quinta-feira, 18 de junho de 2026

Book review: O Pequeno Livro do Ikigai" - POr Ema GUErreiro

 

Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes

Licenciatura em Gestão de Empresas - Ano Letivo 2025/2026

2º ano - 2º semestre

Trabalho no âmbito da UC de Técnicas de Negociação, Motivação e Liderança

Docente: Patrícia Araújo

Ema Teixeira Guerreiro

18 de junho de 2026, Portimão

 Introdução

No âmbito da UC de Técnicas de Negociação, Liderança e Motivação foi me pedido para escolher um livro para leitura e consequentemente apresentar a minha book review à turma, para isso, escolhi “O Pequeno Livro do Ikigai” de Ken Mogi. Um livro que aborda a filosofia japonesa de encontrar o propósito de vida através de 5 pilares fundamentais: 1- Começar pelas pequenas coisas; 2- Libertar-se; 3- Harmonia e Sustentabilidade; 4- A alegria das pequenas coisas; e 5- Viver aqui e agora. Pilares estes fundamentais para uma vida mais longa e feliz. Neste relatório tenho como principal objetivo refletir sobre como os ensinamentos do livro se cruzam com as competências de um gestor no âmbito da liderança, motivação de equipas e processos de negociação.

2. A Descoberta dos Conceitos-Chave 

Ao longo da minha leitura da obra de Ken Mogi, senti maior destaque de aprendizagem em dois dos pilares: o Pilar 4 (A Alegria das Pequenas Coisas) e o Pilar 5 (Viver o Aqui e Agora). Ambos oferecem uma perspetiva revolucionária sobre como valorizamos o esforço e a satisfação quotidiana.

O Pilar 4 explora a neurobiologia por trás dos nossos hábitos. Mogi explica que pequenos rituais prazerosos — como o aroma do café logo de manhã ou a luz solar a entrar pela janela — permitem a libertação de dopamina no cérebro. Este pequeno impulso químico funciona como um motor biológico que nos incentiva a começar o dia. Isto está intrinsecamente ligada ao conceito de Kodawari, que define o orgulho pessoal em realizar qualquer tarefa com o máximo detalhe, independentemente de haver ou não uma recompensa financeira direta. O prazer reside na excelência da execução.

Por sua vez, o Pilar 5 desafia-nos a adotar o "espírito de juventude". O autor recorre à imagem terna de uma criança a gatinhar apressadamente que, ao encontrar um pequeno pedaço de cotão, o aperta com os dedos e o mostra orgulhosamente aos adultos. Esta criança não é sobrecarregada por definições sociais do "eu", por estatutos ou profissões; ela vive no absoluto presente. Manter esta atitude ao longo da nossa vida adulta liberta-nos do ego e aproxima-nos da filosofia budista, onde não existe um sistema de mérito rígido: faz-se por gosto e por paixão, e não pela validação dos outros.

O segredo desta resiliência está no desfrute sensorial puro, definido pela neurociência como Qualia — as propriedades subjetivas da experiência sensorial, como a vermelhidão do vermelho ou a doçura sumarenta de um morango na boca. Ao focarmo-nos na qualia, desapegamo-nos do ego. É este estado de estar no presente, também conhecido por “flow”, que permitiu a figuras como Walt Disney criar impérios criativos de enorme resiliência. Através da chamada "negação do eu", o Ikigai ensina-nos a fazer música mesmo que ninguém a ouça, ou a desenhar mesmo que ninguém veja, transformando o próprio esforço na nossa maior fonte de felicidade.

Ken Moji


3. Reflexão Teórica: Ligação ao Programa da Disciplina

Passar estes conceitos para o universo das organizações permite-nos enriquecer as teorias tradicionais de gestão, oferecendo novas ferramentas para a liderança e motivação de equipas.

3.1. O Ikigai e a Motivaçjão das Equipas

A análise da "negação do eu" e do agir sem esperar recompensas imediatas (Pilar 5) cruza-se diretamente com a Teoria da Autodeterminação de Deci e Ryan. Na gestão moderna, a motivação extrínseca (salários, bónus, prémios) é frequentemente subestimada. Mas ainda assim, as teorias motivacionais demonstram que os incentivos financeiros têm um limite de eficácia e não garantem a lealdade ou a inovação a longo prazo.

