terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Entre a Dor e a Superação- Book review por Gonçalo Perry, Do livro de David Goggins



Book Review: “Can’t Hurt Me: Master Your Mind and Defy the Odds”

“O homem mais duro do planeta.” — Outside Magazine





Introdução e contexto biográfico

David Goggins é um  ex-militar das Forças Armadas dos Estados Unidos e atleta de ultra-resistência, é amplamente reconhecido como "o homem mais duro do planeta". 

A sua história é marcada por uma infância vivida num ambiente profundamente instável e abusivo na Paradise Road, East Amherst, New York.  Desde cedo o jovem David, a mãe e o irmão sofreram abusos físicos e psicológicos por parte do seu pai, que estava envolvido em atividades criminosas, incluindo administrar bares e prostituição, e era violento e alcoólatra. Para além destes abusos Goggins foi vítima de exploração infantil, onde era explorado pelo próprio pai nas suas pistas de patinagem, muitas vezes até de madrugada e mal alimentado ou sem comer.  A violência e os abusos aumentaram ao ponto da sua mãe decidir deixar o ambiente abusivo, fugindo com Goggins. 

Viveu em situação de pobreza, enfrentou racismo diariamente e ameaças de morte derivadas ao tom da sua pele e tinha graves dificuldades de aprendizagem. Apesar destes desafios, a mãe de David trabalhou incansavelmente, mantendo vários empregos para sustentar a família.  No entanto, a maior tragédia aconteceu quando o noivo da mãe, foi assassinado, deixando David à deriva na sua adolescência.

Passado alguns anos, vê-se a pesar 135 kg e a trabalhar num emprego sem futuro a pulverizar baratas. O Turning point aconteceu através de uma decisão radical, inspirada pelos Navy SEAL’s, ao ver um anúncio decidiu mudar o rumo da sua vida, o desafio auto-imposto parecia impossível, mas Goggins estabeleceu um compromisso inquebrável consigo mesmo e em apenas três meses perdeu 48kg e iniciou o treino militar mais exigente do mundo. Goggins foi o único homem a completar os três programas de elite das Forças Armadas Americanas (Navy SEALs, Army Rangers e Air Force Tactical Air Controller), tornou-se também ultramaratonista, triatleta, em que realizou feitos como correr 330 km sem parar em 39 horas, e recordista mundial de elevações ao fazer 4.000 elevações em 24 horas. 

Suportou três semanas infernais, o exaustivo treino de 130 horas, projetado para quebrar e destruir mentalmente os candidatos. Apesar de lesões e contratempos, incluindo fraturas por stress e pneumonia, David perseverou e formou-se à terceira tentativa. Sendo assim, a obra explora como transformar dor, fracasso e sofrimento em combustível para o crescimento pessoal.






Uma análise do trabalho

O livro gira em torno da jornada de autotransformação de Goggins e apresenta dez desafios práticos, fundamentados na disciplina e na responsabilidade radical. Sendo estes:

  • Estabelece comprometimento contigo mesmo
  • Assume responsabilidades
  • Enfrenta o desconforto 
  • Busca a excelência 
  • Visualiza o sucesso 
  • Remove limitações mentais 
  • Aumenta a autoconsciência 
  • Procura o crescimento contínuo 
  • Aprende com as falhas

Todo o livro reside no conceito de "calejar a mente" (callusing the mind). Tal como o nosso corpo ganha calos com o esforço físico, a mente fortalece-se ao enfrentar dificuldades repetidamente. Goggins argumenta que a sociedade moderna procura conforto imediato, mas o verdadeiro desenvolvimento ocorre através do sofrimento voluntário. Através do desconforto e sofrimento voluntário Goggins aprendeu e moldou uma mente inquebrável, uma mente blindada.

Um dos princípios mais marcantes é a "Regra dos 40%". Segundo o autor, o nosso cérebro autolimita-nos a nível físico e mental a apenas cerca de 40% da nossa capacidade total; os restantes 60% estão ocultos pela mente que tenta proteger-nos do desconforto. 

