quinta-feira, 27 de novembro de 2025

O Caminho Para a Liberdade Financeira- Book Review Por Carmo Pato do livro "Pai Rico, Pai Pobre"

 

 


                                                                                                Gestão de Recursos Humanos, 3º ano – Ano Letivo 2025/2026

               UC: Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional - 1º semestre

               Docente: Patrícia Araújo

 

 

O caminho para a liberdade financeira

Book Review de  “Pai Rico, Pai Pobre”

– de Maria do Carmo Pato

 


 Este clássico de Robert Kiyosaki, “Pai Rico, Pai Pobre”, transforma nossa visão sobre dinheiro e riqueza ao apresentar conceitos fundamentais com clareza e convidar o leitor a repensar as suas crenças financeiras.

 

 

 

 

 

Site Oficial ISMAT
Site Oficial ISMAT
https://www.ismat.pt/

https://www.bertrand.pt/livro/pai-rico-pai-pobre-robert-t-kiyosaki/32323022

https://www.investidordefiis.com/resumo-do-livro-pai-rico-pai-pobre-de-robert-kiyosaki/

         



Biografia do Autor
Robert Kiyosaki nasceu no Havai, em 1947, num contexto familiar nipo-americano. É escritor, ex-militar, empresário, investidor e palestrante conhecido mundialmente pelo best-seller “Pai Rico, Pai Pobre”, que já vendeu mais de 26 milhões de cópias e foi traduzido para cerca de 40 idiomas. Antes de alcançar este sucesso, Kiyosaki enfrentou várias tentativas frustradas no mundo dos negócios, algo que partilha nas suas obras como aprendizado para o sucesso. Além da sua carreira de escritor, Kiyosaki é um defensor apaixonado da educação financeira, promovendo a sua introdução desde os tempos escolares e desenvolvendo jogos educativos para facilitar o ensino destes conceitos. 

Introdução

O livro Pai Rico, Pai Pobre, de Robert Kiyosaki, apresenta uma narrativa autobiográfica e educativa que explora o contraste entre duas figuras paternas e duas maneiras completamente distintas de compreender o dinheiro.

O “pai pobre”, seu pai biológico, representa a visão tradicional, centrada na segurança de um bom emprego e na importância da educação formal. Já o “pai rico”, o pai de seu melhor amigo Mike, defende uma mentalidade empreendedora, mostrando que a liberdade financeira surge do conhecimento e da ousadia para investir. Desde cedo, o jovem Robert é exposto a essas duas visões. De um lado, ouve: “O amor ao dinheiro é a raiz de todo o mal.” Do outro, escuta: “A falta de dinheiro é a raiz de todos os males.” Esse dilema torna-se o ponto de partida da sua jornada intelectual.

O autor partilha a experiência de ter iniciado, ainda muito jovem, a trabalhar numa pequena loja com o “pai rico” por um salário simbólico. Quando Robert protesta, acreditando estar a ser explorado, o pai rico responde: “A maioria das pessoas faz o mesmo que você quer fazer agora — pede um aumento. Mas isso não resolve nada. A solução não é ganhar mais, é aprender a controlar o dinheiro.” Este momento simboliza o inicio do seu aprendizado sobre o valor do raciocínio financeiro e da autossuficiência económica, dando início a uma mudança profunda na sua maneira de pensar.

As seis lições fundamentais do livro:

Lição 1: os ricos não trabalham pelo dinheiro

A primeira grande lição é apresentada através da experiência inicial de Robert com o seu “pai rico. O livro mostra que quem trabalha por um salário termina, na maioria das vezes, preso à chamada “corrida dos ratos” – um ciclo repetitivo de trabalhar para pagar contas e dívidas, sem alcançar a verdadeira liberdade financeira. Kiyosaki sublinha que a inteligência financeira e a coragem para correr riscos são muito mais importantes do que o simples esforço físico ou a procura por estabilidade profissional.

Neste contexto, Robert, passa a compreender que o medo de perder o emprego e o desejo excessivo de segurança são correntes invisíveis que aprisionam muitas pessoas e as impedem de procurar alternativas para crescer. e o desejo de segurança são as correntes invisíveis que aprisionam as pessoas, impedindo-as de crescer.

