O Monge que vendeu sua Ferrari – Book Review
Biografia do Autor
Robin Sharma é um escritor Canadense, nascido em 1964, licenciado em Direito e antigo advogado de litígio. Após o sucesso do seu primeiro livro, Megaleadership, Sharma tornou-se um dos mais reconhecidos especialistas mundiais no que envolve a liderança e o crescimento pessoal. É fundador da “Sharma Leadership International” e autor de best sellers como “The Leader Who Had No Title” e “The 5am Club”. A sua filosofia baseia-se na ideia de que todos podem exercer liderança e viver de forma significativa, independentemente da sua posição profissional.
Sumário do Livro
“O Monge que vendeu sua Ferrari”, escrito por Robin Sharma (2007), é um clássico contemporâneo do desenvolvimento pessoal que transcende a categoria de autoajuda e torna-se um guia filosófico sobre propósito, equilíbrio e auto-liderança. A obra faz uma narrativa da jornada de Julian Mantle, um advogado de sucesso, que após um colapso físico e espiritual, abandona a vida de luxo para procurar a verdadeira felicidade nos Himalaias (Sharma, 2007). Através desta obra o autor convida o leitor a refletir sobre aqueles que são os valores que regem a nossa vida, questionando o conceito moderno de sucesso. Esta book review tem como objetivo analisar criticamente a mensagem do livro, relacionando-a com os temas lecionados na UC de MIDO, nomeadamente no que toca ao desenvolvimento humano, à liderança transformacional e à aprendizagem organizacional.
O livro é estruturado em formato de fábula. Julian Mantle, que era um advogado de poderoso e milionário, sobre um enfarte durante um dos seus julgamentos, consequência de uma vida que é dominada pelo stress e pela ambição material. (Sharma, 2007). Ao recuperar desse incidente, toma a decisão de vender todos os seus bens, incluindo o Ferrari, e viajou para a Índia, onde conhece os “Sábios de Sivana”. Através dos ensinamentos destes monges, Julian descobre princípios universais para uma vida plena, tais como, autodisciplina, domínio da mente, cultivo da simplicidade e serviço aos outros. (Sharma, 2007).
Análise Crítica
Os ensinamentos são transmitidos através de uma parábola central, como a do “jardim” do “farol” e do “lutador de sumo”, que simbolicamente representam a mente e aquilo que são os objetivos de autossuperação. O livro apresenta sete virtudes para o despertar pessoal, entre elas destaca-se o domínio da mente, o propósito da vida, a prática da disciplina, o tempo como o bem mais precioso e a importância de viver com compaixão e gratidão (Sharma, 2007). A mensagem transmitida é simples, mas que traz consigo uma profundidade simbólica que convida e conduz o leitor à introspeção.
Fazendo uma análise crítica do livro, o autor combina espiritualidade oriental com pragmatismo ocidental, tornando assim o texto acessível e mais inspirador. A narrativa, embora alegórica, tem um forte poder transformador, pois convida o leitor a confrontar a superficialidade das metas profissionais e a redescobrir o significado da vida. O estilo da narrativa é fluído, com linguagem motivacional, mas que não perde a sua densidade filosófica.
Do ponto de vista literário, a escrita é por vezes redundante e previsível, e as personagens servem mais como veículos de ideias do que como figuras com profundidade psicológica. No entanto, a força desta obra não está na estrutura da narrativa, mas sim na mensagem de transformação interior que a mesma propõe. É uma leitura que dialoga com a crise existencial típica do mundo moderno e que oferece ferramentas práticas para reconquistar aquilo que é a serenidade e a autodeterminação (Mindvalley, 2024).
Em termos de relevância académica, esta obra, complementa as teorias de gestão do desenvolvimento organizacional com uma perspetiva mais humanista. A ideia de que o verdadeiro sucesso começa no autodomínio e na autoconsciência é central para a formação de líderes éticos e equilibrados, valores que são defendidos também nesta Unidade Curricular.
A transformação de Julian Mantle no livro ilustra de maneira explícita os princípios fundamentais da mudança planeada e do desenvolvimento organizacional estudados na UC. A trajetória do protagonista, refletindo dinâmicas segue o processo emocional típico que acompanha qualquer transformação profunda, refletindo as dinâmicas internas que explicam porque a mudança, mesmo necessária, é frequentemente acompanhada por resistência e desconforto. Ao reconhecer o desgaste do seu estilo de vida, Julian inicia um processo muito semelhante ao diagnóstico organizacional: identifica a disfunção, toma consciência das causas e define uma visão para o estado desejado. A sua mudança é igualmente sustentada por mecanismos de motivação intrínseca, como a procura de propósito, autonomia e maestria – elementos reconhecidos como essenciais para a sustentação de comportamento duradouros e alinhados com o bem-estar. Além disso, todo o seu percurso pode ser interpretado á luz dos modelos de gestão da mudança, nos quais se evidencia a importância de criar urgência, redefinir a visão, remover obstáculos e consolidar novos hábitos até que estes se tornem parte integrante da cultura pessoal. Assim o livro, funciona como uma metáfora prática da mudança eficaz, demonstrando que qualquer processo de renovação, seja ele individual ou organizacional, exige clareza de propósito, disciplina, aprendizagem contínua e uma profunda reconfiguração de valores e comportamentos.
