terça-feira, 20 de dezembro de 2022

“Só porque funciona não significa que esteja certo”- Uma Book review do Livro "Primeiro Pergunta Porquê" de S.SInek


 


Licenciatura em Gestão de Recursos Humanos

Uc: Métodos de Intervenção e Desenvolvimento nas Organizações

1ºsemestre - 3ºano

Ano letivo: 2022/2023

Docente: Prof. Patrícia Araújo

Discente: Adriana Lourenço

  


O livro selecionado divide-se em 6 capítulos e desafia-nos a perguntar o Porquê em diversas situações organizacionais. 
Simon Sinek nasceu em Wimbledon, no Reino Unido a 9 de outubro de 1973 e estudou Direito na Universidade City University de Londres embora tenha deixado a Universidade de Direito para estudar Publicidade.

Começou a sua carreira em agências de publicidade e mais tarde criou o seu próprio negócio “Simon Partners”. Simon escreveu cinco livros “Comece pelo porquê”, “Os líderes comem por último”, “Juntos é melhor”, “Encontre o seu porquê” e o “Jogo infinito”.

 https://en.wikipedia.org/wiki/Simon_Sinek


https://www.fnac.pt/SearchResult/ResultList.aspxSCat=0&Search=primeiro+pergunte+o+porque&sft=1&sa=0.

Nas organizações há os líderes e o que lideram. Os que são líderes têm um posição de poder, mas os que lideram inspiram e têm seguidores fiéis.

O autor fala-nos das suposições que fazemos baseadas em informações incompletas ou falsas em que o nosso comportamento acaba por ser influenciado. Essas decisões que têm falsos pressupostos não são apenas as más, também as boas decisões podem ter falsos pressuposto, pois embora tenha um resultado positivo, esse pode ser a curto prazo e, para contrariar essa situação é necessário questionarmos o Porquê de modo a gerar resultados a longo prazo.

As decisões de curto e longo prazo são influenciadas pela manipulação e pela inspiração. A maioria das empresas tomam decisões em errados e falsos pressupostos e, só existe duas formas de manipular ou inspirar os comportamentos. No entanto, as manipulações levam-nos a ganhos a curtos prazo e “só porque funciona não significa que esteja certo(Sinek, 2009). O perigo das manipulações é que por norma funcionam, e por isso tornam-se estratégias normais nas organizações. Porém, existe uma alternativa: o círculo dourado: o Porquê, o Como e o Quê, sendo isto a capacidade de uns líderes influenciarem e outros não. Os líderes com capacidade de influenciar pensam de dentro para fora do círculo, mas os líderes que não têm esta capacidade focam-se no Quê e Como sem saberem o seu Porquê.

Os fatores externos representam o que as empresas fazem, mas é o Porquê a essência da organização. A maior parte das empresas foca-se no Que fazem e na forma Como o fazem sem considerar o Porquê. As empresas, como a Apple, têm um claro sentido do Porquê e é isso que lhes garante o sucesso a longo prazo e as diferencia.

As empresas normalmente falam sobre o Que fazem, mas é o Porquê de fazerem que nos leva a querer pertencer aquela empresa. Os princípios do círculo dourado estão enraizados na evolução do comportamento humano e, como tal, as empresas que comunicam claramente o Porquê conquistam os corações antes das mentes das pessoas.

O círculo dourado também tem a necessidade de equilíbrio e quando ausente o Porquê, as manipulações prosperam e, consequentemente, gera instabilidade na organização e para os seus clientes, pois não há um sentimento de confiança. A forma Como fazemos as coisas trata-se dos processos e sistemas de uma organização na cultura e compreender o Como ajuda as empresas na contratação das pessoas ideais que prosperaram na organização. Assim, um Porquê não é o alcance de resultados, mas uma crença que justifica a existência da organização e o Como são as ações que levam a concretizar essa crença. O Que é o resultado dessas ações (tudo o que diz e faz) e é no nível Que, que a autenticidade acontece.

Assim, o círculo dourado não é apenas uma ferramenta de comunicação, mas também de estrutura organizacional, um vez que o mesmo é tridimensional transformado num cone e do topo para a base. O topo representa o Porquê e é onde se encontra o líder; no nível intermédio temos o Como que normalmente estão os executivos e, abaixo temos o Quê que é onde está a realidade prática, isto é, onde estão a maior parte dos funcionários. Como o círculo dourado, o cérebro divide-se em três partes: o neocórtex que corresponde ao Que, que é responsável pela parte racional e analítica, o Como e Porque pelo límbico que é responsável pela confiança e lealdade.

O objetivo é vendermos para as pessoas acreditarem em nós e serem-nos fiéis, ou seja, clientes a longo prazo e não que com as constantes inovações do mercado deixem de ser nossos clientes.

Por isso, conquistar a confiança das pessoas demonstrando que partilham os mesmos valores e crenças é o que leva ao Porquê provando-o com o Que faz. As culturas são grupos de pessoas que se juntam em torno de um conjunto de valores e crenças criando uma base de confiança e as empresas de excelência contratam pessoas motivadas para as inspirar. Isto é, as pessoas que trabalham com um claro sentido do Porquê são menos propensas a desistir após uma dificuldade ou fracasso porque acreditam na causa maior, no Porquê. As ditas organizações de excelência assim o são porque as pessoas sentem-se ligadas à cultura da organização e protegidas e, é este forte sentido de cultura que cria um sentimento de pertença que funciona como rede.


A teoria da difusão das inovações representa a população que está dividida em cinco segmentos: os inovadores (2.5%), que são primeiros a aderir e procuram criar produtos ou ideias, a maioria inicial (13.5%), que apreciam as vantagens obtidas por novas ideias e dão valor à inovação, a maioria tardia (34%) e os retardaríeis (16%). Quanto mais à direita da curva menos leais são à organização.

O Porquê é a crença que impulsiona a decisão, o Que faz fornecer nos uma maneira de racionalizar a atratividade do produto. Um exemplo desta teoria, foi quando Martin Luther King preparou uma manifestação com base no que ele acreditava com hora e data exata e, apesar de não haver tecnologias que relembrassem apareceram 250 mil pessoas, porque acreditavam no que ele acreditava, ou seja, ninguém apareceu por causa de Martin Luther King, mas sim pela crença, pela clareza do seu Porquê.

Em suma, o Autor enfatiza a ausência do Porquê nas organizações e das decisões a curto prazo sendo ambas consequentes das empresas não terem sucesso duradouro. O Porquê origina a crença que é o que distingue e torna única a organização e, para isso também é preciso que as organizações tenham líderes que inspirem as pessoas.

A minha experiência …

Este livro ajuda-nos a perceber a importância de um líder saber influenciar os outros e às organizações não se focarem apenas em resultados, mas também na sua razão de existir, ou seja, no seu Porquê.

Penso que é um livro com uma escrita acessível e que todos os líderes desde micro a grandes empresas deveriam ler e pôr em prática o modelo do círculo dourado, pois desta forma passariam a ter que se focar em resultados a longo prazo e, consequentemente, teriam sucessos mais duradouros o que os distinguiria da concorrência, não só influenciando e incentivado os colaboradores a trabalhem para aquela empresa, bem como tornando fieis os clientes.

De forma a ser mais perceptível deixo o link de uma ted talk de Simon Sinek como forma de resumir tudo o que aqui foi escrito https://www.youtube.com/watch?v=u4ZoJKF_VuA.

Sobre mim


O meu nome é Adriana Lourenço e sou finalista da Licenciatura de Recursos Humanos. Após várias cadeiras universitárias as estratégias organizacionais sempre me interessaram, pois acho que é uma parte fulcral para o sucesso organizacional e profissional, uma vez, que puxa pelo nosso lado criativo e as organizações precisam de apostar em estratégias inovadoras como seguir o modelo do Círculo Dourado.

 

Caro/a leitor/a, para citar esta Book Review use esta referência: Lourenço. A (2022). Primeiro Pergunte Porquê. Book Review Orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de “Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional”. ISMAT- Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. Disponível em: https://www.blogger.com/blog/posts/3268341675809187225

 

Referências

Sinek, S. (2009). Primeiro Pergunte Porquê. Alfragide : Lua de Papel.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

A eterna pergunta: Como lidar com as Pessoas?- Uma Book Review Por Ana Rita Pinto

 


António Estanqueiro, natural de Ponte de Vagos, concelho de Vagos, é licenciado em Filosofia e detentor do curso de Teologia. É professor de Psicologia, Filosofia, formador de professores, pais e líderes com mais de 35 anos de experiência.

Enquanto autor, conta neste momento com cinco livros lançados entre eles o livro escolhido “Saber Lidar com as Pessoas”, para além dos livros: “99 Histórias de Sabedoria”, “Dicionário Breve de Filosofia”, “Comunicar com os Filhos” e “Boas Práticas na Educação” no total com mais de 150 mil exemplares vendidos.

https://www.presenca.pt/blogs/autores/antonio-estanqueiro

 




O livro escolhido trata-se de um guia prático sobre princípios da comunicação interpessoal que pode ser lido por qualquer pessoa que tenha interesse em criar e manter relações saudáveis ao seu redor, seja na sua vida familiar, social e/ou profissional. 

Diversos estudos confirmam a importância da qualidade das relações interpessoais para o sucesso seja ele pessoal ou profissional e para a felicidade. 

 https://www.presenca.pt/products/saber-lidar-com-as-pessoas

 


A estrutura do livro divide-se em três partes que se complementam entre si:

(a)   A Relação Consigo Mesmo – onde são abordados temas como o autoconhecimento, a autoestima, a autoconfiança, a autonomia e a responsabilidade enquanto características do desenvolvimento pessoal;

(b)  A Relação com os Outros – onde são abordados temas como o diálogo, a escuta ativa, a sabedoria das perguntas e a arte de falar;

(c)   Liderança e Relações Humanas – onde integra algumas propostas de ação sobre liderança.

 

O autor começa por iniciar os capítulos do livro com frases inspiradoras, seguindo essa mesma linha ao longo do texto evocando muitas vezes personalidades inspiradoras e filosofias de vida. Dá exemplos práticos ao longo dos capítulos facilitando o relacionamento dos conceitos e das teorias com a realidade e dicas que podem ser aplicadas no dia a dia. 

 

Na primeira parte do livro, “A Relação Consigo Mesmo” o autor começa por evocar Sócrates citando o seu lema: “Conhece-te a ti mesmo”.

Tendo por base o autoconhecimento como parte fundamental para o desenvolvimento de outras competências, é necessário que cada indivíduo efetue ao longo da sua vida momentos de auto-observação e introspeção. Desta forma, conseguirá saber mais sobre si próprio, a sua forma de pensar, as suas ações e antever e/ou evitar potenciais comportamentos/atitudes.

As opiniões das pessoas ao redor devem ser ouvidas com “abertura de espírito” pois existem características, capacidades e limitações que são mais claras aos olhos dos outros do que interiormente por nós próprios. Sendo que, nunca conheceremos a nossa personalidade a 100%.

 

A autoestima, enquanto escudo ajuda a relativizar a importância das críticas e atua como veículo para o desenvolvimento saudável de boas relações com os outros. Através de: 

(a) autoaceitação (aceitando as nossas fraquezas e desenvolvendo as forças); 

(b) autovalorização (podendo adotar estratégias como uma lista das nossas qualidades pessoais das quais nos orgulhamos);

(c) relativização das críticas (quando injustas – reagir com equilíbrio emocional; quando justas e construtivas – aproveitar enquanto oportunidade de crescimento).

 

A autoconfiança, tem um papel muito importante na conquista do sucesso. Ao acreditarmos em nós próprios, pensando positivo, desenvolvendo atitudes positivas e adotando uma postura de segurança autoconfiante, estamos a programar a nossa mente a acreditar que é possível! O que na prática nos vai levar a agir de acordo com essa crença. 

 

A autonomia e a responsabilidade são competências essenciais no rumo das nossas ações. Somos responsáveis pelo nosso futuro e pelo atingimento dos nossos objetivos, priorizando do mais importante para o menos importante e do mais urgente para o menos urgente. 

É importante estarmos preparados para errar. Persistir, avaliar o que correu mal, assumir os erros, aprender com os mesmos e nunca desistir é essencial para o nosso crescimento pessoal e profissional. 

 

Compreendida e efetuada a reflexão sobre nós próprios, a nossa personalidade, os nossos princípios e valores, os nossos comportamentos e atitudes, e as nossas motivações e necessidades, é tempo de avançar para a segunda parte do livro “A Relação com os Outros”.

 

Cada ser humano é único e diferente dos demais, porém todos temos necessidades em comum como explica a Pirâmide das Necessidades de Maslow. Necessidades essas que podem ser sentidas em diferentes momentos da vida e de modos diferentes. Tal como as reações, comportamentos e atitudes às situações são naturalmente diferentes de pessoa para pessoa. 

Nesse sentido, é importante que antes de qualquer julgamento tentemos compreender as motivações e a forma de pensar do outro tal como estudado por Daniel Goleman aquando dos seus estudos sobre Inteligência Emocional e reforçado pelo autor deste livro no decorrer do mesmo: “A compreensão gera confiança e aproxima as pessoas” (Estanqueiro, 2019, p. 57)

A compreensão enquanto base para o desenvolvimento de relações saudáveis vai permitir uma melhor gestão de situações difíceis como é o caso dos conflitos (naturais e inevitáveis, mas geradores de pontos de vista diferentes) através do autocontrolo, adotando uma postura calma e assertiva e estratégias de comunicação tendo por base o respeito mútuo, o diálogo, a escuta ativa e a negociação. 

 

Ouvir antes de falar, demonstrar respeito pelo outro, saber fazer perguntas e adotar uma linguagem clara, acessível e adequada ao destinatário e ao contexto abre caminho à negociação e ao diálogo com vista ao encontro de uma solução eficaz e de compromisso que permita conciliar os interesses de ambas as partes através naturalmente de cedências de ambos. 

 

Considerando que a linguagem pode originar equívocos, é importante que tenhamos consciência das nossas palavras e do poder das mesmas sobre o outro, sendo cautelosos, claros, honestos, convictos, porém humildes e oportunos. 

Contudo, a linguagem não verbal é também importante no reforço da mensagem que queremos transmitir devendo ser equilibrada e coerente. Como um sorriso verdadeiro, o contacto visual, o tom de voz calmo e firme, acompanhados de gestos descontraídos revelando confiança e credibilidade. 

 

O autoconhecimento, a empatia e o autocontrolo são características essenciais num líder, (não esquecendo o conhecimento técnico). Como tal, compreendida e conhecida a importância das mesmas é tempo de avançar para a terceira e última parte do livro “Liderança e Relações Humanas”.

 

Um líder é aquele que detém a capacidade de influenciar os outros formal ou informalmente a fazer algo que não fariam se não fossem estimulados, com vista ao atingimento de um determinado objetivo. 

A complexidade e a diversidade das situações podem influenciar o estilo de liderança a adotar, assim como as pessoas lideradas (dependendo das suas competências individuais e das tarefas que têm de realizar) e do número de elementos da equipa.  

Contudo, a flexibilidade e o bom senso devem estar sempre presentes na adoção do estilo de liderança escolhido e de cada postura adotada.

