quinta-feira, 27 de novembro de 2025

12 Regras para a vida_Book review_Iara Duarte

                             
Book Review 
“12 Regras para a vida- um antídoto para o caos” - Jordan B. Peterson

Introdução e enquadramento do autor
Introdução e enquadramento do autor Jordan B. Peterson é um psicólogo clínico e professor de psicologia canadiano, conhecido pelas suas reflexões sobre responsabilidade, sentido e comportamento humano. Ao longo da sua carreira académica na Universidade de Toronto e através do seu canal no YouTube, Peterson tornou-se uma das vozes mais influentes do pensamento contemporâneo sobre identidade, moralidade e desenvolvimento pessoal. O livro “12 Regras para a Vida: Um Antídoto para o Caos” nasceu da sua experiência clínica e da observação de como a ausência de propósito e estrutura afeta negativamente o bem-estar humano. A obra é, portanto, uma proposta de equilíbrio entre a ordem e o caos — dois polos fundamentais na vida de cada indivíduo.
Resumo da Obra

O livro 12 Regras para a Vida de Jordan B. Peterson apresenta um conjunto de princípios de vida destinados a ajudar o leitor a enfrentar o caos da existência com responsabilidade, coragem e sentido. Inspirando-se na psicologia, na filosofia e na sabedoria tradicional, Peterson oferece orientações práticas e profundas para viver de forma mais equilibrada.
A seguir, apresento as 12 regras e o seu significado essencial: 

 → Regra 1 — Levante a cabeça e endireite as costas 
Peterson usa o exemplo das lagostas para ilustrar a importância da postura — tanto física como psicológica. A forma como nos apresentamos ao mundo reflete o nosso nível de autoconfiança e influencia como somos tratados pelos outros. 
Mensagem: “enfrenta a vida com coragem e assume a tua posição no mundo.” 

 → Regra 2 — Cuide de si como cuida daqueles que dependem de si 
Muitas pessoas cuidam melhor dos outros do que de si próprias. Peterson defende que devemos aplicar o mesmo cuidado, compaixão e disciplina connosco que aplicaríamos com alguém que amamos.
Mensagem: “a responsabilidade começa no autocuidado e na autocompaixão.” 

 → Regra 3 — Faça amizades com pessoas que querem o melhor para si 
As nossas relações moldam quem somos. Cercar-nos de pessoas positivas e honestas promove o crescimento pessoal e evita padrões destrutivos. 
Mensagem: “escolhe conscientemente as tuas companhias; o ambiente humano influencia o teu destino.” 

 → Regra 4 — Compare-se com aquilo que era ontem e não com o que os outros são hoje 
A comparação constante com os outros gera frustração e inveja. Peterson incentiva-nos a medir o nosso progresso com base em nós próprios, de forma gradual e realista. 
Mensagem: “o verdadeiro crescimento é pessoal e contínuo.” 

 → Regra 5 — Não deixe os seus filhos fazerem coisas que o levem a não gostar deles 
Peterson fala da importância dos limites e da disciplina na educação. Proteger uma criança do desconforto imediato não é ajudá-la a crescer. Ensinar responsabilidade e respeito é um ato de amor.
Mensagem: “educar é preparar para a vida, não para a comodidade.”

   Regra 6 — Ponha a sua casa em ordem antes de criticar o mundo
Antes de tentar mudar a sociedade ou culpar os outros, devemos olhar para a nossa própria vida. A mudança começa no interior: corrigir o que está ao nosso alcance é o primeiro passo para a transformação externa.
Mensagem: “assume responsabilidade pela tua vida antes de julgares o mundo.”
   Regra 7 — Procure alcançar aquilo que tem sentido (e não o que lhe dá jeito)
Peterson distingue o que é “útil a curto prazo” do que tem sentido profundo. A procura pelo prazer imediato leva ao vazio; o compromisso com o que é significativo dá propósito à existência.
Mensagem: “escolhe o sentido em vez da conveniência.”
   Regra 8 — Diga a verdade ou, pelo menos, não minta
A mentira destrói a confiança e a integridade. Viver de forma honesta é difícil, mas essencial para manter a coerência entre o que se pensa, sente e faz.
Mensagem: “a verdade liberta; a mentira corrói a alma.”
   Regra 9 — Parta do princípio de que a pessoa que está a falar consigo talvez saiba alguma coisa que você não sabe
Esta regra reforça a importância da humildade e da escuta ativa. Ouvir com atenção é uma forma de aprendizagem e respeito.
Mensagem: “comunica para compreender, não apenas para responder.”
   Regra 10 — Seja rigoroso no seu discurso
A clareza na linguagem reflete clareza no pensamento. Peterson defende que a comunicação precisa é fundamental para resolver conflitos e compreender a realidade.
Mensagem: “define o que queres e expressa-o com precisão.”
   Regra 11 — Não incomode as crianças que estão a andar de skate
Uma metáfora poderosa sobre a importância do risco e da autonomia. Proteger excessivamente os jovens impede-os de desenvolver coragem e resiliência.
Mensagem: “o crescimento exige liberdade para errar e aprender.”
   Regra 12 — Se vir um gato na rua, faça-lhe uma festa
A última regra é uma lição sobre aceitação e serenidade. Quando a dor e o sofrimento são inevitáveis, devemos procurar momentos de beleza e gratidão nas pequenas coisas da vida.
Mensagem: “aprecia o presente mesmo nas adversidades.”