O seu pai rico enfatiza que o verdadeiro segredo, está em libertar-se destes medos e desenvolver uma mentalidade criativa e empreendedora, capaz de encontrar novas formas de gerar rendimento.

Um momento marcante ocorre quando ele desafia Robert e Mike, ainda crianças, a encontrar formas diferentes de ganhar dinheiro. Os dois, na sua ingenuidade empreendedora, tentam fabricar moedas a partir de tubos de pasta de dentes vazios. Apesar da tentativa fracassada, este episódio simboliza o despertar da criatividade e da iniciativa, mostrando que inovar é a saída para quem não quer depender apenas do salário.

Lição 2: para que alfabetização financeira?

Na segunda lição, o autor introduz a famosa distinção entre ativos e passivos. Ativos são tudo aquilo que coloca dinheiro no seu bolso, enquanto os passivos retiram dinheiro dele. Kiyosaki exemplifica que uma casa própria pode não ser um ativo, já que gera custos constantes, e ensina que veículos de consumo devem ser vistos criticamente. O segredo está em adquirir aplicações, imóveis para rendimento e negócios que produzam dinheiro mesmo sem o nosso trabalho constante, ideia reforçada pelo exemplo das compras de imóveis desvalorizados, que depois são valorizados e vendidos.

Kiyosaki aprendeu a observar o fluxo de dinheiro e a perceber que o segredo da riqueza não está em quanto se ganha, mas no quanto se consegue manter e multiplicar.

Frases como “Compre ativos e evite passivos” resumem esta lição. Na vida real, ele usa o exemplo de carros caros, que representam o consumo que satisfaz o ego, mas não constrói riqueza. Essa distinção é central para entender o que realmente significa ser financeiramente livre. Esse raciocínio, que parece até obvio, é algo que muita gente não pensa no dia-a-dia e é justamente isso que o autor pretende mudar.

Lição 3: cuide dos seus negócios

A terceira lição alerta para a importância de cuidar dos próprios negócios. Segundo Kiyosaki, depender apenas do salário é entregar o controlo financeiro ao empregador. Trabalhar é importante, mas o salário não deve ser o fim, e sim o meio para investir. Ou seja, ele fala sobre a necessidade de ter um “plano B” de investimentos, pois depender do emprego é entregar o controlo do destino financeiro ao empregador.

Ele conta que viu muitos familiares e amigos vivendo em constante insegurança financeira, mesmo com bons empregos, pois confiavam apenas no rendimento mensal. O pai rico, em contraste, dizia: “Não trabalhe para os outros, trabalhe para si mesmo.”

Essa lição leva-o a pensar em empreendimentos e investimentos enquanto ainda trabalhava na Xerox, aplicando na prática o conceito de diversificação de rendimentos.

Lição 4: a história dos impostos e o poder da sociedade anónima

Nesta quarta lição, Kiyosaki aprofunda o poder do conhecimento jurídico e fiscal, e através de exemplos demostra que o sistema fiscal favorece quem conhece as regras do jogo, e explica a forma como os ricos usam o sistema a seu favor através do conhecimento fiscal e jurídico.

As empresas e sociedades, segundo ele, podem pagar as suas despesas e investir antes de pagar impostos, enquanto os trabalhadores pagam primeiro e vivem com o que sobra. Esse conhecimento jurídico e contábil é o que permite aos ricos protegerem-se e multiplicarem os seus patrimónios. O pai rico alerta: “O verdadeiro tirano não é o patrão, é o fisco.” A mensagem é clara: entender como o dinheiro circula e como as leis funcionam é o primeiro passo para obter poder económico.

Lição 5: os ricos inventam dinheiro

A quinta lição centra-se na capacidade de inventar dinheiro. O pai rico ensina que as oportunidades não aparecem por acaso, mas sim para quem está formado para as ver e agir. Um exemplo do livro é a criação de oportunidades com revenda de banda desenhada ou a compra de propriedades em recuperação em tempos de crise. A coragem de arriscar, aprender e transformar conhecimento em resultado prático é o que diferencia os que prosperam dos que ficam à margem.