Este livro apresenta um conjunto de valores e princípios atemporais, tais como a expressão “a mente como jardim que deve ser cuidado diariamente” (Sharma, 2007), que remete para a capacidade de autodomínio de um indivíduo. Outro dos princípios e valores é o propósito, incentivando a viver com metas alinhadas aos valores pessoais de cada pessoa. A disciplina que encoraja o leitor a agir com consistência e responsabilidade. A obra defende também que devemos sempre usar o tempo a nosso favor, ou seja, aproveitar cada minuto de forma consciente. E por fim outro dos valores que o livro evidencia é o serviço aos outros. Viver de modo altruísta, criando um impacto positivo (Mindvalley, 2024).
Esta visão sobre autodomínio e propósito está alinhada com as abordagens contemporâneas de liderança consciente. A aplicação prática deste conceito desenvolve, foco, clareza mental, e capacidade de decisão ética, qualidades essenciais num contexto organizacional em rápida mudança. (IMD, 2024) (https://www.imd.org/research-knowledge/leadership/case-studies/the-power-and-practice-of-mindful-leadership)
Estes valores são também pilares do desenvolvimento organizacional moderno, em que o capital humano é o motor da mudança. O autoconhecimento e a capacidade de inspirar os outros são competências críticas para os Gestores de Recursos Humanos.
Opinião Pessoal
Do meu ponto de vista, esta obra, não é apenas um livro sobre o sucesso, mas é também um convite àquilo que é a reconciliação com o essencial (Sharma, 2007). A leitura provoca momentos de autocrítica e reflexão sobre o sentido da vida e do trabalho. A simplicidade dos ensinamentos como “cultivar o seu jardim interior” ou “respeitar o tempo como o bem mais precioso”, torna-os aplicáveis à rotina de qualquer pessoa, sobretudo num contexto profissional marcado pela pressão e pela competitividade.
Como futuro Gestor de Recursos Humanos, percebi ao ler esta obra que liderar não é apenas gerir pessoas, mas sim inspirá-las a evoluir. A mensagem do autor reforça o quão importante é o equilíbrio emocional bem como a motivação intrínseca como base de um clima organizacional saudável. O livro fez me repensar o conceito de sucesso, deixando explicitamente claro que o verdadeiro desenvolvimento começa na consciência individual. Este ponto também é reforçado do artigo “Os 7 Princípios da Autoliderança” de Robin Sharma, publicado pela Mindvalley que contextualiza os ensinamentos do autor na atualidade.
Experiência como Reviewer
A minha experiência como leitor e reviewer deste livro, faz-me pensar que a escolha deste livro foi realmente uma excelente opção, por sentir que a obra aborda temas profundamente humanos, entre eles, o propósito, a disciplina e a autotransformação, tornando a leitura do livro muito inspiradora. Em vários momentos, identifiquei-me com o protagonista, especialmente na busca entre a ambição e o bem-estar não só físico, mas também mental. Este convida a repensar hábitos, prioridades e formas de encarar o desenvolvimento pessoal.
Como futuro Profissional de RH pretendo aplicar estes ensinamentos no contexto laboral, promovendo ambientes onde o crescimento individual e organizacional se interliguem entre si. Foi uma experiência transformadora que me recordou a importância de cuidar da mente e do espírito com o mesmo empenho que se cuida da carreia.
Em conclusão, esta narrativa é ao mesmo tempo um manual de sabedoria prática e uma metáfora sobre o reencontro com a autenticidade. O percurso de Julian Mantle mostra que o poder de transformação está dentro de cada um, e que a liderança começa pela gestão de si próprio (Sharma, 2007). A combinação entre espiritualidade, filosofia e desenvolvimento pessoal faz deste livro uma leitura essencial para quem procura alinhar propósito, produtividade e bem-estar. Em suma, (Robin Sharma, 2007) demonstra que “Vender o Ferrari” é um ato simbólico de libertação, uma metáfora para abandonar excesso e reencontrar o essencial. Este livro, é uma obra que, mais do que lido, deverá ser vivido.
Bibliografia
International Institute for Management Development - https://www.imd.org/research-knowledge/leadership/case-studies/the-power-and-practice-of-mindful-leadership
Mindvalley. (2024). Os 7 princípios da autoliderança de Robin Sharma. https://blog.mindvalley.com/pt
Robin Sharma – Official site. https://www.robinsharma.com
Senge, P. (2006). The fifth discipline: The art and practice of the learning organization. Doubleday.
Sharma, R. (2007). O monge que vendeu a sua Ferrari (G. Zide, Trad.). Fontanar.
Caro Leitor/a para citar esta Book Review, use esta referência final:
Miguel, G. (2025). BOOK REVIEW – O Monge que Vendeu sua Ferrari. Book Review orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de ‘Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional’. ISMAT-Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes.