segunda-feira, 2 de junho de 2025

12 Regras para a Vida – Um Antídoto para o Caos- Book Review by Nuno Gonçalves

 

Licenciatura em Gestão de Turismo – Ano Letivo 2024/2025

UC: Técnicas de Liderança e Comunicação – 2º Ano – 2º Semestre

Docente: Patrícia Araújo

12 Regras para a Vida – Um Antídoto para o Caos – Book Review

 

Figura 1 Capa do livro 12 Regras para a Vida

 

Discente: Nuno Gonçalves – a22307899

 

Sobre o Autor

Jordan B. Peterson, psicólogo clínico, professor universitário e conferencista canadiano, é uma das figuras mais influentes e polarizadoras do século XXI. Com formação em psicologia pela Universidade de Alberta e doutoramento pela McGill University, Peterson especializou-se em psicologia junguiana, mitologia e comportamento humano. Antes de 12 Regras para a Vida: Um Antídoto para o Caos (2018), publicou Maps of Meaning: The Architecture of Belief (1999), uma obra académica que explora a estrutura dos sistemas de crenças. A sua ascensão à fama, porém, veio com palestras no YouTube, entrevistas e debates públicos, onde aborda temas como responsabilidade individual, liberdade de expressão e o papel das tradições na sociedade moderna. Apesar de ser admirado por milhões, Peterson também enfrenta críticas por suas visões conservadoras e estilo assertivo. Mais informações sobre o autor podem ser encontradas em seu site oficial (jordanbpeterson.com).

 

Figura 2 Jordan B. Peterson, autor de 12 Regras para a Vida


Sumário do Livro

12 Regras para a Vida de Jordan Peterson apresenta orientações práticas para lidar com os desafios da vida, focando na responsabilidade e no propósito. As 12 regras ajudam a viver de forma equilibrada, desde a importância da autoconfiança e da honestidade até a procura por sentido em vez de felicidade imediata. Peterson destaca a necessidade de autocuidado, disciplina e de se rodear de pessoas que incentivem o crescimento pessoal. O livro mistura psicologia, filosofia e exemplos práticos, oferecendo ferramentas para o desenvolvimento pessoal e reflexão sobre a vida, de uma forma direta e acessível.

As 12 regras são:

  1. Levante a Cabeça e Endireite as Costas.
  2. Cuide de si como cuida daqueles que dependem de si.
  3. Faça amizades com pessoas que querem o melhor para si.
  4. Compare-se com aquilo que era ontem e não com o que os outros são hoje.
  5. Não deixe os seus filhos fazerem coisas que o levem a não gostar deles.
  6. Ponha a sua casa em ordem antes de criticar o mundo.
  7. Procure alcançar aquilo que tem sentido (e não o que lhe dá jeito).
  8. Diga a verdade – ou, pelo menos, não minta.
  9. Parta do princípio de que a pessoa que está a falar consigo talvez saiba alguma coisa que você não sabe.
  10. Seja rigoroso no seu discurso.
  11. Não incomode as crianças quando estão a andar de skate.
  12. Se vir um gato na rua, faça-lhe uma festa.

Cada regra é explorada através de ensaios que combinam histórias pessoais, mitologia, psicologia evolutiva, referências bíblicas e observações culturais. Por exemplo, na Regra 1, Peterson utiliza a postura das lagostas para discutir hierarquias biológicas e a importância de transmitir confiança. Na Regra 7, ele recorre a histórias bíblicas como a de Adão e Eva e Caim e Abel, para ilustrar a procura por um sentido, em vez do conforto imediato. A Regra 8 destaca a honestidade como base da integridade, enquanto a Regra 12, de tom mais leve, sugere que devemos encontrar alegria nos pequenos momentos da vida.
O livro vai além de simples conselhos práticos, sendo uma reflexão profunda sobre a condição humana. Peterson integra as ideias de Carl Jung, Friedrich Nietzsche, Søren Kierkegaard e textos religiosos, como a Bíblia, para afirmar que a responsabilidade individual é fundamental para enfrentar o caos. A sua abordagem, embora interdisciplinar, é acessível, com histórias pessoais – como os desafios da sua filha com artrite juvenil – que tornam as suas ideias mais humanas e próximas do leitor.