Outra ferramenta apresentada no livro é o "Pote dos Biscoitos" (Cookie Jar), uma metáfora para armazenar vitórias passadas e obstáculos superados, que servem de combustível motivacional em momentos de crise. Ou seja, quando o autor está em baixo, estimula-se e motiva-se a relembrar vitórias e feitos passados.

Outra ferramenta é o "Espelho da Responsabilidade" (Accountability Mirror), baseia-se numa prática de autocrítica radical onde o indivíduo confronta-se com as suas verdades, mesmo que duras, assim assume total responsabilidade pelos seus resultados, sem qualquer tipo de  vitimização. 



Análise crítica

A obra de David Goggins destaca-se pela sua abordagem direta e pragmática no que toca à motivação humana. Goggins traça uma distinção clara entre o prazer imediato (picos de dopamina de curta duração associados ao conforto) e a satisfação duradoura (resultante do esforço e disciplina). A sua filosofia desafia a chamada "hedonic treadmill", ou adaptação hedónica que sugere que o bem-estar sustentável não advém de reforços externos, mas sim de um sistema interno de autorregulação. Segundo Goggins o prazer imediato está associado a como referido anteriormente, picos de curta duração de dopamina, que dá prazer curto e momentâneo ao indivíduo, o que leva à necessidade de novas doses, tratando-se assim de uma “droga” devido ao curto período de atuação e êxtase paranormal. Por outro lado a satisfação duradoura advém do esforço, disciplina e superação, que gera uma sensação duradoura de competência e orgulho. Esta reforça o sentido de propósito e de identidade e mantém os níveis de bem estar psicológico estáveis, como referido anteriormente esta satisfação não advém de reforços externos, mas sim de um sistema interno de autorregulação.

Embora a sua abordagem possa parecer extrema, ela alinha-se com conceitos como o locus de controlo interno. O "Espelho da Responsabilidade" que Goggins propõe não é uma ferramenta de auto depreciação, mas sim um exercício de honestidade brutal, necessário para o nosso crescimento.

 A principal crítica que se pode fazer reside na intensidade do seu método, que pode ser interpretada como excessiva para pessoas com perfis menos resilientes. No entanto, a mensagem central é de empoderamento, Goggins afirma que ninguém nos vai salvar; o nosso progresso e sucesso, depende exclusivamente das nossas ações. Goggins demonstra que a verdadeira satisfação vem da dor transformada em conquista, e não do prazer imediato e assim oferece um contraponto importante e necessário à cultura do facilitismo.






Integração com temas da UC: Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional

O trabalho de Goggins possui uma convergência teórica com os princípios do Desenvolvimento Organizacional especificamente no que diz respeito à motivação intrínseca e à criação de culturas de alta performance. A sua filosofia alinha-se de forma clara com a Teoria da Autodeterminação (Deci & Ryan), que postula que a motivação sólida e duradoura nasce da Autonomia e Competência. Goggins personifica esta autonomia radical e a busca incessante por competência através dos desafios a que ele se auto impõe, ou seja que o mesmo se obriga a realizar.

No contexto organizacional, a "Regra dos 40%" e a procura pelo desconforto estão intimamente ligadas com o estado de Flow (Csikszentmihalyi),  onde o desenvolvimento pessoal e profissional acontece na fronteira entre as capacidades existentes e os desafios propostos. Além disso, a mentalidade de Goggins exemplifica o Modelo PERMA de Seligman, focando-se no Achievement (Realização) e Meaning (Propósito) em detrimento de emoções positivas e superficiais. 

Para a gestão de RH e intervenção organizacional, a mensagem é: as organizações que fomentam disciplina, autonomia e os desafios equilibrados constroem um bem-estar mais sustentável do que aquelas que dependem apenas de "picos" de motivação extrínseca. O método PDCA (Plan-Do-Check-Act) é evidente na sua rotina diária de revisão e ajuste de objetivos, ao utilizar o "Espelho da Responsabilidade", usado assim como ferramenta de feedback e melhoria contínua  




Reflexão pessoal

Eu já tinha lido este livro, porém como trata-se de um dos meus livros preferidos e acredito no poder de mudança do conteúdo do mesmo, decidi trazer para a aula pois num mundo cada vez mais voltado para o conforto e a gratificação instantânea, senti a necessidade de compreender e mostrar os mecanismos da verdadeira resiliência mental.