O verdadeiro motor da resiliência organizacional é a motivação intrínseca, que nasce da autonomia, e da procura do propósito. Ao incentivar o “Kodawari” nas tarefas diárias, o gestor pode ajudar os seus colaboradores a encontrar valor intrínseco naquilo que fazem. Quando um profissional atinge o estado de flow no seu trabalho quotidiano — focando-se no prazer do processo — a produtividade aumenta e o risco de esgotamento diminui.


3.2. A Liderança Sem Ego (Liderança Autêntica e Servidora)

A libertação do ego (Pilar 2) e o espírito livre da infância (Pilar 5) estão ligados a um tipo de Líder Transformacional. Um líder dominado pela vaidade, pelo estatuto ou pela necessidade constante de reconhecimento tende a criar ambientes autocráticos e centralizadores.

Pelo contrário, um líder que pratica a "negação do eu" coloca o foco no desenvolvimento da sua equipa e no bem comum gera um clima de segurança psicológica, onde o erro é encarado como parte do processo de aprendizagem e os colaboradores sentem-se livres para propor soluções inovadoras. Liderar sem ego significa aceitar que o sucesso do projeto pertence à equipa, enquanto a responsabilidade pelos momentos difíceis é assumida pelo líder.

3.3. Negociação com Foco na Harmonia

O Pilar 3 (Harmonia e Sustentabilidade) dá-nos uma perspetiva muito boa sobre as dinâmicas de negociação comercial e interpessoal. De acordo com o Ikigai, a negociação deixa de ser vista como um jogo onde uma parte tem de perder para a outra ganhar.

Esta visão apoia o modelo de Negociação Integrativa (Win-Win), cujo objetivo é criar valor para todas as partes e preservar as relações a longo prazo. Ao negociar com foco na harmonia social, um gestor procura soluções que garantam a sustentabilidade ecológica, financeira e social do acordo, entendendo que o sucesso de uma parceria depende diretamente da saúde e da satisfação de todas as partes envolvidas.

4. O Impacto na Minha Futura Prática de Gestão 

Apesar de, mesmo sem saber o que era o Ikigai, eu já praticava um pouco destes conceitos na minha vida, mas ainda assim, a leitura desta obra veio para melhorar a minha visão sobre o papel do gestor. Sempre tive a ideia de que quero ser uma gestora que se preocupa com os meus colaboradores, que age para o bem de todos, para além de um conjunto de técnicas frias, métricas de desempenho e processos de controlo rigorosos, e, a leitura deste livro fez me perceber ainda melhor que, o coração de uma organização eficiente bate ao ritmo das suas pessoas e da paixão que colocam no dia a dia.

Compreendi também, melhor que nunca, o conceito de "Gestor com Gosto" e a ciência por trás do contágio emocional. Se eu, enquanto futura gestora, não possuir um gosto genuíno pelo meu trabalho, será quase impossível inspirar a minha equipa. A paixão e o entusiasmo do líder funcionam como um íman emocional. Se encarar a minha função com o brio do Kodawari, esse comportamento será replicado pelos que me rodeiam.

Para a minha futura prática profissional, pretendo adotar três rituais concretos:

  1. Começar pelas coisas pequenas: Dividir os grandes projetos da equipa em micro-metas diárias, celebrando cada pequena vitória para estimular a dopamina coletiva.

  2. Tempo para focar: Para além de momentos para relaxar, bloquear momentos livres de reuniões na nossa agenda para trabalharmos sem interrupções, ajudando toda a gente a concentrar-se e a atingir um estado de flow. 

  3. Desapego do estatuto: Praticar uma liderança de proximidade, ouvindo ativamente o feedback de todos os níveis da organização, sem deixar que o cargo de gestão me afaste da realidade operacional.

5. Conclusão

Concluindo, este livro passa uma perspetiva muito eficaz para a área de Técnicas de Negociação, Motivação e Liderança, mostrando que o sucesso organizacional começa na autenticidade e no propósito individual. Quando um gestor encontra o seu próprio Ikigai e desenvolve um "gosto" genuíno pela sua função, ele contagia positivamente a equipa, promovendo a motivação intrínseca (agir por paixão e não apenas por recompensa) e a busca pela excelência nos detalhes. Ao liderar sem o peso do ego e ao negociar com foco na harmonia e sustentabilidade das relações, o gestor torna-se um líder inspirador, capaz de transformar a rotina corporativa num espaço de resiliência, cooperação e bem-estar coletivo. 