Opinião Crítica

12 Regras para a Vida de Jordan Peterson é uma leitura que provoca reflexão e, ao mesmo tempo, desafia os seus leitores a repensarem as suas atitudes e a forma como se posicionam no mundo. Embora o autor seja alvo de críticas, devido às suas opiniões fortes e por vezes controversas, o livro oferece uma abordagem interessante sobre como encontrar sentido na vida, lidar com os desafios e assumir a responsabilidade pessoal. Através das suas 12 regras, Peterson propõe uma série de princípios que, se seguidos, podem ajudar a promover uma vida mais equilibrada e consciente.

A primeira regra, por exemplo, “Levante a Cabeça e Endireite as Costas”, fala sobre a importância da postura física, não apenas como uma questão de imagem, mas como um reflexo do nosso estado interior. Este é um conselho que, à primeira vista, pode parecer simples, mas a sua profundidade está em perceber que a forma como nos apresentamos ao mundo tem um impacto direto na forma como o mundo nos responde. A ideia de que devemos cuidar de nós mesmos como cuidamos daqueles que dependem de nós, que surge na segunda regra, também é poderosa. Ao colocar o nosso bem-estar em primeiro lugar, estamos, na verdade, a garantir que podemos dar o nosso melhor aos outros.

Uma das partes que mais me tocou no livro foi a Regra 6: “Ponha a sua casa em ordem antes de criticar o mundo”. Esta mensagem é extremamente pertinente, especialmente no contexto atual em que muitas vezes procuram-se mudanças globais sem que as nossas próprias vidas estejam em equilíbrio. Peterson desafia-nos a olhar para dentro e resolver os nossos próprios problemas antes de tentar mudar o mundo. Esta ideia traz um sentido de humildade e responsabilidade pessoal que, para mim, é fundamental.

No entanto, o livro não está isento de críticas. As opiniões de Peterson, especialmente sobre temas como feminismo, igualdade de género e liberdade de expressão, geraram controvérsia, com muitos a acusarem o autor de se posicionar contra movimentos sociais importantes. Estas questões podem fazer com que alguns leitores sintam desconforto, especialmente aqueles que discordam das suas visões mais conservadoras.

Apesar disso, a sua abordagem, com base na responsabilidade pessoal, autodescoberta e disciplina, é, na minha opinião, positiva e relevante para o desenvolvimento pessoal. O livro não oferece apenas conselhos práticos, mas também propõe uma reflexão profunda sobre a natureza humana, o que, em última análise, contribui para um crescimento mais consciente e autêntico.

Em resumo, 12 Regras para a Vida é um livro que oferece muito mais do que uma simples lista de conselhos. Ele convida-nos a enfrentar as nossas próprias falhas, questionar as nossas escolhas e a tomar as rédeas da nossa vida. Apesar das críticas que rodeiam o autor, a leitura é, para mim, uma experiência enriquecedora que vale a pena.

Reflexão Integrativa com a UC

No livro 12 Regras para a Vida, Jordan Peterson destaca a importância da responsabilidade pessoal e de enfrentar adversidades. Isso conecta-se com a liderança situacional de Hersey e Blanchard, onde o líder adapta seu estilo conforme a maturidade da equipa, assumindo a responsabilidade de ajustar seu comportamento às necessidades do grupo. Peterson enfatiza que a vida exige esforço, o que reflete as fases de mudança no modelo de Kotter e Kubler-Ross, em que as pessoas passam por negação, raiva e, eventualmente, aceitação perante mudanças significativas.

Além disso, as ideias de Peterson sobre motivação ligam-se à liderança transformacional de Bass e Avolio, que destaca a capacidade do líder de inspirar e motivar através de uma visão clara e pelo exemplo. Peterson também fala sobre a importância da comunicação eficaz, algo essencial tanto na liderança carismática quanto na transformacional, onde o líder é capaz de transmitir sua visão de forma clara e inspiradora para engajar a equipa.

Em resumo, Peterson aborda a liderança, motivação e mudança de forma que se alinha com várias teorias de liderança que estudamos. A responsabilidade pessoal, a adaptação à mudança, a capacidade de inspirar e motivar, e a comunicação clara são todos elementos fundamentais tanto no desenvolvimento pessoal quanto no contexto organizacional, mostrando como as teorias de liderança podem ser aplicadas na prática para gerar resultados positivos.