As doze regras de Peterson formam um guia para viver com propósito, responsabilidade e equilíbrio.
Mais do que um conjunto de conselhos morais, representam uma filosofia de vida baseada na coragem de enfrentar o caos — o caos exterior do mundo moderno e o caos interior da mente humana.
O autor desafia o leitor a ser honesto, disciplinado e consciente de que cada escolha pessoal contribui para a ordem coletiva. Assim, o livro transforma-se num manual de autoliderança, com implicações profundas no desenvolvimento pessoal e profissional.

Análise Crítica

A leitura de “12 Regras para a Vida” é simultaneamente desafiadora e inspiradora. Peterson convida o leitor a assumir uma postura ativa na construção da própria vida, contrariando a tendência contemporânea para a vitimização ou para o relativismo moral.
O seu discurso é marcado por uma visão humanista e exigente: para viver de forma significativa, é preciso enfrentar o caos e assumir a responsabilidade pelas próprias ações.

No entanto, o livro não é isento de controvérsias. Algumas críticas apontam que o tom paternalista e o conservadorismo moral de Peterson podem afastar leitores que procuram uma abordagem mais progressista. Ainda assim, o seu contributo para o debate sobre sentido e ordem na vida moderna é inegável.

A força da obra reside na sua capacidade de integrar psicologia, filosofia e espiritualidade, propondo um modelo de desenvolvimento humano baseado em disciplina e coragem moral

Reflexão integrativa com a UC MIDO
Este parágrafo corresponde à reflexão integrativa obrigatória com a unidade curricular Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional (MIDO).
Em MIDO, estudamos como o desenvolvimento pessoal e organizacional está interligado: a mudança eficaz numa organização começa pela transformação dos indivíduos. As ideias de Peterson alinham-se com essa perspetiva, ao sublinhar que a autorresponsabilidade e o propósito pessoal são pré-condições para qualquer forma de liderança ética e sustentável.
Por exemplo, a “Regra 6 — Deixa a tua casa em perfeita ordem antes de criticares o mundo” — é uma metáfora clara para os processos de mudança organizacional: antes de alterar sistemas complexos, o gestor deve promover clareza, coerência e autoconhecimento. Assim, o livro reforça o papel do líder como facilitador da mudança interna e externa, um tema central em MIDO.

Reflexão pessoal como leitora/reviewer
Escolhi este livro porque representa um desafio intelectual e emocional. A leitura obrigou-me a confrontar hábitos e padrões de pensamento que limitam o crescimento pessoal. Em várias passagens, senti que Peterson me estava a falar diretamente, especialmente quando aborda a importância de dizer a verdade e assumir responsabilidade pelas próprias escolhas.
Como futura gestora de recursos humanos, identifiquei-me com a ideia de que a liderança começa dentro de nós. A aplicação das “regras” à prática profissional é evidente: escutar com empatia, comunicar com clareza e agir com integridade são pilares da gestão de pessoas.
A leitura fez-me refletir sobre o papel da ordem no equilíbrio emocional e profissional. Num mundo em que a velocidade e a incerteza dominam, as ideias de Peterson funcionam como um antídoto contra o caos interior. Terminei o livro com uma sensação de renovação — mais consciente das minhas responsabilidades e da importância de construir uma narrativa de vida coerente e significativa.