Links/Ligações

https://www.ismat.pt 

Referências Bibliográficas 

  • Bass, B. M. (1985). Leadership and performance beyond expectations. Free Press. 

  • Deci, E. L., & Ryan, R. M. (2000). Self-determination theory and the facilitation of intrinsic motivation, social development, and well-being. American Psychologist, 55(1), 68-78.

  • Mogi, K. (2017). O Pequeno Livro do Ikigai: O método japonês para uma vida longa, saudável e feliz. Jacarandá Editora.

Caro/a Leitor/a, para Citar esta Book Review, use esta referência final:
Guerreiro, E. (2026) Book Review - O Pequeno Livro do Ikigai de Ken Moji Orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de "Técnicas de Negociação, Motivação e Liderança". ISMAT - Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. Disponível em

O principezinho põe a gravata- Book Review por Letícia Gomes







I
SMAT – Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes

Licenciatura em Gestão de Empresas | 2.º Ano

Unidade Curricular: Técnicas de Negociação, Motivação & Liderança

Orientação: Patrícia Araújo




Gravatas que Nunca Escolhemos 


Book Review — O Principezinho Põe a Gravata

Borja Vilaseca













Sobre o Autor

Borja Vilaseca é escritor, filósofo e palestrante espanhol, nasceu em Barcelona em 1981. É licenciado em Jornalismo pela Universidade Autónoma de Barcelona, logo cedo percebeu que o seu verdadeiro caminho não estava na reportagem, mas sim, na exploração das grandes questões da existência humana. Fundou o Instituto Kronos, é uma escola dedicada ao autoconhecimento e à liderança interior, e tornou-se também autor de múltiplos bestsellers sobre o desenvolvimento humano, propósito de vida e transformação pessoal. As suas obras distinguem-se por cruzar, de forma acessível, a filosofia oriental, a psicologia contemporânea e a espiritualidade prática, sempre com o objetivo de ajudar os leitores a encontrarem o seu próprio caminho e autêntico. Para Vilaseca, o autoconhecimento não é um luxo intelectual, é a fundação indispensável de qualquer forma de liderança genuína e de qualquer vida com sentido. 


Sobre o Livro

O Principezinho Põe a Gravata é um romance filosófico claramente inspirado no “O Principezinhode Antoine de Saint-Exupéry, publicado originalmente em Espanha com um grande sucesso nas vendas. A obra narra a história de Marcos, um adulto de meia-idade que, é bem-sucedido, com emprego estável, casa, família e estatuto social, porém sente um vazio inexplicável. Preso numa vida construída à medida das expectativas alheias, Marcos encontra-se num momento de crise existencial silenciosa: segue os rituais do quotidiano como um autómato, usando a gravata todos os dias sem nunca se perguntar porquê.

É neste ponto de inflexão que surge uma figura inesperada,
um rapaz que o confronta com perguntas simples, mas profundamente desestabilizadoras:

Quem és tu realmente?” “O que queres verdadeiramente?” “Porquê a gravata?Inspirado nos diálogos do Principezinho com os habitantes dos diferentes planetas, cada um representando uma forma de alienação adulta. Vilaseca constrói uma narrativa em que Marcos é levado a revisitar as suas escolhas, os seus medos, os seus condicionamentos e os seus sonhos abandonados. O leitor acompanha esta jornada interior num registo simultaneamente literário e reflexivo, onde cada capítulo funciona como um espelho.

A gravata surge como metáfora central e poderosa: representa todos os condicionamentos sociais que aceitamos sem questionar, a carreira que escolhemos para agradar aos pais, os comportamentos que adotamos para sermos aceites, as opiniões que suprimimos para evitar conflitos. Não é apenas um acessório de vestuário, é o símbolo de uma identidade construída de fora para dentro, em vez de dentro para fora. A grande tragédia que o livro denuncia é precisamente esta: crescemos e esquecemos quem somos, substituindo a nossa essência por uma máscara socialmente aprovada. 