Lição 6: Trabalhe para aprender, não para ganhar dinheiro

Por fim, a sexta lição fala sobre o valor de trabalhar para aprender e não apenas para ganhar dinheiro. Kiyosaki ressalta que não se deve prender a uma única função ou carreira, recomenda, inclusive, aceitar empregos estratégicos para desenvolver habilidades fundamentais como vendas, liderança, comunicação e negociação.

O autor exemplifica o quanto cresceu profissionalmente ao trabalhar com vendas apenas para aprender esta habilidade, e que dominar múltiplas competências amplia as oportunidades e facilita inovar e adaptar-se às mudanças do mundo laboral.

Ele mostra que o dinheiro é consequência da aprendizagem contínua, e não o objetivo final. Como exemplo, compara o sucesso das grandes empresas à sua capacidade de vender um propósito e não apenas um produto. Para ele, “O McDonald´s não é o melhor em hambúrgueres, é o melhor em negócios”, reforçando assim que o verdadeiro valor está em compreender sistemas, pessoas e estratégias, mais do que dominar uma única função.

Reflexões finais e impacto

            Nos capítulos finais, o autor reflete sobre os obstáculos internos ao sucesso – o medo, o cinismo e a preguiça - e garante que o verdadeiro ativo é a mente. O pai rico ensinou-lhe que “educação financeira começa com o controlo das emoções.” Ele aprendeu, com os dois pais, que não basta ganhar bem, é preciso pensar bem. Com essas lições, construiu um novo modelo de pensamento e percebeu que riqueza é uma questão de mentalidade e disciplina, não de sorte.

Pai Rico, Pai Pobre termina com uma mensagem transformadora: ninguém nasce rico ou destinado a ser pobre, tudo depende da maneira como se lida com o dinheiro, as oportunidades e o medo de agir. O legado do pai rico é a coragem de pensar diferente- de procurar liberdade, aprender constantemente e fazer com que cada decisão financeira seja um passo em direção à autonomia.

Associação com a disciplina e o modelo de Kotter

            O impacto de Pai Rico, Pai Pobre na educação financeira global é inegável, publicado pela primeira vez em 1997, o livro de Robert Kiyosaki trouxe para o debate público temas antes restritos a economistas e empresários, como independência financeira, investimentos em ativos e literacia financeira.

O autor conseguiu transformar conceitos complexos de finanças pessoais em ensinamentos acessíveis e práticos, ajudando milhões de pessoas a perceber que o verdadeiro poder não está apenas em ganhar dinheiro, mas em saber como administrá-lo e fazê-lo trabalhar a seu favor.

            Kiyosaki questiona a eficácia do sistema educativo tradicional, que ensina a trabalhar por dinheiro, mas raramente explica como o dinheiro realmente funciona. Essa crítica tem um efeito transformador na mentalidade do leitor, incentivando-o a assumir a responsabilidade pela própria situação financeira. Como explica o autor, “a educação financeira é mais importante do que o dinheiro”, pois o conhecimento permite reconstruir a riqueza após perdas. Esse pensamento inspirou o surgimento de movimentos e programas de literacia financeira em escolas e empresas, aproximando o tema à realidade do dia a dia.

            O livro democratizou o acesso ao pensamento económico e promove uma viragem conceptual. Antes, falar de investimento era visto como algo reservado a elites, após o livro, tornou-se um objetivo alcançável para qualquer pessoa disposta a aprender. Essa transformação ficou visível na adoção de conceitos como “ativos e passivos” no vocabulário comum – uma ideia, segundo a qual ativos são bens que colocam dinheiro no bolso e passivo são aqueles que o retiram. Aplicações financeiras, pequenos negócios, ou até o investimento em educação passaram a ser vistos como ativos de longo prazo.

            Além do impacto pessoal, o livro provocou mudanças estruturais na forma como a educação financeira é encarada nas organizações. Ao inspirar líderes e formadores, a obra de Kiyosaki reforçou a importância de desenvolver colaboradores financeiramente conscientes, capazes de tomar decisões equilibradas e de gerir recursos de forma estratégica.

Essa abordagem converge com os conceitos em UC Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional, em particularidade o modelo de mudanças de John Kotter. As oito etapas propostas por Kotter encontram eco no processo de transformação apresentado por Kiyosaki.