A leitura deste livro foi verdadeiramente impactante, pois desconstruiu a crença de que o talento é inato. Ao longo do livro Goggins prova de forma convincente, que a resiliência mental, a que ele chama de "mente blindada", pode ser desenvolvida através de treino e prática. A ferramenta das "Verdades no Espelho" teve um grande impacto em mim. Apercebi-me de que, frequentemente,criamos narrativas de proteção para justificar os nossos insucessos e limitações.

A aplicação destes conceitos na minha futura prática profissional passa essencialmente, por reconhecer que a liderança começa com a autoliderança, ou seja o líder antes de tudo, deve saber liderar-se a si mesmo. 

A autoconsciência e a capacidade de gerir o desconforto são, a meu ver, competências cruciais para qualquer gestor que deseje inspirar as suas  equipas. Reconheço também que o verdadeiro sucesso na gestão de pessoas não reside em eliminar todos os obstáculos que a equipa enfrenta, mas em capacitá-la para superar esses obstáculos, através de um mindset de crescimento contínuo onde a falha é vista como uma oportunidade de desenvolvimento e aprendizagem, e não como um fracasso definitivo









Conclusão

"Can’t Hurt Me" é muito mais do que um relato de feitos físicos extraordinários; é um tratado sobre o potencial inexplorado da mente humana. David Goggins ensina-nos que a dor é inevitável, mas o sofrimento é uma escolha opcional que pode ser canalizada para a transformação.

A mensagem deste livro é intemporal: "Quando pensares que já deste tudo, ainda tens 60% por descobrir". 

No contexto organizacional e da vida, a obra relembra-nos que a verdadeira liderança e o bem-estar não se encontram na zona de conforto e que a disciplina, a responsabilidade e a recusa em aceitar a mediocridade são as chaves para desbloquear o nosso verdadeiro potencial. Sendo assim, Goggins desafia-nos a deixar de ser vítimas das circunstâncias e a tornarmo-nos o personagem principal a da nossa história.















goncaloperry@gmail.com
O meu nome é Gonçalo Perry da Câmara, atualmente estudo no Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (ISMAT) na licenciatura de Gestão de Recursos Humanos, tenho um grande interesse na psicologia da performance e superação pessoal. Acredito que a disciplina é a base de qualquer sucesso duradouro. Pratico desporto regularmente e vejo na atividade física um paralelo para os desafios profissionais: a consistência supera a intensidade.

Escolhi o livro porque acredito que, para ser um bom gestor de RH, é fundamental compreender os limites da mente humana e como a motivação intrínseca pode ser cultivada para alcançar resultados de excelência, tanto a nível individual como organizacional. 

Motivo-me a ser todos os dias, melhor do que fui ontem. 




Referências

Goggins, D. (2018). Can't Hurt Me: Master Your Mind and Defy the Odds. Lioncrest Publishing.

Deci, E. L., & Ryan, R. M. (2000). The "what" and "why" of goal pursuits: Human needs and the self-determination of behavior. Psychological Inquiry.

Seligman, M. E. P. (2011). Flourish: A Visionary New Understanding of Happiness and Well-being. Free Press.

Dweck, C. S. (2006). Mindset: The New Psychology of Success. Random House.

Goleman, D. (1995). Emotional Intelligence. Bantam Books.

Csikszentmihalyi, M. (1990). Flow: The Psychology of Optimal Experience. Harper & Row.



Caro/a Leitor, para Citar esta Book Review, use esta referência final:

Perry, G. (2025). A Mente Blindada – Da Vitimização à Superação. Book Review orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de 'Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional'. ISMAT - Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes.

sábado, 10 de janeiro de 2026

O Monge que vendeu sua Ferrari – Book Review Por gonçalo Miguel


 O Monge que vendeu sua Ferrari – Book Review


O Monge que vendeu sua Ferrari by Robin Sharma | Goodreads



Biografia do Autor

Robin Sharma é um escritor Canadense, nascido em 1964, licenciado em Direito e antigo advogado de litígio. Após o sucesso do seu primeiro livro, Megaleadership, Sharma tornou-se um dos mais reconhecidos especialistas mundiais no que envolve a liderança e o crescimento pessoal. É fundador da “Sharma Leadership International” e autor de best sellers como “The Leader Who Had No Title” e “The 5am Club”. A sua filosofia baseia-se na ideia de que todos podem exercer liderança e viver de forma significativa, independentemente da sua posição profissional.


