BOOK
REVIEW
Organizações
Positivas
Manual
de Trabalho e Formação para desenvolver as forças dos indivíduos e das
organizações
Discente: Beatriz Alves Seromenho
Docente:
Professora Doutora Patrícia Araújo
Unidade
Curricular: Bem-estar Organizacional
Mestrado
em Gestão de Recursos Humanos e Intervenção Organizacional
Portimão
12 de abril de 2026
O livro que decidi ler foi escrito por Miguel Pina e Cunha, Arménio Rego,
Miguel Pereira Lopes e Mário Ceitil, tendo a sua primeira impressão ocorrido em
2008, pela editora Edições Sílabo. A obra intitula-se como” Organizações
Positivas: Um Manual de Trabalho e Formação para desenvolver as forças dos
indivíduos e das organizações”. Insere-se no campo da psicologia positiva
aplicada às organizações, área de estudo que me desperta interesse e que
motivou na escolha do livro. Esta área
procura compreender e analisar de que forma as emoções positivas, as relações
interpessoais saudáveis e as práticas de liderança construtivas podem
contribuir para o bem-estar e para o desempenho organizacional.
Logo no início, ainda antes de iniciar o primeiro capítulo, os autores
começam por identificar os possíveis destinatários da obra, sugerindo a sua
leitura a professores, formadores, gestores, estudantes, investigadores e a
todos aqueles que poderão se interessar pela temática das organizações
positivas. Esta diversidade de destinatários demonstra que a obra foi pensada
para alcançar um público bastante abrangente, não se limitando apenas ao meio organizacional.
Pelo contrário, pretende também chegar a profissionais que, no seu quotidiano
de trabalho, lidam com desafios relacionados com a gestão de pessoas, a
motivação das equipas e a criação de ambientes saudáveis. O livro apresenta uma
linguagem acessível e utiliza muitos exercícios práticos para que o leitor
possa aplicar ao seu contexto.
A obra está organizada em quatro partes principais. Na parte inicial, é apresentada
uma abordagem mais teórica, onde é feita uma contextualização de conceitos
fundamentais da gestão, com especial enfoque na liderança positiva e nos
princípios que lhe estão associados. Nesta primeira parte, os autores procuram
introduzir o leitor no conceito de organizações positivas, explicando que estas
se caracterizam por valorizar os pontos fortes dos indivíduos, promover
relações de confiança e incentivar práticas que reforcem a cooperação e o
sentido de pertença. Em vez de se focarem apenas nos problemas ou nas falhas, estas
abordagens procuram identificar aquilo que funciona bem dentro das organizações
e valorizar as características de todos os envolvidos. Assim, a liderança
positiva apresenta-se como um estilo de liderança que procura desenvolver o
potencial individual dos colaboradores, promover o reconhecimento e estimular
um ambiente de trabalho baseado no respeito, na valorização e no bem-estar das
pessoas.
Na segunda parte, são propostos diversos exercícios, dirigidos tanto ao
leitor individual como à sua equipa de trabalho. Estes exercícios incentivam à
reflexão através de desafios práticos. A título de curiosidade destaco o exemplo
que é feito em um dos exercícios através da analogia do camelo (pág. 135), um
animal capaz de percorrer grandes distâncias no deserto, demonstrando elevada
resistência em contextos adversos. A partir desta analogia, o livro pretende
que o leitor reflita sobre a existência de colaboradores com características
semelhantes nas organizações. Através deste tipo de comparação, os autores
procuram um maior conhecimento dentro da organização aproximando-os de
situações concretas do quotidiano profissional. A analogia do camelo permite
refletir sobre a resiliência, competência esta cada vez mais valorizada nas
organizações contemporâneas. Numa atualidade marcada por mudanças constantes,
pressões profissionais e desafios organizacionais, a capacidade de adaptação e
de resistência face às adversidades torna-se uma qualidade fundamental para os
trabalhadores e para as equipas.
A importância do sorriso é também abordada neste capítulo, levando-me a
refletir sobre uma vertente que até então desconhecia ou não atribuía tanta
importância. Para iniciar este tema o livro faz referência a um estudo
realizado entre 2003 e 2006, com uma amostra de 160 pessoas, entre os 25 e os
60 anos, diagnosticadas com depressão. Os resultados indicam que expressões
como o sorriso largo e o sorriso superior podem ter um impacto positivo no
tratamento, contribuindo, a longo prazo, para a valorização de pensamentos
positivos em detrimento dos negativos. Este exemplo demonstra que pequenos
comportamentos, aparentemente simples, podem ter efeitos significativos no
estado emocional das pessoas.
Este aspeto é depois aplicado, ao contexto organizacional, com recurso a exemplos
reais de empresas que consideram este tipo de característica no processo de recrutamento
e seleção. Ainda que de forma indireta, os benefícios desta prática acabam por
se refletir no ambiente organizacional, nomeadamente ao nível do bem-estar, das
relações interpessoais e do clima positivo nas equipas. Ao apresentarem
exemplos concretos de organizações que valorizam estas características, os
autores demonstram que a gestão das emoções e das relações humanas tem um
impacto real no funcionamento das empresas. Organizações que incentivam
ambientes de trabalho positivos tendem a apresentar níveis mais elevados de
satisfação profissional, maior cooperação entre os membros das equipas e uma
redução de conflitos interpessoais. Consequentemente, estes fatores acabam
também por influenciar positivamente a produtividade e a eficácia
organizacional.