            Por exemplo, a mudança de mentalidade financeira exige, como Kotter propõe, começar por um senso de urgência: reconhecer que o modelo tradicional, trabalhar exclusivamente por salário, já não responde aos desafios atuais. A elaboração de uma visão- para Kotter, passar a ver ativos, investimentos e aprendizagem como chaves do sucesso- é articulada por Kiyosaki em cada uma das suas lições.

O empoderamento surge, no livro, através da escolha de caminhos alternativos, da procura por conhecimento autodirigido e do incentivo à ação concreta: investir, errar e aprender.

O conceito de “vitórias rápidas”, muito utilizado em processos de mudança, pode ser associado as pequenos sucessos que o autor sugere celebrar, desde controlar despesas até iniciar investimentos modestos. Kiyosaki reforça que a consolidação da mudança depende de disciplina e aprendizagem continuada, e que a verdadeira mudança acontece quando novas práticas se tornam culturais, tanto nas finanças pessoais quanto nas organizações.

Reflexão Pessoal

Ao ler "Pai Rico, Pai Pobre", senti que o livro cumpre um papel valioso ao abrir portas para uma nova mentalidade sobre dinheiro, que poucas pessoas têm a oportunidade de conhecer tão cedo. A maneira simples e direta de apresentar conceitos financeiros complexos torna a leitura acessível e inspiradora, especialmente para quem está começando a lidar com finanças pessoais e busca mais autonomia.

No entanto, é importante encarar o livro com senso crítico e entender que não há soluções rápidas ou garantias no caminho do sucesso financeiro. A simplificação de temas essenciais pode deixar de fora aspetos importantes, e o impacto das dificuldades reais no empreendedorismo e investimento não deve ser subestimado. Também acredito que a educação formal tem papel importante – quem sabe integrar o que Kiyosaki propõe com uma base sólida de formação pode ter um caminho mais equilibrado e sustentável.

Associar as ideias do livro com o modelo de Kotter também me parece uma maneira eficaz de compreender que mudar de mentalidade é um processo que exige esforço, persistência e apoio, seja para crescer financeiramente ou para implementar mudanças nas organizações. O livro funciona como um convite para essa jornada, tanto pessoal quanto profissional.

No fim, "Pai Rico, Pai Pobre" é uma leitura que recomendo para quem deseja repensar a sua relação com o dinheiro, sair da zona de conforto e se preparar para lidar melhor com as oportunidades e desafios económicos de forma consciente e estratégica.



Maria do Carmo Pato
Sou natural de Pias, no Alentejo, e a viver no Algarve há cerca de 14 anos. Atualmente sou estudante do 3º ano da licenciatura de Gestão de Recursos Humanos no Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (ISMAT).

Procuro conciliar os meus estudos com as responsabilidades familiares, dedicando especial atenção ao cuidados dos meus netos ainda pequenos.

A escolha deste livro despertou-me inicialmente a curiosidade pelo título, assim como pelo tema que aborda, o qual considerei pertinente explorar no meu percurso académico e pessoal.


 Referências Bibliográficas

Kiyosaki, R. T. (2012). Padre Rico, Padre Pobre (Ed. 25 aniv). Aguilar.

Kiyosaki, R. T., Lechter, S. L., & Davidson, R. M. (2002). The Cashflow Quadrant (p. 251). Recorded Books.

biography/https://vprashannth.wordpress.com/2010/05/12/robert-kiyosaki-biography/

https://giovanidacruz.com.br/wp-content/uploads/2023/07/corrida-de-ratos-min-jpg.webp

Caro/a Leitor, para Citar esta Book Review, use esta referência final: Pato, C. (2025).O caminho para a liberdade financeira”. -Uma Book Review ao livro “Pai Rico, Pai Pobre”. Book Review Orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de ‘Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional’. ISMAT-Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes.

Disponível em: https://desenvolvimento-organizacional.blogspot.com/

12 Regras para a vida_Book review_Iara Duarte

                             
Book Review 
“12 Regras para a vida- um antídoto para o caos” - Jordan B. Peterson

Introdução e enquadramento do autor
Introdução e enquadramento do autor Jordan B. Peterson é um psicólogo clínico e professor de psicologia canadiano, conhecido pelas suas reflexões sobre responsabilidade, sentido e comportamento humano. Ao longo da sua carreira académica na Universidade de Toronto e através do seu canal no YouTube, Peterson tornou-se uma das vozes mais influentes do pensamento contemporâneo sobre identidade, moralidade e desenvolvimento pessoal. O livro “12 Regras para a Vida: Um Antídoto para o Caos” nasceu da sua experiência clínica e da observação de como a ausência de propósito e estrutura afeta negativamente o bem-estar humano. A obra é, portanto, uma proposta de equilíbrio entre a ordem e o caos — dois polos fundamentais na vida de cada indivíduo.
Resumo da Obra

O livro 12 Regras para a Vida de Jordan B. Peterson apresenta um conjunto de princípios de vida destinados a ajudar o leitor a enfrentar o caos da existência com responsabilidade, coragem e sentido. Inspirando-se na psicologia, na filosofia e na sabedoria tradicional, Peterson oferece orientações práticas e profundas para viver de forma mais equilibrada.
A seguir, apresento as 12 regras e o seu significado essencial: 

 → Regra 1 — Levante a cabeça e endireite as costas 
Peterson usa o exemplo das lagostas para ilustrar a importância da postura — tanto física como psicológica. A forma como nos apresentamos ao mundo reflete o nosso nível de autoconfiança e influencia como somos tratados pelos outros. 
Mensagem: “enfrenta a vida com coragem e assume a tua posição no mundo.” 

 → Regra 2 — Cuide de si como cuida daqueles que dependem de si 
Muitas pessoas cuidam melhor dos outros do que de si próprias. Peterson defende que devemos aplicar o mesmo cuidado, compaixão e disciplina connosco que aplicaríamos com alguém que amamos.
Mensagem: “a responsabilidade começa no autocuidado e na autocompaixão.” 

 → Regra 3 — Faça amizades com pessoas que querem o melhor para si 
As nossas relações moldam quem somos. Cercar-nos de pessoas positivas e honestas promove o crescimento pessoal e evita padrões destrutivos. 
Mensagem: “escolhe conscientemente as tuas companhias; o ambiente humano influencia o teu destino.” 

 → Regra 4 — Compare-se com aquilo que era ontem e não com o que os outros são hoje 
A comparação constante com os outros gera frustração e inveja. Peterson incentiva-nos a medir o nosso progresso com base em nós próprios, de forma gradual e realista. 
Mensagem: “o verdadeiro crescimento é pessoal e contínuo.” 

 → Regra 5 — Não deixe os seus filhos fazerem coisas que o levem a não gostar deles 
Peterson fala da importância dos limites e da disciplina na educação. Proteger uma criança do desconforto imediato não é ajudá-la a crescer. Ensinar responsabilidade e respeito é um ato de amor.
Mensagem: “educar é preparar para a vida, não para a comodidade.”

   Regra 6 — Ponha a sua casa em ordem antes de criticar o mundo
Antes de tentar mudar a sociedade ou culpar os outros, devemos olhar para a nossa própria vida. A mudança começa no interior: corrigir o que está ao nosso alcance é o primeiro passo para a transformação externa.
Mensagem: “assume responsabilidade pela tua vida antes de julgares o mundo.”
   Regra 7 — Procure alcançar aquilo que tem sentido (e não o que lhe dá jeito)
Peterson distingue o que é “útil a curto prazo” do que tem sentido profundo. A procura pelo prazer imediato leva ao vazio; o compromisso com o que é significativo dá propósito à existência.
Mensagem: “escolhe o sentido em vez da conveniência.”
   Regra 8 — Diga a verdade ou, pelo menos, não minta
A mentira destrói a confiança e a integridade. Viver de forma honesta é difícil, mas essencial para manter a coerência entre o que se pensa, sente e faz.
Mensagem: “a verdade liberta; a mentira corrói a alma.”
   Regra 9 — Parta do princípio de que a pessoa que está a falar consigo talvez saiba alguma coisa que você não sabe
Esta regra reforça a importância da humildade e da escuta ativa. Ouvir com atenção é uma forma de aprendizagem e respeito.
Mensagem: “comunica para compreender, não apenas para responder.”
   Regra 10 — Seja rigoroso no seu discurso
A clareza na linguagem reflete clareza no pensamento. Peterson defende que a comunicação precisa é fundamental para resolver conflitos e compreender a realidade.
Mensagem: “define o que queres e expressa-o com precisão.”
   Regra 11 — Não incomode as crianças que estão a andar de skate
Uma metáfora poderosa sobre a importância do risco e da autonomia. Proteger excessivamente os jovens impede-os de desenvolver coragem e resiliência.
Mensagem: “o crescimento exige liberdade para errar e aprender.”
   Regra 12 — Se vir um gato na rua, faça-lhe uma festa
A última regra é uma lição sobre aceitação e serenidade. Quando a dor e o sofrimento são inevitáveis, devemos procurar momentos de beleza e gratidão nas pequenas coisas da vida.
Mensagem: “aprecia o presente mesmo nas adversidades.”