5 Writing Lessons from Robin Sharma - Writing Tips Oasis - A website  dedicated to helping writers to write and publish books.



Sumário do Livro

“O Monge que vendeu sua Ferrari”, escrito por Robin Sharma (2007), é um clássico contemporâneo do desenvolvimento pessoal que transcende a categoria de autoajuda e torna-se um guia filosófico sobre propósito, equilíbrio e auto-liderança. A obra faz uma narrativa da jornada de Julian Mantle, um advogado de sucesso, que após um colapso físico e espiritual, abandona a vida de luxo para procurar a verdadeira felicidade nos Himalaias (Sharma, 2007). Através desta obra o autor convida o leitor a refletir sobre aqueles que são os valores que regem a nossa vida, questionando o conceito moderno de sucesso. Esta book review tem como objetivo analisar criticamente a mensagem do livro, relacionando-a com os temas lecionados na UC de MIDO, nomeadamente no que toca ao desenvolvimento humano, à liderança transformacional e à aprendizagem organizacional. 

O livro é estruturado em formato de fábula. Julian Mantle, que era um advogado de poderoso e milionário, sobre um enfarte durante um dos seus julgamentos, consequência de uma vida que é dominada pelo stress e pela ambição material. (Sharma, 2007). Ao recuperar desse incidente, toma a decisão de vender todos os seus bens, incluindo o Ferrari, e viajou para a Índia, onde conhece os “Sábios de Sivana”. Através dos ensinamentos destes monges, Julian descobre princípios universais para uma vida plena, tais como, autodisciplina, domínio da mente, cultivo da simplicidade e serviço aos outros. (Sharma, 2007).  


Análise Crítica

Os ensinamentos são transmitidos através de uma parábola central, como a do “jardim” do “farol” e do “lutador de sumo”, que simbolicamente representam a mente e aquilo que são os objetivos de autossuperação. O livro apresenta sete virtudes para o despertar pessoal, entre elas destaca-se o domínio da mente, o propósito da vida, a prática da disciplina, o tempo como o bem mais precioso e a importância de viver com compaixão e gratidão (Sharma, 2007). A mensagem transmitida é simples, mas que traz consigo uma profundidade simbólica que convida e conduz o leitor à introspeção. 

Fazendo uma análise crítica do livro, o autor combina espiritualidade oriental com pragmatismo ocidental, tornando assim o texto acessível e mais inspirador. A narrativa, embora alegórica, tem um forte poder transformador, pois convida o leitor a confrontar a superficialidade das metas profissionais e a redescobrir o significado da vida. O estilo da narrativa é fluído, com linguagem motivacional, mas que não perde a sua densidade filosófica. 

Do ponto de vista literário, a escrita é por vezes redundante e previsível, e as personagens servem mais como veículos de ideias do que como figuras com profundidade psicológica. No entanto, a força desta obra não está na estrutura da narrativa, mas sim na mensagem de transformação interior que a mesma propõe. É uma leitura que dialoga com a crise existencial típica do mundo moderno e que oferece ferramentas práticas para reconquistar aquilo que é a serenidade e a autodeterminação (Mindvalley, 2024). 

Em termos de relevância académica, esta obra, complementa as teorias de gestão do desenvolvimento organizacional com uma perspetiva mais humanista. A ideia de que o verdadeiro sucesso começa no autodomínio e na autoconsciência é central para a formação de líderes éticos e equilibrados, valores que são defendidos também nesta Unidade Curricular. 