No exercício intitulado “Indução da Positividade”, são também
apresentados os benefícios e as melhorias que pequenos gestos podem trazer para
o contexto organizacional. Expressões positivas, como o elogio, a cordialidade
e a demonstração de empatia, contribuem para fortalecer as relações
interpessoais e promover um ambiente de trabalho mais agradável e colaborativo.
Particularmente, pretendo aplicar este exercício no meu local de trabalho de
forma mais consciente, procurando adotar uma atitude mais atenta e intencional
nas minhas interações diárias.
O exercício em si, propõe que seja registada ao longo do tempo a ação
positiva praticada e o impacto que teve no colega. Este exercício parece-me
especialmente interessante porque demonstra que mudanças aparentemente simples
podem gerar efeitos positivos no ambiente organizacional. Além disso, o facto
de registar as ações realizadas e os seus impactos permite ao leitor
desenvolver uma maior consciência sobre a influência do seu comportamento nas
relações profissionais.
Este capítulo reforça também a importância das pessoas nas organizações,
destacando o papel fundamental de manter colaboradores motivados, interessados
e otimistas. Deste forma, o leitor é estimulado a identificar o tipo de
organização em que se insere, bem como o tipo de líder ou colaborador que é. A
título de curiosidade, é apresentada uma comparação entre Portugal e outros
países europeus. Esta comparação internacional permite compreender que as
culturas organizacionais podem variar entre países, influenciando a forma como
as pessoas trabalham, comunicam e se relacionam dentro das organizações. Ao
refletir sobre estas diferenças, o leitor é incentivado a analisar criticamente
o contexto em que se encontra inserido e a identificar possíveis áreas de
melhoria no funcionamento da sua própria organização.
Na terceira parte, a liderança positiva e apreciativa é explorada,
essencialmente, através de exercícios práticos. Inicialmente, propõe-se uma
reflexão sobre a perceção que os colaboradores (ou alunos) têm do líder,
recorrendo a vários exemplos de questionários de avaliação em diferentes
dimensões da liderança positiva. Destaco, pela sua relevância, os questionários
que avaliam a postura e a ligação que os colaboradores estabelecem com os
líderes. Posteriormente, são sugeridos exercícios de autoavaliação, promovendo
o autoconhecimento e a autorreflexão do próprio líder. Esta parte do livro demonstra
que a liderança não deve ser entendida apenas como uma posição hierárquica, mas
sobretudo como um conjunto de comportamentos e atitudes que influenciam
diretamente os colaboradores. Ao promover exercícios de reflexão e
autoavaliação, os autores procuram que os líderes desenvolvam uma maior
consciência sobre o impacto das suas decisões e das suas atitudes no clima
organizacional. Dessa forma, torna-se possível identificar comportamentos que
podem ser melhorados e promover estilos de liderança mais participativos,
construtivos e motivadores.
A quarta e última parte é dedicada a questionários de autoavaliação e à
compreensão das características organizacionais. O leitor é convidado a
responder a vários instrumentos que permitem um maior conhecimento de si
próprio e da organização em que se insere. Esta secção centra-se especialmente
na avaliação do bem-estar no trabalho e na qualidade das relações
interpessoais. A utilização destes instrumentos de autoavaliação permitem ao
leitor desenvolver uma análise mais profunda sobre o seu próprio comportamento
e sobre o funcionamento da organização em que trabalha.
Na minha
opinião, trata-se de uma obra bastante pertinente e prática, especialmente útil
para quem exerce funções de liderança, independentemente do contexto. A leitura
é bastante acessível e o livro destaca-se pela riqueza de exercícios, dinâmicas
e momentos de reflexão. De certa forma, “obriga” o leitor a parar, pensar e
analisar a sua realidade, promovendo o desenvolvimento pessoal e profissional.
Ao nível coletivo, também se revela um investimento valioso para equipas de
trabalho. Considero igualmente que a obra apresenta um contributo relevante
para a promoção de ambientes organizacionais mais saudáveis e equilibrados. O
livro oferece ferramentas úteis que podem ser aplicadas tanto em contextos
empresariais como em instituições públicas ou educativas.
Em síntese, o
livro “Organizações Positivas” apresenta-se como um manual que combina
fundamentos teóricos com propostas práticas de intervenção, permitindo ao
leitor refletir sobre o seu papel dentro da organização e sobre as formas de
contribuir para ambientes profissionais mais positivos. Através da valorização
das pessoas, da promoção de relações saudáveis e do desenvolvimento de
lideranças construtivas, os autores demonstram que é possível construir
organizações mais eficazes, sustentáveis e orientadas para o bem-estar
coletivo.
Deste modo, a
obra revela-se, igualmente relevante para estudantes e profissionais da área da
gestão de recursos humanos, constituindo um contributo útil para a reflexão
sobre práticas organizacionais orientadas para o desenvolvimento das pessoas e
para a promoção do bem-estar no trabalho.
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