retirar uma percentagem do rendimento para investir antes de pagar qualquer despesa.

Arrogância: A junção de ego com ignorância. Pensar que já se sabe tudo sobre dinheiro impede a aprendizagem contínua e o crescimento financeiro.

Aplicação à Unidade Curricular

A ligação entre os conteúdos da obra e as temáticas abordadas na Unidade Curricular de Técnicas de Negociação, Liderança e Motivação é notória e merece uma reflexão integrada.

No que diz respeito à Liderança, a obra evidencia que os líderes financeiramente bem-sucedidos partilham características como o pensamento estratégico, a assunção de responsabilidade e a visão de longo prazo. Estas são competências transversais a qualquer contexto de liderança organizacional. Um líder que compreende a realidade financeira da sua organização tomará decisões mais informadas, motivará as suas equipas com maior eficácia e criará ambientes psicologicamente seguros.

Relativamente à Negociação, a literacia financeira influencia diretamente a capacidade negocial. Um negociador com forte inteligência financeira compreende o valor real do que está em discussão, resiste à pressão emocional e é capaz de analisar riscos e benefícios com objetividade. A obra de Kiyosaki promove exatamente este tipo de pensamento racional e estratégico.

Quanto à Motivação, a mentalidade financeira tem impacto direto na motivação individual. O medo financeiro e a ausência de literacia económica geram desmotivação, passividade e dependência. Em contrapartida, a educação financeira promove autonomia, sentido de propósito e motivação intrínseca para aprender e investir. Este princípio alinha-se com teorias motivacionais estudadas na UC, nomeadamente as que sublinham a importância da autodeterminação e do locus de controlo interno (Deci & Ryan, 1985 apud estudos de motivação organizacional).


Reflexão Pessoal enquanto Reviewer

Enquanto reviewer desta obra, começo por partilhar o motivo da minha escolha: a temática da literacia financeira sempre me pareceu relevante, mas pouco explorada no percurso académico. Quando soube que existia uma versão de Pai Rico, Pai Pobre adaptada para jovens, senti que seria uma leitura oportuna e pertinente para o momento de vida em que me encontro, isto é, sou um estudante universitário a preparar a transição para o mercado de trabalho.

A leitura desta obra levou-me a reconsiderar profundamente a forma como encaro a minha relação com o dinheiro. Antes desta experiência, tendia a associar o sucesso financeiro unicamente ao nível de rendimentos obtido através do trabalho assalariado. A leitura confrontou-me com uma perspetiva radicalmente diferente e, inicialmente, algo desconcertante.

O que mais me marcou foi a distinção entre ativos e passivos. Aparentemente simples, este conceito revelou-se uma ferramenta conceptual de elevado valor prático. Fez-me questionar escolhas futuras de consumo e investimento que até então não considerava relevantes para alguém na minha faixa etária.

Enquanto futuro profissional, considero que esta perspetiva terá impacto direto na forma como pretendo gerir os meus recursos, tomar decisões de investimento e, eventualmente, liderar equipas com maior consciência financeira e estratégica. Como gestor, compreender o valor do dinheiro e os mecanismos que o fazem crescer é, indiscutivelmente, uma vantagem competitiva.

Recomendo vivamente esta leitura a todos os estudantes, independentemente da área de formação. Não como um manual de finanças, mas como um convite a pensar diferente sobre o papel que o dinheiro desempenha nas nossas vidas.

"Os ricos não trabalham pelo dinheiro. Fazem o dinheiro trabalhar para eles."

 

 Referências Bibliográficas

Huston, S. J. (2010). Measuring Financial Literacy. Journal of Consumer Affairs, 44(2), 296–316.

Kiyosaki, R. T. (1997). Rich Dad Poor Dad. Warner Books.

Kiyosaki, R. T. (2000). Rich Dad's Cashflow Quadrant. Warner Books.

Kiyosaki, R. T. (2012). Pai Rico, Pai Pobre para Jovens. Pergaminho.

OCDE (2020). PISA 2018 Results (Volume IV): Are Students Smart about Money? PISA, OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/48ebd1ba-en

Rich Dad Company – Website oficial: https://www.richdad.com

ISMAT – Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes: https://www.ismat.pt

 

Como Citar Esta Book Review

 Correia, F. (2026). Pai Rico, Pai Pobre para Jovens: Book Review da obra de Robert T. Kiyosaki. Trabalho académico realizado no âmbito da Unidade Curricular de Técnicas de Negociação, Liderança e Motivação, sob orientação da Professora Doutora Patrícia Araújo. ISMAT – Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes, Portimão.

 

Sobre o Autor

O meu nome é Francisco Correia, sou estudante de 2ºano da licenciatura em Gestão de Empresas no ISMAT. Os meus interesses académicos incluem liderança, negociação, motivação organizacional, gestão e literacia financeira. Esta book review foi desenvolvida no âmbito da Unidade Curricular de Técnicas de Negociação, Liderança e Motivação, refletindo uma análise crítica da obra Pai Rico, Pai Pobre para Jovens, de Robert T. Kiyosaki, e da sua relevância para o desenvolvimento de competências pessoais e profissionais.

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