Sinopse:
O livro “O Príncipezinho Põe A Gravata” conta, em forma de fábula, a história real de uma empresa, que para efeitos do livro chama-se a consultora SAT. Nesta organização os trabalhadores estão desmotivados, há conflitos frequentes e o ambiente é negativo. Tudo isto muda quando chega Pablo Príncipe, personagem optimista e entusiasta, inspirado na obra “O Principezinho” de Saint-Exupéry. Pablo não lidera de modo tradicional. Na verdade ele promove o autoconhecimento, a inteligência emocional e desenvolvimento pessoal como impulsionador das pessoas. Através das suas ideias, ele começa a transformar a forma como as pessoas pensam, trabalham e se relacionam. Vilaseca transforma um livro sobre liderança num relato inspirador que pretende divulgar valores de crescimento pessoal através de uma história exemplar. O sofrimento profissional nem sempre vem do trabalho, muitas vezes vem da forma como nos relacionamos com ele.
Sobre o autor:
Borja
Vilaseca é escritor, divulgador, conferencista, professor, empreendedor e
criador de projetos pedagógicos destinados a promover uma mudança de paradigma
social. Fundou a Kuestiona, uma comunidade educativa para pensadores,
exploradores espirituais e inconformistas, que promove programas online para
ajudar as pessoas a tornarem-se a mudança que querem ver no mundo; fundou
também La Akademia, um movimento cidadão que promove gratuitamente educação
emocional e de empreendedorismo para jovens; assim como o projeto Terra, uma
proposta de escola consciente e de transformação do sistema educativo. Todos
estes projetos têm presença internacional, tal como os diversos cursos online
que organiza. É também autor de vários bestsellers de desenvolvimento pessoal
que contam já com mais de 500 000 exemplares vendidos e são publicados em mais
de 20 países.
Resumo
da obra:
Esta
fantástica história começa com Pablo Príncipe na sua preparação para a
entrevista de emprego na consultora SAT. Nas primeiras páginas já é possível
identificar pistas sobre toda a temática do livro, como a jornada para o autoconhecimento,
o desenvolvimento pessoal e a inteligência emocional que Pablo Príncipe tem nas
adversidades daquela manhã.
Na
consultora SAT os funcionários vivem em ambientes de trabalho tóxicos, com
chefias frustradas e que descontam esta raiva nos trabalhadores. Sair a horas
nunca foi sequer uma hipótese, mesmo em datas celebrativas. Tudo que fazem está
sempre mal feito aos olhos da hierarquia.
Ao
chegar no edifício da consultora, Pablo encontra o porteiro. Este não estava à
espera de ser notado, e inclusive inicialmente é um pouco ríspido com o
personagem principal. Inúmeros outros homens de fato e gravata já haviam
passado por ali a caminho da entrevista de emprego, e o porteiro pensou que
Pablo Príncipe seria mais um destes executivos que só pensavam em si próprios.
Pablo mostra se diferente dos outros, pede gentilmente ajuda ao porteiro para
colocar a sua gravata, ele quer causar boa impressão e o porteiro deseja-lhe
sorte. Talvez é exatamente alguém como Pablo que aquela consultora precisa.
Apesar
de não ter uma vasta experiência profissional para o cargo que estavam a
contratar, Pablo acaba por convencer Jordi Amorós de que, tem muita vontade e jeito
para lidar com as pessoas e levá-las a alcançar as suas melhores versões a
partir do autoconhecimento. O personagem principal torna-se o novo gestor de
pessoas e valores e não se deixa intimidar pelo chefe tóxico que grita com
todos e não acredita nos benefícios do bem-estar organizacional e no
desenvolvimento pessoal. Para este chefe, os funcionários só são produtivos
quando temem à chefia.
A
consultora SAT representa o que muitas organizações modernas são. Burocrática,
desmotivadora, focada apenas em resultados financeiros e com relações tóxicas e
falta de propósito. Pablo começa a promover a mudança na organização, através
do seu curso de autoconhecimento, desenvolvimento pessoal e a inteligência
emocional. Ao contrário dos líderes tradicionais, ele não começa por impor
mudanças. Pablo observa, faz perguntas, tem empatia e tenta compreender as
pessoas. Ele transmite a ideia, que para alguns pode ser desconfortável. A
liderança começa por escutar antes de controlar.