A transformação de Julian Mantle no livro ilustra de maneira explícita os princípios fundamentais da mudança planeada e do desenvolvimento organizacional estudados na UC. A trajetória do protagonista, refletindo dinâmicas segue o processo emocional típico que acompanha qualquer transformação profunda, refletindo as dinâmicas internas que explicam porque a mudança, mesmo necessária, é frequentemente acompanhada por resistência e desconforto. Ao reconhecer o desgaste do seu estilo de vida, Julian inicia um processo muito semelhante ao diagnóstico organizacional: identifica a disfunção, toma consciência das causas e define uma visão para o estado desejado. A sua mudança é igualmente sustentada por mecanismos de motivação intrínseca, como a procura de propósito, autonomia e maestria – elementos reconhecidos como essenciais para a sustentação de comportamento duradouros e alinhados com o bem-estar. Além disso, todo o seu percurso pode ser interpretado á luz dos modelos de gestão da mudança, nos quais se evidencia a importância de criar urgência, redefinir a visão, remover obstáculos e consolidar novos hábitos até que estes se tornem parte integrante da cultura pessoal. Assim o livro, funciona como uma metáfora prática da mudança eficaz, demonstrando que qualquer processo de renovação, seja ele individual ou organizacional, exige clareza de propósito, disciplina, aprendizagem contínua e uma profunda reconfiguração de valores e comportamentos. 

Este livro apresenta um conjunto de valores e princípios atemporais, tais como a expressão “a mente como jardim que deve ser cuidado diariamente” (Sharma, 2007), que remete para a capacidade de autodomínio de um indivíduo. Outro dos princípios e valores é o propósito, incentivando a viver com metas alinhadas aos valores pessoais de cada pessoa. A disciplina que encoraja o leitor a agir com consistência e responsabilidade. A obra defende também que devemos sempre usar o tempo a nosso favor, ou seja, aproveitar cada minuto de forma consciente. E por fim outro dos valores que o livro evidencia é o serviço aos outros. Viver de modo altruísta, criando um impacto positivo (Mindvalley, 2024). 

Esta visão sobre autodomínio e propósito está alinhada com as abordagens contemporâneas de liderança consciente. A aplicação prática deste conceito desenvolve, foco, clareza mental, e capacidade de decisão ética, qualidades essenciais num contexto organizacional em rápida mudança. (IMD, 2024) (https://www.imd.org/research-knowledge/leadership/case-studies/the-power-and-practice-of-mindful-leadership)

Estes valores são também pilares do desenvolvimento organizacional moderno, em que o capital humano é o motor da mudança. O autoconhecimento e a capacidade de inspirar os outros são competências críticas para os Gestores de Recursos Humanos.


Opinião Pessoal

Do meu ponto de vista, esta obra, não é apenas um livro sobre o sucesso, mas é também um convite àquilo que é a reconciliação com o essencial (Sharma, 2007). A leitura provoca momentos de autocrítica e reflexão sobre o sentido da vida e do trabalho. A simplicidade dos ensinamentos como “cultivar o seu jardim interior” ou “respeitar o tempo como o bem mais precioso”, torna-os aplicáveis à rotina de qualquer pessoa, sobretudo num contexto profissional marcado pela pressão e pela competitividade. 

Como futuro Gestor de Recursos Humanos, percebi ao ler esta obra que liderar não é apenas gerir pessoas, mas sim inspirá-las a evoluir. A mensagem do autor reforça o quão importante é o equilíbrio emocional bem como a motivação intrínseca como base de um clima organizacional saudável. O livro fez me repensar o conceito de sucesso, deixando explicitamente claro que o verdadeiro desenvolvimento começa na consciência individual. Este ponto também é reforçado do artigo “Os 7 Princípios da Autoliderança” de Robin Sharma, publicado pela Mindvalley que contextualiza os ensinamentos do autor na atualidade. 


Experiência como Reviewer

A minha experiência como leitor e reviewer deste livro, faz-me pensar que a escolha deste livro foi realmente uma excelente opção, por sentir que a obra aborda temas profundamente humanos, entre eles, o propósito, a disciplina e a autotransformação, tornando a leitura do livro muito inspiradora. Em vários momentos, identifiquei-me com o protagonista, especialmente na busca entre a ambição e o bem-estar não só físico, mas também mental. Este convida a repensar hábitos, prioridades e formas de encarar o desenvolvimento pessoal.