As doze regras de Peterson formam um guia para viver com propósito, responsabilidade e equilíbrio.
Mais do que um conjunto de conselhos morais, representam uma filosofia de vida baseada na coragem de enfrentar o caos — o caos exterior do mundo moderno e o caos interior da mente humana.
O autor desafia o leitor a ser honesto, disciplinado e consciente de que cada escolha pessoal contribui para a ordem coletiva. Assim, o livro transforma-se num manual de autoliderança, com implicações profundas no desenvolvimento pessoal e profissional.

Análise Crítica

A leitura de “12 Regras para a Vida” é simultaneamente desafiadora e inspiradora. Peterson convida o leitor a assumir uma postura ativa na construção da própria vida, contrariando a tendência contemporânea para a vitimização ou para o relativismo moral.
O seu discurso é marcado por uma visão humanista e exigente: para viver de forma significativa, é preciso enfrentar o caos e assumir a responsabilidade pelas próprias ações.

No entanto, o livro não é isento de controvérsias. Algumas críticas apontam que o tom paternalista e o conservadorismo moral de Peterson podem afastar leitores que procuram uma abordagem mais progressista. Ainda assim, o seu contributo para o debate sobre sentido e ordem na vida moderna é inegável.

A força da obra reside na sua capacidade de integrar psicologia, filosofia e espiritualidade, propondo um modelo de desenvolvimento humano baseado em disciplina e coragem moral

Reflexão integrativa com a UC MIDO
Este parágrafo corresponde à reflexão integrativa obrigatória com a unidade curricular Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional (MIDO).
Em MIDO, estudamos como o desenvolvimento pessoal e organizacional está interligado: a mudança eficaz numa organização começa pela transformação dos indivíduos. As ideias de Peterson alinham-se com essa perspetiva, ao sublinhar que a autorresponsabilidade e o propósito pessoal são pré-condições para qualquer forma de liderança ética e sustentável.
Por exemplo, a “Regra 6 — Deixa a tua casa em perfeita ordem antes de criticares o mundo” — é uma metáfora clara para os processos de mudança organizacional: antes de alterar sistemas complexos, o gestor deve promover clareza, coerência e autoconhecimento. Assim, o livro reforça o papel do líder como facilitador da mudança interna e externa, um tema central em MIDO.

Reflexão pessoal como leitora/reviewer
Escolhi este livro porque representa um desafio intelectual e emocional. A leitura obrigou-me a confrontar hábitos e padrões de pensamento que limitam o crescimento pessoal. Em várias passagens, senti que Peterson me estava a falar diretamente, especialmente quando aborda a importância de dizer a verdade e assumir responsabilidade pelas próprias escolhas.
Como futura gestora de recursos humanos, identifiquei-me com a ideia de que a liderança começa dentro de nós. A aplicação das “regras” à prática profissional é evidente: escutar com empatia, comunicar com clareza e agir com integridade são pilares da gestão de pessoas.
A leitura fez-me refletir sobre o papel da ordem no equilíbrio emocional e profissional. Num mundo em que a velocidade e a incerteza dominam, as ideias de Peterson funcionam como um antídoto contra o caos interior. Terminei o livro com uma sensação de renovação — mais consciente das minhas responsabilidades e da importância de construir uma narrativa de vida coerente e significativa.