Pablo encoraja
às pessoas para tomarem consciência de que o que o outro faz connosco só nos
afeta se deixarmos aquilo ter influência em nós próprios. A mudança não
acontece de um dia para o outro, existe um processo de transformação com as
seguintes fases:
·
Autoconhecimento: muitos problemas profissionais vêm de desconexão pessoal. Ele
incentiva os colaboradores a se perguntarem quem sou eu? O que realmente quero?
Estou alinhado com este trabalho?
·
Responsabilidade individual: a mudança
começa em cada indivíduo. Em vez de culpar a empresa ou os chefes, cada pessoa
é convidada a assumir o seu papel e a responsabilidade pelas suas próprias
ações, deixam de ser vítimas e tornam-se agentes de mudança. O que depende de
mim? O que eu posso mudar?
·
Inteligência emocional: as pessoas começam a se
comunicarem melhor e a resolver os conflitos de forma harmoniosa. O foco passa
a incluir as emoções individuais, as relações interpessoais e a empatia.
·
Propósito e sentido: trabalhar deixa de ser só
“ganhar dinheiro” e passa a ter significado. Qual o propósito do nosso
trabalho? Isto faz sentido para mim?
O
livro nos mostra também fragmentos da vida de Pablo, para entendermos como ele
chegou à sua versão atual. O personagem principal é o caçula da família, sua
mãe faleceu e nos é apresentado o seu pai e os dois irmãos. Cada um muito
bem-sucedido e felizes no trabalho, que deixam as esposas e o pai orgulhoso. Em
contrapartida, Pablo ainda não era bem-sucedido, despediu-se do seu trabalho
que era estável e decidiu ir procurar significado na vida, mesmo que isto
causasse desgosto no pai e repulsa dos irmãos. Ele nunca foi compreendido.
Num
dos capítulos mais filosóficos, Pablo explica que muitos conflitos
profissionais nascem do ego, da necessidade de reconhecimento, do medo de errar,
de uma competição excessiva e o desejo por controlo. Ele faz um paralelo com o chefe que a
consultora SAT tem, e encoraja os funcionários e verem o seu superior com
outros olhos, a respirar funco quando ele fosse rude e não devolver na mesma
moeda. Pelo contrário, tratar o ódio com empatia. Os colaboradores começam a
perceber que muitos dos seus comportamentos já são automáticos e que nunca pararam
para pensar que o chefe também poderia estar a passar por situações que o
deixavam furioso.
A
história nos leva a mais um exemplo onde Pablo é observador e empático. Ele
aborda Alícia Oromi e questiona há quanto tempo ela está grávida. Ela não havia
contado a ninguém e escondia a gravidez o máximo que podia por puro medo de ser
despedida. Havia um histórico na empresa de outras mulheres que teriam sido
dispensadas quando se tornaram mães. Pablo fez o possível para assegurá-la que o
seu trabalho não estava em causa e que ela poderia tirar o tempo que fosse
necessário para garantir que a sua gravidez estava saudável e aproveitar da sua
maternidade.
Gradualmente
a empresa se transforma, o ambiente melhora, o compromisso e a colaboração
aumentou, e os resultados estão ainda melhores. Mas o livro deixa claro, a
verdadeira vitória não é financeira, é o facto de as pessoas terem mudado. Um
novo modelo de liderança é implementado. O líder deixa de ser controlador e
autoritário e passa a ser um facilitador, alguém que inspira e que desenvolve
pessoas.
Veronica
Serra, rececionista da consultora SAT tem um cliente em chamada aos berros porque
precisa urgentemente falar com Jordi Amorós. Ela não se deixa afetar e explica
pacientemente ao cliente que não será possível porque o diretor não estava
disponível. Jordi Amorós havia tirado o dia para estar presente para sua
família, ser um marido e pai mais atencioso. Pablo Príncipe também conseguiu
mudar as vidas pessoais dos funcionários, não só em contexto de trabalho. Após
o seu ataque cardíaco, o diretor começou a ver a vida de forma diferente e
percebeu que o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é crucial para não
perder o que há de melhor em ambos os contextos. “O essencial é invisível aos
olhos.”