Como futuro Profissional de RH pretendo aplicar estes ensinamentos no contexto laboral, promovendo ambientes onde o crescimento individual e organizacional se interliguem entre si. Foi uma experiência transformadora que me recordou a importância de cuidar da mente e do espírito com o mesmo empenho que se cuida da carreia. 

Em conclusão, esta narrativa é ao mesmo tempo um manual de sabedoria prática e uma metáfora sobre o reencontro com a autenticidade. O percurso de Julian Mantle mostra que o poder de transformação está dentro de cada um, e que a liderança começa pela gestão de si próprio (Sharma, 2007). A combinação entre espiritualidade, filosofia e desenvolvimento pessoal faz deste livro uma leitura essencial para quem procura alinhar propósito, produtividade e bem-estar. Em suma, (Robin Sharma, 2007) demonstra que “Vender o Ferrari” é um ato simbólico de libertação, uma metáfora para abandonar excesso e reencontrar o essencial. Este livro, é uma obra que, mais do que lido, deverá ser vivido.  




Bibliografia


International Institute for Management Development - https://www.imd.org/research-knowledge/leadership/case-studies/the-power-and-practice-of-mindful-leadership

Mindvalley. (2024). Os 7 princípios da autoliderança de Robin Sharma. https://blog.mindvalley.com/pt

Robin Sharma – Official site. https://www.robinsharma.com

Senge, P. (2006). The fifth discipline: The art and practice of the learning organization. Doubleday.

Sharma, R. (2007). O monge que vendeu a sua Ferrari (G. Zide, Trad.). Fontanar.



Caro Leitor/a para citar esta Book Review, use esta referência final:

Miguel, G. (2025). BOOK REVIEW – O Monge que Vendeu sua Ferrari. Book Review orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de ‘Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional’. ISMAT-Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes.





quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Book Review – Sonhar para Transformar - “Manual para Sonhadores” - Ricardo Marques

 


Sonhar para Transformar - “Manual para Sonhadores”





Breve apresentação da autora

Nathalie Trutmann é uma empreendedora e palestrante reconhecida internacionalmente pela sua atuação nas áreas da inovação, sustentabilidade e desenvolvimento humano. Atuou como diretora de inovação na Hyper Island e esteve envolvida em vários projetos voltados ao empreendedorismo social e corporativo. A autora nasceu na Guatemala, cresceu na Europa e desenvolveu a sua carreira profissional nos Estados Unidos e América Latina, alimentando assim uma visão multicultural e humanista. 

    O seu trabalho é marcado pela convicção de que sonhar não é apenas um ato poético, mas sim estratégico e essencial para liderar transformações pessoais e organizacionais. Manual para Sonhadores surge como um convite a reconhecer e valorizar os sonhos como motores de realização, inovação e impacto.










Resumo do livro

Manual para Sonhadores apresenta-se como uma obra de desenvolvimento pessoal com um enfoque claro no empreendedorismo consciente. A autora organiza o livro em secções que funcionam como etapas para ajudar o leitor a compreender os seus sonhos, refletir sobre os seus medos e agir com autenticidade.

Inicialmente, Trutmann explora o conceito de “sonhador”, desconstruindo a ideia de que sonhar é sinónimo de infantilidade ou utopia. Para ela, sonhar é um ato de coragem e uma ferramenta de liderança. A autora afirma que o medo é um dos principais bloqueios que impedem a realização dos sonhos e propõe exercícios práticos que convidam o leitor a confrontar crenças limitantes.

Ao longo do livro, são apresentados diversos exemplos e reflexões que pretendem ajudar o leitor a alinhar o seu propósito com a sua ação no mundo. A autora enfatiza que “sonhar alto” não significa ignorar dificuldades, mas sim agir apesar delas. Na última parte da obra, Trutmann incentiva o leitor a transformar sonhos em projetos realistas, integrando paixão, coerência e impacto social.

Além disso, o livro recorre a histórias pessoais e a vivências profissionais da autora, promovendo uma leitura envolvente e reflexiva. São sugeridas pequenas atividades de autoavaliação, como “mapa dos sonhos”, “diálogo com o medo” e perguntas-guia para promover clareza e ação.