Temas Centrais

A Máscara Social e o Conformismo

Um dos temas mais recorrentes e incisivos do livro é a forma como a sociedade molda identidades através da pressão normativa. Vilaseca argumenta que a maioria das pessoas não vive a sua vida, mas a vida que lhe foi prescrita, pela família, pela escola, pela cultura, pelo mercado de trabalho. O protagonista representa esse estereótipo moderno: a pessoa que se adaptou tão bem ao sistema que deixou de saber distinguir o que quer genuinamente daquilo que aprendeu a querer.

Autoconhecimento como Ponto de Partida

Ao longo da narrativa, fica claro que o caminho para uma vida autêntica e para uma liderança genuína começa necessariamente pelo interior. Conhecer as próprias crenças, os medos que nos paralisam e os valores que nos motivam é apresentado como o primeiro e mais indispensável passo. Sem este trabalho de introspecção, qualquer tentativa de liderar outros é superficial e inconsistente. Para aprofundar este tema, a obra de Daniel Goleman sobre Inteligência Emocional (1995) oferece um complemento teórico valioso.

Liderança Humana e Autenticidade

Vilaseca defende que a verdadeira liderança nasce da coerência entre o que se pensa, o que se sente e o que se faz. Liderar os outros exige primeiro liderar a si próprio. Esta ideia dialoga diretamente com o modelo de Liderança Autêntica de Bill George (2003), que sublinha que

os líderes mais eficazes são aqueles que agem em consonância com os seus valores nucleares, independentemente das pressões externas.

Liberdade vs. Condicionamento

O livro questiona quantas das nossas escolhas são realmente nossas, e quantas são apenas reflexos do que aprendemos a desejar. Esta tensão entre liberdade e condicionamento é explorada com subtileza: não há vilões nem vítimas, apenas pessoas que, em algum momento, deixaram de se questionar. É um convite à consciência, não à culpa.

Reflexão Integrativa Ligação à Unidade Curricular

No contexto da Unidade Curricular de Técnicas de Negociação, Motivação & Liderança da Licenciatura em Gestão de Empresas do ISMAT, a obra de Vilaseca oferece contributos particularmente relevantes. Em termos de motivação, o livro ilustra de forma narrativa os princípios da Teoria da Autodeterminação de Deci e Ryan (2000), somos mais motivados, criativos e resilientes quando as nossas ações nascem de valores genuínos e de motivação intrínseca, e não de recompensas externas ou da pressão social.Marcos descobre que o seu vazio interior não é sinal de fracasso, mas de desalinhamento profundo entre quem é e como vive, uma distinção central nos modelos de motivação estudados na UC.

No campo de negociação, o livro promove a consciência emocional como pré-requisito para qualquer interação eficaz. Negociar bem exige reconhecer os próprios enviesamentos, emoções e padrões de resposta automática, competências que o protagonista vai desenvolvendo ao longo da obra e que constituem pilares do negociador íntegro e eficaz. Em termos de liderança, a transformação de Marcos espelha os modelos de mudança pessoal e organizacional abordados nas aulas: resistência inicial, crise de identidade e reintegração num eu mais autêntico e consciente. Como futura gestora de empresas, esta leitura reforçou a minha convicção de que liderar bem começa, inevitavelmente, por liderar a si próprio.

Avaliação Crítica

Pontos Fortes

A narrativa acessível e emocionalmente envolvente facilita a identificação com o protagonista e torna conceitos filosóficos profundos em experiências humanas concretas. A leitura é fluida e não sobrecarrega o leitor. A mensagem sobre autenticidade é universal e

atemporal, e a estrutura inspirada no “O Principezinhoconfere ao livro uma leveza que raramente se encontra em obras de desenvolvimento pessoal com esta densidade filosófica.

Pontos a Considerar

A transformação pessoal do protagonista surge de forma algo idealizada na vida real, o processo de mudança é mais lento, mais doloroso e raramente linear. Além disso, a obra oferece pouca ancoragem em contextos organizacionais concretos ou em evidência empírica, o que pode limitar a sua aplicabilidade direta em ambiente empresarial. Quem já tem familiaridade com a literatura de desenvolvimento pessoal pode também sentir alguma repetição de ideias.