A
narrativa posteriormente nos conta que este chefe tinha um desejo profundo de
ser pai, e recentemente havia descoberto ser infértil. A única coisa que lhe
dava paz era quando ele se lembrava da esposa, quando tocava a aliança no seu
dedo. Este processo estava a corroê-lo por dentro e estava a afetar todos à sua
volta. Ao saber disto e partilhar com o diretor da consultora Jordi Amorós,
Pablo convence-o a pagar uma viagem até Madagáscar para que o chefe descubra
por si próprio a ser mais resiliente e empático, através da jornada pelo
autoconhecimento.
Em
Madagáscar, ele enfrentou muitas dificuldades, mas também foi uma jornada muito
enriquecedora. O chefe conseguiu se conhecer melhor, se perdoar e entender o
mal que fazia aos seus subordinados, o quanto conseguia ser tóxico. Ele mandou
uma carta ao diretor e pediu que transmitisse a mensagem aos demais. Ele contou
como foi o tempo em que ficou no país, sobre o modo de vida dos malgaxes, e
como aquilo era uma lição de vida. Reconheceu as suas falhas e pediu perdão a
todos. Quando voltou pessoalmente à consultora, fez que questão de cumprimentar
cada um, olhar nos olhos e pedir perdão novamente. Por fim ainda partilhou que
iria ser pai, que ele e a esposa tinham decidido adotar uma criança de
Madagáscar.
Borja
Vilaseca fecha com uma ideia muito próxima do espírito da obra “O Principezinho”.
O sucesso não depende apenas de carreira, estatuto ou dinheiro. Depende da
consciência, da autenticidade das relações humanas e sobre tudo do
autoconhecimento!
·
O Principezinho vs Pablo Príncipe: No livro original, o Principezinho é alguém
que observa sem preconceitos, faz perguntas simples mas profundas, não aceita
regras só porque sim e vê o que os adultos já deixaram de ver. Pablo Príncipe
desempenha exatamente esse papel. Ele entra numa empresa cheia de hábitos
automáticos e começa a fazer perguntas aparentemente óbvias. Porque trabalham?
O que procuram? São felizes? Tal como o Principezinho, ele desmonta ideias
consideradas normais.
·
A raposa vs as relações humanas: Uma das
frases mais famosas do Principezinho é “Tu tornas-te eternamente
responsável por aquilo que cativas.” Na obra original, a raposa ensina vínculo,
presença e o significado das relações. No livro de Borja isto aparece como a empatia,
a confiança, a cultura organizacional e liderança. A empresa deixa de ser uma
máquina e passa a ser um espaço de relações. As pessoas não produzem melhor
porque são pressionadas, como acreditava o chefe da sala das máquinas. As
pessoas produzem melhor porque se sentem ligadas, conectadas, parte do todo.
·
A rosa vs o propósito: No livro original a rosa
representa aquilo que damos valor através do cuidado. No livro “O Príncipezinho
Põe A Gravata” o propósito pessoal transmite uma mensagem equivalente. Cada um
dos trabalhadores é convidado a descobrir o que é importante para si próprio e
o que verdadeiramente merece a transmissão de energia. O sentido nasce do
compromisso como algo significativo.
·
“O essencial é invisível aos olhos”: Esta é a ligação mais forte entre as obras no
meu ponto de vista. O autor traduz isto para o mundo do trabalho. As empresas
medem números de vendas, horas de trabalho e produtividade. Mas no fim ignoram
o essencial. A motivação, a satisfação e as emoções das pessoas, que devem ir
de acordo com os valores da empresa. Aquilo que realmente sustenta uma
organização não aparece nos relatórios, é “invisível aos olhos”.
·
A viagem entre planetas vs o autoconhecimento: O Principezinho viaja pelo universo. Na obra
de Borja Vilaseca, a viagem deixa de ser física e torna-se emocional e psicológica.
Cada personagem atravessa etapas inconsciente, fazem questionamentos, buscam o autoconhecimento,
a transformação interior, o desenvolvimento pessoal e a inteligência emocional.
Ali, a verdadeira viagem acontece dentro de cada cabeça.
O livro original “O Principezinho” de Saint-Exupéry critica
adultos que esqueceram como é viver, “O Príncipezinho Põe A Gravata” de Borja
Vilaseca critica profissionais que esqueceram porque trabalham. No fundo, O
Principezinho não desaparece quando crescemos, ele apenas fica escondido
debaixo de uma gravata.