Conclusão

“12 Regras para a Vida” é mais do que um manual de autoajuda: é uma obra filosófica sobre a condição humana. Através de linguagem acessível e exemplos concretos, Peterson oferece um guia de transformação pessoal que se nota nas esferas da vida profissional, familiar e social.

Para estudantes e profissionais de gestão, o livro é uma leitura essencial. Ensina que a intervenção organizacional eficaz nasce da mudança interior e da coragem de enfrentar o caos com propósito.

 

                                                                                                                              
 

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Book Review - "A Geração Ansiosa" - Ariana Timus

 A Era da Ansiedade Digital

 Sobre o Autor 

Jonathan David Haidt, autor do livro “A Geração Ansiosa”, é um psicólogo e professor universitário, que orienta as suas pesquisas para as bases da moralidade em diversas culturas. Nascido a 19 de outubro de 1963, em Nova Iorque, onde também foi criado, estudou psicologia cultural, sendo que anos mais tarde tornou-se ativo no campo da psicologia positiva. Entre os muitos feitos do mesmo, destacamos o facto de ter lecionado em diferentes universidades prestigiadas nos EUA, e que em 2015 foi cofundador da Heterodox Academy, organização sem fins lucrativos que trabalha para aumentar a diversidade de pontos de vista, o entendimento mútuo e o desacordo produtivo. O mesmo foi ainda citado pela revista "Foreign Policy" como um dos maiores pensadores globais. Para os mais curiosos basta clicarem no link que estará na bibliografia para visitarem o site do mesmo, onde podem encontrar as suas restantes obras, podcasts, biografia mais extensa e muito mais. 


 Resumo do Livro 

No livro “A Geração Ansiosa”, o psicólogo Jonathan investiga o aumento alarmante dos problemas relacionados à saúde mental como a ansiedade, depressão e outros, entre jovens e adolescentes, fenómeno este que se intensificou a partir de 2010. Para o autor, esta crise não é resultado apenas das mudanças sociais ou económicas, mas sim de uma transformação mais profunda na forma como as crianças vivem a sua infância. Segundo o mesmo, a “infância baseada no brincar”, marcada por interações presenciais, exploração e autonomia, foi substituída por uma “infância baseada no telemóvel”, dominada por ecrãs, redes socias e vigilância constante. Estas duas expressões, apresentadas pelo autor no início do livro, são usadas durante toda a sua extensão, como um tipo de marcador, ou seja, antes do fenómeno descrito no princípio as crianças tinham uma “infância baseada no brincar” e depois disso, nos tempos atuais as crianças têm uma “infância baseada no telemóvel”. Haidt mostra, com dados e estudos, como esta transição afetou, e continua a afetar, o desenvolvimento emocional e cognitivo dos jovens. Algumas consequências exploradas no livro do uso excessivo dos dispositivos digitais são a privação do sono, redução da atenção, aumento da comparação social e a solidão. Dando particular atenção às redes sociais, o autor explica que estas têm um impacto desigual entre os géneros. Enquanto as meninas tendem a sofrer mais com questões de autoimagem, confiança e ansiedade social, os meninos estão mais propensos ao isolamento e refúgio nos jogos e conteúdos online, como a pornografia. De seguida, o autor critica ainda o excesso de proteção e supervisão que as crianças têm, o que reduz as oportunidades de os mesmos brincarem de forma livre e de enfrentarem desafios reais, ações que fortalecem a autoconfiança e a resiliência infantil. Ele propõe um “plano de reconstrução” da infância, com políticas claras para as famílias, escolas e governo. Estas resumem-se em limitar o uso de telemóveis até uma certa ideia, adiar o acesso às redes socias, promover espaços de convivência presencial (parques infantis) e incentivar uma educação voltada à autonomia e ao bem-estar psicológico. Concluindo, embora parte do livro seja em tom de crítica, com tom alarmista, Haidt apresenta o problema de forma fundamentada e estudada, e com provas dos efeitos do mesmo na formação das novas gerações. “A Geração Ansiosa”, é acima de tudo, um convite para refletirmos sobre o que estamos a sacrificar em nome do proveito tecnológico, e um pedido de uma infância mais livre, humana e saudável. Para aqueles interessados, podem aceder ao site correspondente ao livro onde podem aprender mais sobre o tema e a visão de Haidt, sem terem de ler necessariamente o livro. O link estará na bibliografia. 