Por fim, é importante que o líder motive os seus liderados procurando conhecer cada um deles e adotando estratégias motivadoras como a valorização através de elogios sinceros quando existe um bom desempenho com resultados positivos ou quando os resultados não foram os esperados, mas houve um bom esforço da parte do liderado/ equipa. 

Um sorriso, um olhar ou um gesto por vezes são o suficiente para sentirmos a aprovação e o apoio do nosso líder. 

 

Assim como, as repreensões construtivas, proporcionais ao acontecimento e à responsabilidade da pessoa e aplicadas no momento certo, são igualmente importantes para promover o progresso e o melhoramento e evitar a repetição dos mesmos erros.

É fundamental que seja indicado o erro concreto e a forma correta de agir! 

 

No final, o autor reserva os últimos capítulos para algumas sugestões de leitura, exercícios de autoconhecimento e provérbios portugueses que abordam o tema. 

 

 

“Não podemos mudar os outros. Mas podemos mudar-nos a nós próprios” 

(Estanqueiro, 2019, p. 121)

 

 

 

A minha experiência...

 

Apesar de estar no meu último ano de licenciatura em que abordamos temas sobre gestão de pessoas e os seus comportamentos de uma forma aprofundada, penso que nunca é demais lermos e relembrarmos pequenas atitudes e pensamentos práticos que podem fazer toda a diferença. Sendo a comunicação interpessoal uma capacidade essencial dentro das organizações seja enquanto colegas, chefias, lideres e liderados é importante que as empresas apostem em formações sobre o tema enquanto método de intervenção e desenvolvimentos dos trabalhadores.

Enquanto reviewer, é um livro de fácil leitura, com escrita clara e percetível a qualquer leitor com interesse pelo tema ou simplesmente com vontade atingir uma melhor versão de si próprio e melhorar o seu relacionamento com os outros a longo prazo. 

Em suma, acredito que o princípio geral para saber lidar com cada pessoa enquanto sujeito singular é conhecer-nos a nós próprios, estarmos cientes dos nossos pontos fortes e das nossas fraquezas e acreditarmos na mudança e na melhoria contínua de nós próprios. 

Sermos empáticos e desenvolver capacidades de inteligência emocional é fundamental para enfrentarmos as situações da melhor forma e sabermos lidar com os outros. 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre mim:

 


O meu nome é Ana Rita Pinto, tenho 26 anos e sou finalista da licenciatura em Gestão de Recursos Humanos. A área da gestão de pessoas e em particular a capacidade de compreender e de influenciar de forma positiva as pessoas sempre foi um tema que me interessou. Nesse sentido, penso que nunca é demais estudarmos e aprofundarmos estes temas.   

ritapinto422@gmail.com

https://www.linkedin.com/in/rita-pinto-64a075145/

 

 


 

 

 

Caro leitor/a, para citar esta Book Review use esta referência no final:

Pinto, A. (2022). A eterna pergunta: Como lidar com as pessoas?. Book Review Orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de ‘Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional’. ISMAT-Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. Disponível em: https://desenvolvimento-organizacional.blogspot.com

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

“Mindset – A nova psicologia do sucesso”(Carol Dweck) - Uma Book Review do Livro por Ana Gomes

 


Atitude mental! – Book Review do livro

“Mindset – A nova psicologia do sucesso”, de Carol S. Dweck 

Figura 1

Fonte: amazon.com

 

Autora: CAROL S. DWECK

Figura 2

Fonte: www.ted.com/speakers/carol_dweck


Carol Susan Dweck nasceu em Nova Yorque em 17 de outubro de 1946, psicóloga e professora na Universidade de Stanford e membro da Associação de Ciências Psicológicas. Conhecida pelo seu trabalho sobre motivação e mentalidade, Dweck deu a sua grande contribuição para a psicologia social com as teorias implícitas da inteligência com o livro de 2006 Mindset: The New Psychology of Success.