Conclusão

“12 Regras para a Vida” é mais do que um manual de autoajuda: é uma obra filosófica sobre a condição humana. Através de linguagem acessível e exemplos concretos, Peterson oferece um guia de transformação pessoal que se nota nas esferas da vida profissional, familiar e social.

Para estudantes e profissionais de gestão, o livro é uma leitura essencial. Ensina que a intervenção organizacional eficaz nasce da mudança interior e da coragem de enfrentar o caos com propósito.

 

                                                                                                                              
 

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Book Review - "A Geração Ansiosa" - Ariana Timus

 A Era da Ansiedade Digital

 Sobre o Autor 

Jonathan David Haidt, autor do livro “A Geração Ansiosa”, é um psicólogo e professor universitário, que orienta as suas pesquisas para as bases da moralidade em diversas culturas. Nascido a 19 de outubro de 1963, em Nova Iorque, onde também foi criado, estudou psicologia cultural, sendo que anos mais tarde tornou-se ativo no campo da psicologia positiva. Entre os muitos feitos do mesmo, destacamos o facto de ter lecionado em diferentes universidades prestigiadas nos EUA, e que em 2015 foi cofundador da Heterodox Academy, organização sem fins lucrativos que trabalha para aumentar a diversidade de pontos de vista, o entendimento mútuo e o desacordo produtivo. O mesmo foi ainda citado pela revista "Foreign Policy" como um dos maiores pensadores globais. Para os mais curiosos basta clicarem no link que estará na bibliografia para visitarem o site do mesmo, onde podem encontrar as suas restantes obras, podcasts, biografia mais extensa e muito mais. 


 Resumo do Livro 

No livro “A Geração Ansiosa”, o psicólogo Jonathan investiga o aumento alarmante dos problemas relacionados à saúde mental como a ansiedade, depressão e outros, entre jovens e adolescentes, fenómeno este que se intensificou a partir de 2010. Para o autor, esta crise não é resultado apenas das mudanças sociais ou económicas, mas sim de uma transformação mais profunda na forma como as crianças vivem a sua infância. Segundo o mesmo, a “infância baseada no brincar”, marcada por interações presenciais, exploração e autonomia, foi substituída por uma “infância baseada no telemóvel”, dominada por ecrãs, redes socias e vigilância constante. Estas duas expressões, apresentadas pelo autor no início do livro, são usadas durante toda a sua extensão, como um tipo de marcador, ou seja, antes do fenómeno descrito no princípio as crianças tinham uma “infância baseada no brincar” e depois disso, nos tempos atuais as crianças têm uma “infância baseada no telemóvel”. Haidt mostra, com dados e estudos, como esta transição afetou, e continua a afetar, o desenvolvimento emocional e cognitivo dos jovens. Algumas consequências exploradas no livro do uso excessivo dos dispositivos digitais são a privação do sono, redução da atenção, aumento da comparação social e a solidão. Dando particular atenção às redes sociais, o autor explica que estas têm um impacto desigual entre os géneros. Enquanto as meninas tendem a sofrer mais com questões de autoimagem, confiança e ansiedade social, os meninos estão mais propensos ao isolamento e refúgio nos jogos e conteúdos online, como a pornografia. De seguida, o autor critica ainda o excesso de proteção e supervisão que as crianças têm, o que reduz as oportunidades de os mesmos brincarem de forma livre e de enfrentarem desafios reais, ações que fortalecem a autoconfiança e a resiliência infantil. Ele propõe um “plano de reconstrução” da infância, com políticas claras para as famílias, escolas e governo. Estas resumem-se em limitar o uso de telemóveis até uma certa ideia, adiar o acesso às redes socias, promover espaços de convivência presencial (parques infantis) e incentivar uma educação voltada à autonomia e ao bem-estar psicológico. Concluindo, embora parte do livro seja em tom de crítica, com tom alarmista, Haidt apresenta o problema de forma fundamentada e estudada, e com provas dos efeitos do mesmo na formação das novas gerações. “A Geração Ansiosa”, é acima de tudo, um convite para refletirmos sobre o que estamos a sacrificar em nome do proveito tecnológico, e um pedido de uma infância mais livre, humana e saudável. Para aqueles interessados, podem aceder ao site correspondente ao livro onde podem aprender mais sobre o tema e a visão de Haidt, sem terem de ler necessariamente o livro. O link estará na bibliografia. 