Experiência como Reviewer

Escolhi 12 Regras para a Vida porque estava à procura de algo que me ajudasse a estruturar melhor a minha vida pessoal e profissional, especialmente num momento de tantas incertezas. Como estudante de Gestão de Turismo no ISMAT, enfrento algumas pressões académicas e profissionais que, por vezes, deixam-me perdido. A leitura deste livro foi, sem dúvida, desafiadora. O tom direto de Peterson e a profundidade das suas ideias exigiram paciência, mas cada capítulo trouxe reflexões que realmente me marcaram.

A Regra 6 (“Ponha a sua casa em ordem antes de criticar o mundo”) foi uma das mais impactantes para mim. Sempre tive a tendência de me focar nas falhas do mundo e no que precisava ser mudado ao meu redor, mas esta regra ensinou-me a olhar para dentro, focando-me em resolver os meus próprios problemas antes de querer mudar o mundo. Esta mudança de perspectiva fez-me ver as coisas de forma diferente, especialmente nos meus estudos e objetivos profissionais.

A Regra 8 (“Diga a verdade”) também me confrontou, pois percebi que, por vezes, evito ser completamente honesto para evitar conflitos. Este insight levou-me a trabalhar na minha autenticidade, algo que considero essencial, especialmente na minha futura carreira em gestão de equipas. Como futuro gestor, o livro inspirou-me a ver a disciplina não apenas como uma ferramenta de produtividade, mas como uma forma de cultivar resiliência e propósito. A Regra 9 (“Presuma que a pessoa com quem você está falando sabe algo que você não sabe”) reforçou a importância de ouvir ativamente, algo que vou aplicar especialmente em contextos de mediação de conflitos ou formação de equipas.

Escrever esta resenha foi um exercício de reflexão e criatividade. Organizar ideias complexas de forma clara e pessoal ajudou-me a melhorar as minhas competências de escrita e pensamento crítico, que serão valiosas na minha carreira. Este processo de reflexão também me fez perceber o impacto que os livros podem ter na transformação de perspetivas e comportamentos. Senti-me desafiado, inspirado e grato durante esta jornada, e espero que esta resenha motive outros a explorar 12 Regras para a Vida.

Sobre o Autor

Nome: Nuno Gonçalves
Email: nuno-goncalves@outlook.com
Sou estudante de Gestão de Turismo no ISMAT. Acredito que a liderança começa com a autocompreensão e tenho interesse em explorar ideias que promovam crescimento pessoal e resiliência. Gosto de aprender sobre como as pessoas lidam com desafios e de aplicar esses conhecimentos ao meu desenvolvimento.
Apesar da agenda intensa, tento aproveitar cada oportunidade para refletir e desenvolver as minhas competências, com o objetivo de cultivar uma liderança mais autêntica e eficaz.

Referências

Bass, B. M. (1990). From transactional to transformational leadership: Learning to share the vision. Organizational Dynamics, 18(3)

Kotter, J. P. (1996). Leading change. Harvard Business School Press

Peterson, J. B. (2018). 12 rules for life: An antidote to chaos. Random House Canada

ISMAT – Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. (2025). https://www.ismat.pt/pt

Jordan B. Peterson Official Website. (2025). https://www.jordanbpeterson.com/

Citação

Caro/a Leitor, para citar esta Book Review, use esta referência final:
Gonçalves, N. (2025). 12 Regras para a Vida – Um Antídoto para o Caos: Uma Book Review ao Livro de Jordan Peterson. Book Review Orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de ‘Técnicas de Liderança e Comunicação’. ISMAT-Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. Disponível em: 
https://desenvolvimento-organizacional.blogspot.com/2025/05/12-regras-para-a-vida.html

Queijo em Movimento: A Arte de Crescer com a Mudança - Book Review By Inês Barbudo

 

RESUMO

No labirinto das nossas vidas pessoais e profissionais, estamos constantemente em busca daquilo que nos traz satisfação, segurança e sentido — aquilo que Spencer Johnson metaforicamente chama de “queijo”. Em Quem Mexeu no Meu Queijo?, essa metáfora simples é usada com precisão para retratar o impacto da mudança sobre as nossas rotinas, escolhas e mentalidades. A narrativa curta e despretensiosa esconde um poder transformador que vai muito além do que aparenta à primeira vista. Ao longo desta resenha crítica, explorarei o impacto desta obra no meu desenvolvimento pessoal e profissional, a sua ligação com os conteúdos da UC Técnicas de Liderança e Comunicação, e as razões pelas quais acredito que este livro deve ser leitura obrigatória para qualquer gestor.