Carol Dweck, escreveu este livro a pedido dos seus alunos que gostavam de ver replicado o conhecimento da Prof.ª para acrescentar valor à vida das pessoas.

O livro presenteia-nos com alguns casos vividos pela autora como também de pessoas famosas nas áreas das ciências, artes, desporto e dos negócios, destacadas pelo sucesso e insucesso.

No início de carreira como pesquisadora a autora ambicionava perceber como as pessoas lidam com as suas frustrações? Começou por estudar, como os estudantes lidavam com problemas difíceis? Observando uma criança de cada vez com desafios de quebra-cabeças, com níveis cada vez mais difíceis. A autora se surpreendeu quando verificou que aquelas crianças gostavam dos problemas?! Não, apenas para elas os desafios eram vistos como desenvolvimento. No livro a autora usa uma expressão de Robert Sternbert, um estudioso da inteligência, que refere que o conhecimento “não é alguma capacidade prévia e fixa, e sim a dedicação com objetivo”.

Com mais de vinte anos de investigação a autora evidenciou que a opinião que adotamos de nós próprios afeta de maneira intrínseca a forma como encaramos a vida, o poder da atitude mental. Como pode uma crença transformar uma vida? Pessoas com mindset fixo acreditam nas qualidades imutáveis, na necessidade de mostrar as suas habilidades. Pessoas com mindset de crescimento acreditam que com esforço e dedicação é possível desenvolver as capacidades. Pessoas com mindset fixo, num dia menos bom sentem-se rejeitadas, inúteis, com uma vida injusta, sem sorte, completamente frustradas. A autora menciona Howard Gardner, autor do livro “Mentes extraordinárias”, que revela indivíduos talentosos identificam os seus pontos fortes e fracos, e agem com mindset de crescimento. Para a autora existe doi tipos de capacidade: a capacidade fixa e a capacidade mutável, com capacidade de desenvolvimento de aprendizagem.

A autora estudou alunos para avaliar o QI, concluindo que quando se elogiava as capacidades o QI diminuía, mas ao elogiar o esforço o QI dos alunos aumentava. O que mais surpreendeu a autora na pesquisa foi crianças acharem se burras quando lhes diziam ser inteligentes. Tanto os estereótipos positivos como os negativos perturbam pessoas com mindset fixo, já pessoas com mindset de crescimento não lhes afeta o desempenho nem se limitam ao pensamento alheio.

No mundo do desporto o mindset de crescimento destaca-se, os atletas desenvolvem mais perante desafios maiores. Michael Jordan, atleta de mindset de crescimento por excelência, não se considerava uma pessoa melhor que as outras, mas sim alguém que lutou e conseguiu crescer. Conhecido pelo mundo como: “Deus em pessoa”, “Super-Homem”, “Jesus com equipamento de basketball”.

Não será o potencial a capacidade de desenvolver eficientemente as aptidões com dedicação ao longo do tempo? Sim. Famosos como Jackson Pollock, Marcel Proust, Elvis Presley, Ray Charles, Lucille Ball e Charles Darwin, eram considerados sem potencial no inicia de carreira.

A autora refere os indivíduos com mindset fixo aqueles que acreditam nas suas caraterísticas como imutáveis, com necessidade de atingirem sucesso. No mindset fixo o insucesso pode causar trauma. O fracasso pode definir pessoas com mindset fixo, impedindo-as de desenvolver capacidades, por mais inteligentes que sejam. Pessoas com mindset de crescimento acreditam que os fracassos não as definem, a mudança e o crescimento são o caminho para o sucesso.