 Opinião 

Eu gostei muito do livro, apesar de ter muitos factos, estatísticas e gráficos, é uma leitura compreensível e simples. A obra está bem divida, com uma boa introdução e breve explicação do que vai ser abordado nas primeiras páginas. Apesar dos capítulos serem grandes, estão subdivididos, o que torna a leitura menos exaustiva, e no final de cada capítulo existe um momento de resumo do mesmo por tópicos. A escrita do autor é de fácil compreensão, e apesar de discutir alguns tópicos mais complexos, a forma como são introduzidos e explicados, garantem a sua compreensão.


Interligação com a Unidade Curricular 

 Mudança e adaptação 

Tanto na unidade curricular de Métodos de Intervenção de Desenvolvimento Organizacional, como no livro apresentado, aprendemos que a mudança é inevitável, e para ultrapassarmos a mesma com sucesso, tem de existir um suporte emocional e estrutural. 

Da mesma forma que o autor defende uma “reprogramação” social, para que as crianças possam voltar a ter uma infância produtiva, na unidade curricular aprendemos que quando passamos por uma mudança tem de haver uma “reprogramação” das pessoas para que se posam adaptar profissionalmente e à organização

 Ansiedade e Gestão Emocional

Haidt explica que as consequências da privação de experiências reais e dependência digital, são a ansiedade, depressão e privação de sono como foi referido no livro. 

Já nos módulos de MIDO, são abordados temas como a gestão do stress, luto e transição, nos processos de mudança organizacional, processos estes que são paralelos à forma como os indivíduos enfrentam mudanças repentinas na vida pessoal ou profissional. 

 Relação tecnologia-humanização

Haidt alerta para a alienação criada pela vida digital.

As empresas, passando por processos de digitalização, ensinam estratégias para usufruir das ferramentas digitais sem perder a dimensão humana, ou seja, tentam que haja um equilíbrio essencial que coincide com o apelo de Haidt a uma vida mais “humana”. 


 Experiência como Reviewer 

Escolhi este livro para a review pois era um livro que já conhecia e via muitos comentários positivos sobre o mesmo nas redes sociais. Achei uma leitura fácil, como já comentei, apesar de não saber muito o que esperar quando o comecei a ler. Durante muitas partes senti que me identificava com o que era descrito no livro, especialmente por ser da geração Z, e muitas das consequências que o autor mencionou, foram coisas que eu própria já experienciei ou que já ouvi por parte de amigos/conhecidos. O livro fez-me perceber que este problema geracional, está incutido quase de forma irreversível, nas crianças, e que as consequências do mesmo podem se estender para o resto da nossa vida. Como futura gestora, o livro fez-me compreender melhor os impactos que a ansiedade e a cultura digital, podem ter no comportamento e na motivação dos colaboradores. Importante mencionar que grande parte dos 4 colaboradores das organizações nos próximos anos, vão ser da geração Z, tornando assim ainda mais relevante a obra “A Geração Ansiosa”. 


Sobre mim 

Eu sou a Ariana, tenho 20 anos e estou no último ano da licenciatura de Gestão de Recursos Humanos, do ISMAT. Sou filha de imigrantes, e por isso tenho dupla nacionalidade. Gosto imenso de ouvir música e ir ao ginásio, bem como passar tempo de qualidade com a minha família e amigos. Caso queira entrar em contacto comigo, disponibilizo o meu e-mail, arianatimus15@gmail.com, ou pode aceder ao meu Linkedin, através do seguinte link: Ariana Timus | LinkedIn








Caro/a Leitor, para Citar esta book Review, use esta referência final: Timus, A. (26 de novembro de 2025). A Era da Ansiedade Digital. Book Review Orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de ‘Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional’. ISMAT-Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. Disponível em: https://desenvolvimento-organizacional.blogspot.com/


 Bibliografia

Haidt, J. (2024). The Anxious Generation: how the great rewiring of childhood is causing an epidemic of mental illness. Penguin Press.