SOBRE O AUTOR

Spencer Johnson, médico e escritor norte-americano, construiu uma carreira baseada em comunicar mensagens complexas através de histórias simples. Reconhecido por co-autorizar O Executivo Minuto, Johnson soube traduzir os desafios da liderança, da tomada de decisão e da adaptação às mudanças de forma acessível. Quem Mexeu no Meu Queijo?, publicado em 1998, tornou-se um fenómeno global exatamente por tocar num tema universal: o desconforto com a mudança.

Num mundo que se transforma a uma velocidade vertiginosa, essa pequena parábola continua mais atual do que nunca.

RESUMO

O enredo gira em torno de quatro personagens — dois ratos (Sniff e Scurry) e dois duendes (Hem e Haw) — que vivem num labirinto em busca de queijo. O queijo representa aquilo que valorizamos: emprego, amor, segurança, saúde, reconhecimento. Quando o queijo que todos encontraram desaparece, as reações divergem.

Sniff e Scurry, guiados pelo instinto, saem imediatamente à procura de novo queijo. Já Hem e Haw, que representam a racionalidade e a complexidade emocional humana, reagem com medo e negação. Haw, no entanto, aprende com o processo e começa uma jornada de adaptação, superando o medo e mudando de atitude.

A estrutura do livro é inteligente e eficaz. Após a parábola, há uma conversa entre antigos colegas de escola refletindo sobre a história e sobre como ela se aplica às suas vidas. Este recurso de metanarrativa ajuda o leitor a consolidar os aprendizados e identificar-se com diferentes perspetivas. A grande força da obra está na sua capacidade de provocar autorreflexão sem parecer prescritiva. Johnson não nos diz o que fazer; ele mostra possibilidades. O leitor, então, reconhece-se nas personagens e tira as suas próprias conclusões. 

Durante a leitura, percebi que em muitas fases da minha vida fui como Hem — resistente à mudança, agarrado ao que me era familiar. Senti medo de abandonar “queijos” que já não existiam, ou que já não tinham o mesmo sabor. Como Haw, só depois de refletir e aceitar o desconforto é que consegui mudar. Esta identificação pessoal foi um dos elementos mais marcantes desta leitura: não é apenas uma fábula sobre mudança, é um espelho que nos convida a encarar as nossas próprias zonas de conforto. 

 

RELAÇÃO DO LIVRO

COM OS CONTEÚDOS DA UC 

 

Esta obra tem uma ligação direta com vários temas discutidos na unidade curricular de Técnicas de Liderança e Comunicação [Gestão do Turismo (ISMAT)] - 2024/2025. O comportamento de Hem, por exemplo, ilustra perfeitamente o conceito de resistência à mudança. Segundo Kotter e Lewin, muitas pessoas passam pelas fases da mudança de forma lenta e dolorosa, começando com a negação e o medo, até chegarem à aceitação. Haw passa por esse ciclo, demonstrando que a mudança é também um processo psicológico e emocional. Já Sniff e Scurry encarnam a ideia de agilidade e adaptabilidade — competências cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho atual. 

O modelo de Lewin — Unfreeze, Change, Refreeze — é claramente visível no comportamento de Haw. Primeiro ele descongela a sua visão de mundo, depois muda e por fim “recongela” uma nova postura mais aberta e positiva. Esta transformação está em perfeita sintonia com o que se espera de profissionais em contextos organizacionais voláteis. A inteligência emocional, conceito central no trabalho de Daniel Goleman, também se aplica aqui: Haw desenvolve autoconsciência, autogestão e motivação — pilares emocionais que sustentam a sua mudança de atitude. 

No ambiente empresarial, a leitura deste livro pode ser usada como ferramenta de sensibilização para equipas em processo de mudança. A metáfora do queijo é tão simples que permite discussões profundas sem resistência, o que é valioso em contextos onde a mudança é inevitável, mas temida. Em processos como reestruturações, fusões ou transições tecnológicas, esta obra pode ser um ponto de partida para debates sobre comportamento organizacional, liderança e cultura. 

Ao refletir mais profundamente, compreendi também que o “queijo” não é apenas aquilo que queremos alcançar, mas também aquilo que precisamos desaprender. Muitas vezes, a resistência à mudança vem de crenças limitadoras que cultivamos ao longo do tempo. A história de Haw mostra como reescrever a própria narrativa é essencial para o crescimento. A escrita que ele deixa nas paredes do labirinto funciona como lembrete: "O que você faria se não tivesse medo?", "Cheire o queijo com frequência para saber quando ele está ficando velho" — são frases que, embora simples, ressoam com força. 

Outra reflexão importante diz respeito ao papel da liderança na gestão da mudança. Embora o livro não trate diretamente de liderança, é evidente que Haw se torna um líder simbólico quando decide mudar. Mesmo sozinho, ele deixa pistas para Hem, esperando que este também encontre coragem. Esta atitude revela que liderar é muitas vezes abrir caminhos para os outros, mesmo sem garantias de que nos seguirão. Essa ideia é particularmente relevante para gestores de recursos humanos, cujo papel não é apenas operacional, mas profundamente humano e inspirador. 

A cultura organizacional também é representada pelo labirinto. Em contextos empresariais, o labirinto pode ser rígido ou flexível, escuro ou iluminado, cheio de sinalizações ou confuso. Uma empresa que proporciona um ambiente onde os colaboradores se sentem seguros para errar, aprender e tentar de novo está a facilitar a busca por novos queijos. Por outro lado, ambientes controladores, tóxicos ou indiferentes fazem com que muitos Hem se tornem permanentes. Assim, esta obra pode ser lida também como uma crítica à rigidez de muitas estruturas organizacionais. 

  

OPINIÃO DA LEITORA 

Escolhi este livro por recomendação de colegas e pela sua fama internacional, mas confesso que o subestimei inicialmente. A sua aparência simplista não revelava, à primeira vista, a profundidade da sua mensagem. No entanto, à medida que lia, fui surpreendida pela clareza com que aborda temas tão complexos como medo, mudança, identidade e crescimento. Foi como ouvir uma verdade óbvia que ignoramos por conveniência: o queijo sempre acaba. A verdadeira questão é — o que fazemos depois? 

Enquanto estudante de Gestão do Turismo, este livro deixou marcas profundas na forma como vejo a mudança. Percebo agora que o maior desafio não é implementar novas políticas, mas lidar com emoções, crenças e expectativas. A resistência à mudança não é um defeito; é uma resposta humana. Mas cabe aos líderes e profissionais da área criar contextos que favoreçam a confiança, a aprendizagem e o movimento. Quem Mexeu no Meu Queijo? oferece, com simplicidade, um guia emocional para esse caminho. 

Em termos práticos, pretendo usar os ensinamentos deste livro no futuro ao facilitar formações, liderar equipas ou intervir em processos de mudança organizacional. Quero lembrar-me sempre de observar quem são os “Hems”, os “Haws” e os “Sniffs e Scurrys” à minha volta — não para os rotular, mas para melhor compreender e apoiar. Esta metáfora acompanhar-me-á como uma lente adicional para interpretar o comportamento humano em ambientes em transformação. 

 


 

CONCLUSÃO 

Concluo esta resenha sentindo-me grata por ter escolhido este livro. Ele não só atendeu às exigências académicas da UC, como também me ofereceu ferramentas de reflexão pessoal e profissional. O “queijo” pode mudar de forma, sabor ou localização, mas a nossa capacidade de adaptação será sempre o verdadeiro segredo para continuar a avançar no labirinto. 

 

SOBRE MIM

Sou estudante de Gestão do Turismo no ISMAT, com algum interesse em desenvolvimento organizacional e psicologia positiva. Acredito na aprendizagem contínua e na importância de contar boas histórias para gerar mudança. 

 

Referências Bibliográficas

 

ISMAT - https://www.ismat.pt/pt/ 

PÁGINA OFICIAL DO AUTOR - https://www.wook.pt/autor/spencer-johnson/24252?srsltid=AfmBOoof8jpucO1HcjIg-qxzpA96t_qttO2y_5RGa9XannPYD1lMP-u5 

 Johnson, S. (1998). *Quem Mexeu no Meu Queijo?* Rio de Janeiro: Record. 

Lewin, K. (1951). *Field Theory in Social Science*. Harper & Row. 

Goleman, D. (1995). *Inteligência Emocional*. Lisboa: Temas e Debates. 

 

 

Para Citar esta Book Review, usar: 

Barbudo,I. (2025). Queijo, Mudança e o Labirinto da Vida – Uma Book Review do Livro "Quem Mexeu no Meu Queijo?". Book Review Orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de ‘Mudança e Desenvolvimento Organizacional’. ISMAT-Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes.  

Disponível em: [INSERIR LINK DO BLOG AQUI] 

 

segunda-feira, 5 de maio de 2025

O Sentido que nos move – Book Review ao Livro Ikigai por Daniel Duarte



Licenciatura em Gestão de Empresas - Ano Letivo 2024/2025

UC: Técnicas de Negociação, Liderança e Motivação - 2º Ano - 2º Semestre

Docentes: Patrícia Araújo




Ikigai: Viva bem até aos cem




Fig. 1 - Capa do livro "Ikigai"






Discente: Daniel Duarte - a22402925




Biografia dos Autores

Héctor García é um engenheiro e escritor espanhol morador no Japão, conhecido por explorar temas ligados à cultura japonesa, produtividade e bem-estar. Francesc Miralles, também espanhol, é escritor, jornalista e especialista em psicologia e espiritualidade. Juntos, embarcaram numa jornada à ilha de Okinawa para descobrir o segredo das pessoas mais longevas do mundo – e encontraram no conceito japonês de ikigai o fio condutor para uma vida plena.



Fig 2. Héctor Garcia e Francesc Miralles


Resumo e Ideias Principais

O livro Ikigai: Viva bem até aos cem de Héctor Garcia e Francesc Miralles, é uma obra que combina investigação científica, sabedoria oriental e relatos reais numa jornada inspiradora à procura do propósito de vida. O conceito de ikigai, de origem japonesa, significa literalmente “razão para viver” ou “aquilo que faz a vida valer a pena”. No centro deste conceito estão quatro grandes dimensões: aquilo que amamos, aquilo em que somos bons, aquilo de que o mundo precisa e aquilo pelo qual podemos ser pagos.

Os autores viajam até à ilha de Okinawa, mais concretamente à aldeia de Ogimi, conhecida por ter a maior concentração de centenários do mundo. A partir de entrevistas com os habitantes locais e observações sobre o seu estilo de vida, os autores identificam vários fatores que contribuem para uma vida longa, saudável e feliz: uma alimentação leve e rica em vegetais, o exercício físico suave e regular (como a jardinagem ou caminhadas), fortes laços sociais e comunitários, e, sobretudo, a existência de um ikigai bem definido.

 Ao longo do livro, é possível observar como o sentido de propósito atua como um motivador intrínseco poderoso. As pessoas que vivem em Ogimi não se reformam nem param de trabalhar; simplesmente adaptam o seu ritmo e continuam a exercer as atividades que as apaixonam e que beneficiam a comunidade. Há uma ligação clara entre a longevidade e o facto de estas pessoas se sentirem úteis e integradas.

Outro ponto relevante do livro é a gestão das emoções. Através da prática da atenção plena (mindfulness), do estoicismo e da filosofia japonesa do wabi-sabi (aceitação da imperfeição), os autores reforçam que o bem-estar não depende de grandes conquistas externas, mas sim da capacidade de viver o presente com equilíbrio e significado. O livro destaca ainda o conceito de flow — o estado de imersão total numa atividade — como uma via para o ikigai e o bem-estar psicológico.

Assim, Ikigai não se apresenta apenas como uma teoria de bem viver, mas como um verdadeiro convite à ação, propondo que cada um descubra as suas próprias motivações profundas, redefina a sua ideia de sucesso e incorpore hábitos que promovam um propósito duradouro.