Na área da gestão, o livro menciona grandes líderes com mindset de crescimento como Kimberly-Clark, e Darwin Smith, por estarem em constante aprendizagem, eles afirmam “Nunca deixarei de estar à altura do meu cargo”. Um exemplo de insucesso foi o CEO da empresa Sunbeam, Albert Dunlap, o seu desafio era reorganizar a empresa, utilizou uma estratégia de curto prazo devido a ter um mindset fixo, mesmo com ações valorizadas na Bolsa de Valores, a empresa não resistiu. Lou Gerstner com mindset de crescimento, chamado a reformular a IBM, alterou as políticas e a cultura da empresa, as ações estagnaram na Wall Street, visto como um falhado, mas poucos anos mais tarde a IBM voltou a ser líder de mercado. Líderes e pessoas com mindset fixo, pensam ser superiores às outras. A autora refere que em várias autobiografias de CEO´s com mindset fixo os programas de desenvolvimento eram muito poucos, em CEO´s com mindset de crescimento havia uma preocupação pelo desenvolvimento pessoal. Líderes como Jack Welch, Lou Gerstner e Anne Mulcahy, conseguiram mudar de mindset fixo para o midset de crescimento, por acreditavar no seu potencial e no desenvolvimento humano. As empresas com mindset de crescimento, promovem motivação, estratégia e acompanhamento, com uma “cultura de desenvolvimento”.

Nos relacionamentos, a autora refere um estudo de Jennifer Beer, sobre a interação social e destaca o mindset fixo pelo elevado nível de timidez, interferindo nas novas amizades. Pais com ideias de mindset fixo transmitem aos filhos um modelo de “criança talentosa”, caso contrário não terão valor. Pais que ajudam os filhos com ideias de crescimento torna-os plenos seres humanos, motivados e capazes de contribuírem para uma sociedade melhor. Alguns professores acreditam que alunos mais fracos desenvolvem o mindset fixo, outros professores acreditam que todos os estudantes são capazes de aprender qualquer coisa, mostrando diferentes maneiras de resolver problemas. Wooden, um técnico desportivo de basketball, afirmava para além de ensinar táticas e estratégias de jogo, o que realmente sabia fazia melhor era motivar os jogadores. O reconhecimento por uma cultura de aprendizagem utilizada por muitos pais, professores e técnicos desportivos, com mindset de crescimento tem sido reconhecido através de grandes resultados.

O mindset de crescimento é a base para a mudança. Os mindset´s são a estrutura do nosso pensamento dando origem ao processo de interpretação. O mindset fixo cria um monólogo interno com pensamentos de culpa ou de julgamento. No mindset de crescimento o monólogo interno desenvolve críticas construtivas. A autora estimula o leitor para a mudança do mindset de crescimento com uma jornada que inclui os seguintes tempos: aceitação; reconhecimento do nosso mindset fixo; quem é a nossa persona; aprender gradualmente o mindset de crescimento e aprender a ajudar os outros.

A autora ilustra um infográfico de Nigel Holmes, para diferenciar os dois mindset´s e como planear o crescimento.

Nigel Holmes

Figura 3

Fonte: infografico nigel holmes - Pesquisa Google


Como evoluir o mindset de crescimento? A autora dedica ao leitor exercícios de dilemas, a reação do mindset fixo, assim como os passos para o crescimento, um exemplo é:

Imaginar que estamos a candidatar-nos para um mestrado, mas não conseguimos.

A reação do mindset fixo seria pensar que as vagas eram poucas para o nº de candidatos, não nos afetando. Os segundos pensamentos seriam ouvir uma voz interior a dizer que somos medíocres. Contudo escolheríamos os 1ºs pensamentos.

Com o midset de crescimento pensaríamos: como posso melhorar para conseguir a vaga no mestrado? A autora refere que a história foi verídica, contudo a candidata rejeitada entrou em contacto com a escola para saber o que poderia melhorar caso voltasse a candidatar-se. Poucos dias depois ligaram-lhe a comunicar que tinham reconsiderado a prova e também gostado do seu caráter.