 Opinião 

Eu gostei muito do livro, apesar de ter muitos factos, estatísticas e gráficos, é uma leitura compreensível e simples. A obra está bem divida, com uma boa introdução e breve explicação do que vai ser abordado nas primeiras páginas. Apesar dos capítulos serem grandes, estão subdivididos, o que torna a leitura menos exaustiva, e no final de cada capítulo existe um momento de resumo do mesmo por tópicos. A escrita do autor é de fácil compreensão, e apesar de discutir alguns tópicos mais complexos, a forma como são introduzidos e explicados, garantem a sua compreensão.


Interligação com a Unidade Curricular 

 Mudança e adaptação 

Tanto na unidade curricular de Métodos de Intervenção de Desenvolvimento Organizacional, como no livro apresentado, aprendemos que a mudança é inevitável, e para ultrapassarmos a mesma com sucesso, tem de existir um suporte emocional e estrutural. 

Da mesma forma que o autor defende uma “reprogramação” social, para que as crianças possam voltar a ter uma infância produtiva, na unidade curricular aprendemos que quando passamos por uma mudança tem de haver uma “reprogramação” das pessoas para que se posam adaptar profissionalmente e à organização

 Ansiedade e Gestão Emocional

Haidt explica que as consequências da privação de experiências reais e dependência digital, são a ansiedade, depressão e privação de sono como foi referido no livro. 

Já nos módulos de MIDO, são abordados temas como a gestão do stress, luto e transição, nos processos de mudança organizacional, processos estes que são paralelos à forma como os indivíduos enfrentam mudanças repentinas na vida pessoal ou profissional. 

 Relação tecnologia-humanização

Haidt alerta para a alienação criada pela vida digital.

As empresas, passando por processos de digitalização, ensinam estratégias para usufruir das ferramentas digitais sem perder a dimensão humana, ou seja, tentam que haja um equilíbrio essencial que coincide com o apelo de Haidt a uma vida mais “humana”. 


 Experiência como Reviewer 

Escolhi este livro para a review pois era um livro que já conhecia e via muitos comentários positivos sobre o mesmo nas redes sociais. Achei uma leitura fácil, como já comentei, apesar de não saber muito o que esperar quando o comecei a ler. Durante muitas partes senti que me identificava com o que era descrito no livro, especialmente por ser da geração Z, e muitas das consequências que o autor mencionou, foram coisas que eu própria já experienciei ou que já ouvi por parte de amigos/conhecidos. O livro fez-me perceber que este problema geracional, está incutido quase de forma irreversível, nas crianças, e que as consequências do mesmo podem se estender para o resto da nossa vida. Como futura gestora, o livro fez-me compreender melhor os impactos que a ansiedade e a cultura digital, podem ter no comportamento e na motivação dos colaboradores. Importante mencionar que grande parte dos 4 colaboradores das organizações nos próximos anos, vão ser da geração Z, tornando assim ainda mais relevante a obra “A Geração Ansiosa”. 


Sobre mim 

Eu sou a Ariana, tenho 20 anos e estou no último ano da licenciatura de Gestão de Recursos Humanos, do ISMAT. Sou filha de imigrantes, e por isso tenho dupla nacionalidade. Gosto imenso de ouvir música e ir ao ginásio, bem como passar tempo de qualidade com a minha família e amigos. Caso queira entrar em contacto comigo, disponibilizo o meu e-mail, arianatimus15@gmail.com, ou pode aceder ao meu Linkedin, através do seguinte link: Ariana Timus | LinkedIn








Caro/a Leitor, para Citar esta book Review, use esta referência final: Timus, A. (26 de novembro de 2025). A Era da Ansiedade Digital. Book Review Orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de ‘Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional’. ISMAT-Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. Disponível em: https://desenvolvimento-organizacional.blogspot.com/


 Bibliografia

Haidt, J. (2024). The Anxious Generation: how the great rewiring of childhood is causing an epidemic of mental illness. Penguin Press.

Social psychologist - Author - Professor | Jonathan Haidt 

The Anxious Generation — from a book to a movement

Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes: Book review por Leonor Martins

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