Social psychologist - Author - Professor | Jonathan Haidt 

The Anxious Generation — from a book to a movement

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Por Um Sentido na Vida - Book Review - Beatriz Freire

 


Para Além do Pódio -Book Review

A autora do Livro “Por um Sentido Na Vida” – Amy Purdy



Amy Purdy é uma atleta paralímpica de snowboard americana, oradora motivacional, autora, atriz e modelo. Após a amputação das duas pernas aos 19 anos devido à meningite bacteriana, tornou-se uma das atletas mais reconhecidas do mundo, conquistando medalhas (Bronze 2014, Prata 2018).  É autora best-seller do New York Times com o livro "Sobre os meus próprios pés" (On My Own Two Feet), que narra a sua trajetória. 
Apresentou palestras TED virais e é uma palestrante mundialmente procurada, partilhando a sua resiliência. Ela também é cofundadora da “Adaptive Action Sport”uma organização sem fins lucrativos que ajuda atletas com deficiência. 

 


O livro “Por um Sentido Na vida

Vida Antes da Transformação:

Amy Purdy apresenta a sua vida antes da doença. Compartilha a sua paixão pelo snowboard, e o seu espírito criativo e sonhador. O foco está na sua energia, juventude e planos para o futuro.

A crise: (Experiência de Amy aos 19 anos)

Acorda com o que pensa ser uma constipação, mas que se revela ser uma grave meningite bacteriana. 

A luta pela vida é intensa. Amy descreve o estado de coma induzido e a experiência de quase morte, onde é confrontada com a escolha de viver ou morrer, recebendo a mensagem de que tudo faria sentido no final.

Para salvar a sua vida, é tomada a decisão de amputar as duas pernas abaixo do joelho, além de enfrentar problemas nos rins (que mais tarde exigem um transplante de rim do seu pai).

Reabilitação e Aceitação:

Amy enfrenta o árduo processo de reabilitação e a adaptação às próteses. Partilha as frustrações, a dor e a necessidade de reaprender a andar. Em vez de aceitar o rótulo de “deficiente”, ela decide redefinir os seus limites e não deixar que a sua condição a defina.

O grande foco retorna ao snowboard. Amy narra os desafios de voltar ao desporto que amava com as próteses, sendo forçada a inovar e a criar soluções para os seus “novos pés”.

A Ascensão no Desporto e a Defesa

Amy dedica-se a ser uma atleta paralímpica de snowboard, enfrentando a burocracia e a falta de apoio para incluir o desporto nos Jogos Paralímpicos. Torna-se cofundadora da Adaptive Action Sports. Conta sobre a sua jornada de sucesso, onde conquista a medalha de bronze no snowboard adaptado nas Paraolimpíadas de 2014.

 

Propósito e Inspiração Contínua

Relata a sua experiência no reality show “Dancing with the Stars”, onde a sua dança com pernas protéticas cativa milhões e prova que a deficiência não é uma limitação para a graça e a performance. Amy reflete sobre a jornada espiritual que encontrou através de sua adversidade.

A mensagem final é a de viver a vida ao máximo, aproveitar as “segundas oportunidades”, transformar adversidades em oportunidades e nunca duvidar da capacidade humana de sonhar mais alto e reescrever a própria história.

 

Reflexão Integrativa 

A trajetória de vida de Amy Purdy, apresentada no livro Por um Sentido na Vida, exemplifica claramente os modelos de mudança organizacional de Kübler-Ross, Lewin e Kotter, pois traduz cada fase e princípio de transformação pessoal em experiências reais.

Modelo de Kübler-Ross (Curva da Mudança)

O modelo propõe cinco fases emocionais tais como:

  • Negação - Amy inicialmente não aceitou o impacto da perda das pernas.
  • Raiva - manifesta-se quando percebe as limitações impostas pela amputação e pela dependência de próteses, questionando o porquê.
  • Negociação - tenta equilibrar as novas condições físicas com o desejo de liberdade, especialmente através do desporto.
  • Depressão - ocorre durante os primeiros meses de reabilitação, quando enfrenta perdas emocionais e a dúvida sobre o futuro.
  • Aceitação - acontece quando encontra novo propósito ao voltar ao snowboard e tornar-se atleta paralímpica.

 

Modelo de Lewin (Descongelar–Mudar–Recongelar)

Este modelo mostra o processo da transformação em três estados sucessivos:


  • Descongelar - Amy vive o momento de perda, quando a sua vida anterior é desestabilizada pela doença e a perda das pernas.
  • Mudar - começa a aprender a caminhar com próteses, reconstrui a sua identidade e redescobre o que significa liberdade e movimento.
  • Recongelar - consolida-se ao transformar a sua nova realidade num estilo de vida, criando sentido na adversidade e fundando a organização Adaptive Action Sports.