A autora conclui que mudança para um mindset de crescimento melhora a vida de quem pratica, mesmo não resolvendo todos os problemas. Contudo “Decidir mudar deve ser adequado a de cada um, embora possamos adotar pensamentos de mindset de crescimento para ultrapassarmos os obstáculos, sempre com foco para o futuro.”

 

Reflexão integrativa

Relacionando o livro com a temática lecionada em aula na UC de MIDO, com a Prof.ª Patrícia Araújo, destaco a ligação entre a mudança de mindset´s com o programa de mudança de um dos métodos de intervenção organizacional: comportamental. Ambas as mudanças são voltadas para o desenvolvimento de pessoas, procurando melhorar o comportamento das aptidões, atitudes, perceções e expectativas de crescimento pessoal e profissional. Ou seja, a curva da mudança de Kubler-Ross dado em aula, está relacionado com o mindset fixo e de crescimento, as fases da curva da mudança são: a desilusão; a negação; frustração; depressão; até aqui estamos perante o mindset fixo, quando a curva começa a subir com as restantes fases: desenvolvimento de capacidades; decidir ser mais positivo; e integração da nova mudança, passamos a adotar um comportamento de mindset de crescimento. Outro conteúdo da matéria dada em aula sobre Peter Senge, o criador do conceito “organização aprendente” e “aprendizagem organizacional”, parece-me também interligar com o livro quando a autora evidencia que “Usando os princípios de mindset, muitas escolas e equipas desportivas têm chegado ao topo – reconhecidas pela sua cultura de aprendizagem”.

 

Minha experiência como reviewer

Este livro “Mindset – A Nova Psicologia para o Sucesso” de Carol Dweck, foi sem dúvida uma aprendizagem e uma experiência muito enriquecedora que levo como preparação para a minha vida tanto pessoal como profissional. O conhecimento transmitido no livro proporcionou-me uma autoanálise sobre o meu mindset fixo e de crescimento dando-me uma visão mais aprofundada sobre motivação e atitude mental, dando-me confiança para um pensamento mais positivo.

Como possível futura gestora de recursos humanos, espero vir a contribuir para o desenvolvimento organizacional, promovendo conhecimento pessoal e profissional, motivação, mindset de crescimento e espírito de equipa, aplicando uma “cultura de aprendizagem”, tratando as pessoas como potenciais de desenvolvimento.

 

Book review

O meu nome é Ana P. Gomes, autora desta book review, tenho 40 anos de idade, e vivo em Vila Real de Sto. António. Frequento o 3º ano de GRH no ISMAT -Grupo Lusófona www.ismat.pt, e tem sido um desafio a todos os níveis ter chegado até aqui e espero vir a superar todos os meus desafios com a ajuda do mindset de crescimento 😊.                                                                      

                                                                                

anapereiragomesvrsa@gmail.com 


Caro/a Leitor, para Citar esta book Review, use esta referência final:

Gomes, A. (24/11/2022). Comanda o teu pensamento! - Book Review do Livro “Mindset – A Nova Psicologia do Sucesso” Book Review Orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de ´Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional´. ISMAT-Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes.

Disponível em: https://desenvolvimento-organizacional.blogspot.com/2022/11/blog-post_24.html 


Bibliografia

Dwek, C. S. (2016). Mindset - A nova Psicologia do Sucesso. Rio de Janeiro: SCHWARCZ S.A.

https://blog.thenewcenturyschool.com/. (s.d.).

https://desenvolvimentoorganizacional.blogspot.com. (s.d.).

https://en.wikipedia.org/wiki/Carol_Dweck. (s.d.).

https://www.amazon.com. (s.d.).

https://www.google.pt/search?q=infografico+nigel+holmes. (s.d.).

https://www.ismat.pt. (s.d.).

https://www.ted.com/speakers/carol_dweck. (s.d.).

O Caminho Para a Liberdade Financeira- Book Review de "Pai Rico, Pai Pobre

                                                                                                                            Gestão de Recurs...