Análise crítica

O livro apresenta uma linguagem acessível e inspiradora, conseguindo envolver o leitor desde as primeiras páginas. A opção da autora por partilhar situações pessoais contribui para a autenticidade da narrativa, tornando-a mais empática e real. A utilização de exercícios simples é uma mais-valia, pois transforma a leitura numa experiência ativa e introspectiva.

Contudo, algumas secções podem ser consideradas demasiado idealistas, especialmente para leitores inseridos em contextos organizacionais mais tradicionais. A autora sugere mudanças significativas sem apresentar, por vezes, estratégias estruturadas para lidar com sistemas burocráticos ou culturas corporativas resistentes. Apesar disso, compreende-se que o objetivo do livro não é oferecer um manual técnico de gestão, mas sim um guia motivacional para impulsionar transformação interna.

Do ponto de vista de Recursos Humanos, a obra é extremamente relevante, pois reforça a importância do autoconhecimento e da liderança baseada em valores como motores de motivação e desempenho. A abordagem humanizada da autora alinha-se com as tendências atuais de gestão centrada em pessoas, reforçando o papel dos gestores de RH como facilitadores de desenvolvimento.

Considero que um dos contributos mais poderosos do livro é a normalização do erro e do medo como etapas inerentes ao crescimento. A autora enfatiza que sonhar não é suficiente; é necessário transformar sonhos em ações conscientes e persistentes. Essa visão torna o livro útil não apenas para empreendedores, mas para qualquer profissional que deseja evoluir de forma alinhada com a sua identidade e propósito.


Ligação com a Unidade Curricular

A obra estabelece uma clara relação com os conteúdos desenvolvidos na unidade curricular. Temas como autoconhecimento, liderança transformacional, gestão da mudança e desenvolvimento organizacional são abordados implicitamente ao longo do livro. A proposta de Nathalie Trutmann de valorizar os sonhos como ferramentas de transformação pode ser correlacionada com os modelos discutidos na UC, como os processos de intervenção organizacional baseados na promoção do bem-estar e da motivação intrínseca.

A obra reforça a importância do alinhamento entre valores pessoais e objetivos profissionais, sobretudo no âmbito da criação de estratégias de desenvolvimento humano. Desta forma, o livro contribui para uma visão mais humana e ética da liderança e para o papel estratégico dos gestores de RH como agentes de mudança.


Experiência pessoal como leitor e reviewer

Escolhi este livro por estar numa fase de transição e reflexão sobre o meu percurso, tanto pessoal como profissional. A leitura possibilitou-me momentos de introspecção e questionamento sobre as minhas motivações e objetivos futuros enquanto gestor/a de recursos humanos. A mensagem central do livro, “sonhar para agir”, desafiou-me a reconsiderar o papel que atribuo aos meus próprios sonhos no contexto da minha carreira. 

Senti, ao longo da leitura, uma mistura de entusiasmo e desconforto, reconhecendo que muitas vezes condicionou as minhas escolhas com base no medo e não na vontade de evoluir. A autora incentivou-me a valorizar a autenticidade e a importância de agir de acordo com os meus valores. Este livro permitiu-me ampliar a visão sobre liderança e desenvolvimento humano, inspirando-me a integrar uma abordagem mais empática e criativa na minha futura atuação profissional em RH.

Book Review realizada por Ricardo Marques, aluno do 3ª ano de Gestão de Recursos Humanos do ISMAT.

Contacto: xricardomarquesx@gmail.com


Caro/a Leitor, para Citar esta Book Review, use esta referência final:

Marques, Ricardo. (2025). Book Review – Sonhar para Transformar: “Manual para Sonhadores” de Nathalie Trutmann. Book Review Orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de “Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional”. ISMAT - Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes.


Referências Bibliográficas

Trutmann, N. (2013), Manual para Sonhadores.

ISMAT. (2025), Conteúdos da unidade curricular Métodos de Intervenção e Desenvolvimento Organizacional.








Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes: Book review por Leonor Martins

  Mudam-se os Hábitos, Mudam-se os Resultados:   Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Efica zes          https://www.ismat.pt/pt/ Stephen Rich...