 

Modelo de Kotter (Oito Etapas da Mudança)     

  • Estabelecer senso de urgência — a necessidade de sobreviver e recomeçar a vida.
  • Criar aliança administrativa — o apoio da família, equipa médica.
  • Desenvolver uma visão e estratégia — o sonho de praticar snowboard.
  • Comunicar a visão — ao partilhar as suas metas.
  • Remover obstáculos — ao enfrentar limitações.
  • Gerar vitórias de curto prazo — os primeiros passos e vitórias desportivas.
  • Consolidar ganhos e produzir mais mudanças.
  • Institucionalizar novas abordagens — tornar-se símbolo de resiliência e defensora da inclusão.


Opinião sobre o livro 

O livro "Por um Sentido na Vida" de Amy Purdy é uma autobiografia que relata a superação da autora após perder as duas pernas devido a uma meningite bacteriana grave aos 19 anos. 

Apesar das dificuldades físicas e emocionais, Amy constrói uma trajetória de resiliência, focando-se na mudança de atitudes e na procura por novos objetivos, como o snowboard paralímpico e a dança, onde se destacou na televisão. 

A obra destaca temas como a coragem, a força interior e a capacidade de transformar a adversidade em motivação. Um relato acessível e emocional que motiva o leitor a enfrentar desafios com determinação e positividade, mostrando que o verdadeiro limite está na mente. 

 


Experiência como reviewer

O livro "Por um Sentido na Vida" de Amy Purdy é profundamente tocante e inspirador. Na minha opinião, a força maior da obra está na autenticidade com que Amy partilha a sua jornada, não escondendo as dificuldades nem o sofrimento, mas também não se deixa dominar por eles. 

É uma história que vai além da superação física, explorando muito bem o impacto emocional e psicológico destas experiências. A forma como Amy transforma o desafio em motivação e crescimento pessoal é um lembrete para a resiliência. 

Para mim, este livro funciona como um testemunho de coragem, mas também como um convite para refletirmos sobre as nossas próprias limitações e sobre a importância de cultivarmos uma atitude positiva perante a vida. É um exemplo claro de que, mesmo nas situações mais difíceis, é possível encontrar sentido e reinventarmo-nos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Sobre a Autora desta Book Review

Endereço Eletrónico: beatrizgfreire11@gmail.com

O meu nome é Beatriz Freire, sou natural do concelho de Lagoa e tenho 21 anos.

Atualmente estou no 3 ano da Licenciatura em Gestão de Recursos Humanos pelo Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes, em Portimão.

O meu hobbie é passear e passar tempo de qualidade com a minha família e amigos.

 

Caro/a Leitor, para Citar esta Book Review, use esta referência final:

Freire, B. (2025). Para além do pódio. Book Review Orientada por phD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de “Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional”. ISMAT-Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. Disponível em: https://desenvolvimento-organizacional.blogspot.com/

 



https://www.ismat.pt/pt/


 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Referenciação Bibliográfica / Webgrafia

Purdy, A. (2015). Por um sentido na vida. (Alda Lima.) Rio de janeiro, Agir. (Trabalho original publicado em 2014). 

https://en.wikipedia.org/wiki/Amy_Purdy

Figura 3: https://grupogestaosolucoes.com/como-implementar-uma-cultura-de-inovacao-na-sua-empresa-copy-copy/

Figura 4: https://www.praxisframework.org/pt/library/lewin

Figura 5: https://www.linkedin.com/pulse/os-8-passos-de-kotter-para-gestão-da-mudança-ao-nível-luiz-augusto/

 

 

 

 

Para os mais curiosos (só clicar)

Instagram de Amy Purdy - https://www.instagram.com/amypurdygurl?utm_source=ig_web_button_share_sheet&igsh=MWVia2gxengzOTB4aA%3D%3D

Ted Talk de Amy Purdy - https://www.ted.com/talks/amy_purdy_living_beyond_limits

Performance de Amy Purdy no Dancing with the stars - https://www.youtube.com/watch?v=gtKD1hXZjQ4

Empresa de Amy Purdy - Adaptive Action Sports - https://www.adacs.org/




 

 

 

 

 

O Caminho Para a Liberdade Financeira- Book Review de "Pai Rico, Pai Pobre

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