Fig. 3 - Diagrama Ikigai

Opinião Pessoal e Reflexão Crítica

Ao contrário de muitos livros de autoajuda, Ikigai não promete fórmulas mágicas, mas sim uma mudança de perspetiva. É uma narrativa inspiradora e quase meditativa, como um convite à introspeção.

A força deste livro é a sua simplicidade que nos convida a abrandar, a valorizar os detalhes, e a repensar a forma como definimos o sucesso e propósito. Para mim, a leitura inspirou-me a praticar hábitos sustentáveis para que possa ter uma vida longa e saudável.


Relação com a Unidade Curricular (UC) de Motivação e Liderança

A ligação entre Ikigai e os conteúdos da unidade curricular de Motivação e Liderança é profunda e enriquecedora. A começar pelo entendimento da motivação humana: enquanto muitas teorias tradicionais, como a de Maslow, abordam a motivação a partir de necessidades hierárquicas, o conceito de ikigai apresenta uma visão mais holística e circular do propósito, tocando simultaneamente a autorrealização, a contribuição social e a sustentabilidade pessoal.

Na perspetiva organizacional, o ikigai pode ser visto como uma ferramenta estratégica para líderes que pretendem alinhar os objetivos da empresa com as motivações individuais dos colaboradores. Quando um líder compreende o que move cada membro da sua equipa — o seu “porquê” pessoal — é possível criar um ambiente de trabalho onde todos sentem que fazem parte de algo maior, com clareza de sentido e direção. Este tipo de liderança inspiradora contribui não só para o aumento do bem-estar individual, como também para a retenção de talento, o engajamento e o desempenho coletivo.

Além disso, o livro reforça princípios de liderança transformacional: os líderes que cultivam o seu próprio ikigai tornam-se exemplos autênticos, capazes de inspirar pela ação e pelo propósito. Tal como os habitantes de Ogimi lideram as suas vidas com simplicidade, coerência e entusiasmo, os gestores e líderes organizacionais podem aprender a ser facilitadores de crescimento pessoal e profissional, promovendo ambientes psicologicamente seguros, baseados na empatia e na escuta ativa.

Em suma, Ikigai é uma leitura essencial para qualquer futuro gestor ou líder que deseje compreender melhor o fator humano nas organizações e aprender a inspirar equipas a partir de dentro — através da motivação intrínseca, do propósito partilhado e da liderança com sentido.


Links Relevantes

Site oficial do ISMAT: https://www.ismat.pt

• Página do autor Héctor Garcia: https://www.ikigai.guru

• Artigo sobre o conceito de Ikigai na PositivePsychology: https://positivepsychology.com/ikigai


Experiência como Leitor e Reviewer

Escolhi este livro por estar numa fase de questionamento sobre o futuro profissional e pessoal. A leitura foi reconfortante e transformadora – fez-me perceber que a pressa constante não é sinónimo de progresso, e que a busca por propósito é um processo contínuo.

Enquanto futuro gestor, este livro recorda-me da importância de promover ambientes de trabalho onde as pessoas possam expressar o seu ikigai. E como pessoa, inspirou-me a simplificar e viver com mais presença.


Sobre Mim

Sou estudante de Gestão de Empresas no ISMAT, apaixonado por desenvolvimento pessoal. Acredito que grandes mudanças começam com hábitos diários que provêm de pequenos passos conscientes.

Email: daniel.duarte.04@hotmail.com


Referências (Norma APA)

Garcia, H., & Miralles, F. (2016). Ikigai: Viva bem até aos cem.

Editora: Porto Editora.

PositivePsychology.com. (n.d.). What is Ikigai?. Disponível em: https://positivepsychology.com/ikigai

Site oficial do ISMAT. (n.d.). Disponível em: https://www.ismat.pt



Caro/a Leitor, para Citar esta Book Review, use esta referência final:


Duarte, Daniel. (2025). O Sentido que nos move – Book Review ao Livro Ikigai. Book Review orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de ‘Motivação e Liderança. ISMAT-Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. Disponível em: 
https://desenvolvimento-organizacional.blogspot.com/2025/05/book-review-livro-ikigai-daniel-duarte.html

O Caminho Para a Liberdade Financeira- Book Review de "Pai Rico, Pai Pobre

                                                                                                                            Gestão de Recurs...