A Minha Experiência como Reviewer

Escolhi este livro porque o título chamou me à atenção desde o primeiro momento: o que tem uma gravata a ver com liderança? A resposta, descobri ao longo da leitura, tem tudo a ver e muito mais do que esperava. Sou estudante do 2.o ano da Licenciatura em Gestão de Empresas no ISMAT, e esta book review foi desenvolvida no âmbito da Unidade Curricular de Técnicas de Negociação, Motivação & Liderança, orientada pela professora Patrícia Araújo. A leitura foi simultaneamente desconfortável e libertadora: desconfortável porque obrigou me a questionar quantas das minhas próprias 'gravatas' carrego sem me aperceber, escolhas feitas por hábito, por expectativa, por medo de desapontar. Libertadora porque percebi que essa tomada de consciência, por si só, já é um primeiro passo de transformação.

O livro mudou a forma como entendo liderança. Antes desta leitura, associava liderança a técnicas, estratégias e resultados. Hoje compreendo que, antes de qualquer ferramenta externa, é necessário um trabalho interior: conhecer os próprios valores, reconhecer os próprios medos e agir com coerência. Como futura gestora, levo a convicção de que a autenticidade não é um luxo, é uma vantagem competitiva real. Recomendo vivamente esta leitura a qualquer pessoa que trabalhe com pessoas ou que simplesmente queira viver com mais propósito e menos automatismo. Para quem quiser explorar mais sobre autoconhecimento e liderança, o site do autor (www.borjavilaseca.com) é um ótimo ponto de partida.

Conclusão e Recomendação

O Principezinho Põe a Gravata não é apenas um livro sobre liderança, é um convite à coragem de ser quem somos, antes de tentar liderar quem quer que seja. Recomendado a todos os que trabalham com pessoas e que queiram explorar de forma acessível e humana os fundamentos do autoconhecimento e da liderança interior.

Sobre a Autora desta Book Review

Letícia Da Silva Gomes é estudante do 2.o ano da Licenciatura em Gestão de Empresas no ISMAT Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes, em Portimão. Esta Book Review foi desenvolvida no âmbito da Unidade Curricular de Técnicas de Negociação, Motivação & Liderança, sob orientação da PhD Patrícia Araújo. Apaixonada pela área da liderança e do desenvolvimento humano, acredita que gerir bem começa por se conhecer a si próprio.

Letícia Da Silva Gomes

Estudante de Gestão de Empresas, 2.o Ano | ISMAT 








quarta-feira, 17 de junho de 2026

Produtividade – Book Review por Tiago Rio, do livro “Getting Things Done"

Produtividade – Book Review por Tiago Rio, do livro “Getting Things Done"

  Licenciatura em Gestão de Empresas - 2ºAno - 2º Semestre

UC: Técnicas de Negociação, Liderança e Motivação

Docente: Patrícia Araújo

“Getting Things Done ” - David Allen

Discente: Tiago Rio – A22408635



Capa do livro "Getting Things Done”



Sobre o Autor: 

David Allen nasceu em Louisiana, em 1945, e é hoje reconhecido como a principal autoridade mundial nas áreas de produtividade pessoal e organizacional. A sua trajetória de vida é, em si mesma, um estudo de caso sobre reinvenção e resiliência.

Estudou no New College da Florida e completou uma pós-graduação em História da América na Universidade da Califórnia em Berkeley. Antes de se dedicar à consultoria de gestão, Allen exerceu 35 profissões diferentes antes de completar 35 anos, entre elas, mágico e professor de karaté — o que lhe conferiu uma perspetiva invulgarmente ampla sobre o comportamento humano e os desafios do trabalho.

Ao longo de mais de 30 anos de investigação e coaching executivo, Allen trabalhou com gestores e diretores de organizações de referência global, como o Banco Mundial e a Marinha Americana. Atualmente, lidera a David Allen Company com a sua esposa Kathryn, supervisionando uma academia de certificação e padrões de qualidade para parceiros globais que oferecem formação e coaching em GTD.



David Allen, autor de "Getting Things Done"


Sumário do Livro:

 Arte de Fazer Acontecer (Getting Things Done, GTD) apresenta um sistema de produtividade pessoal desenvolvido por David Allen ao longo de três décadas de consultoria executiva. A obra parte de uma premissa simples mas transformadora: a mente humana é péssima a armazenar compromissos, mas excelente a processá-los.

A solução proposta é transferir tudo, tarefas, projetos, ideias, pendências, para um sistema externo confiável, libertando assim a mente para o que ela faz melhor: pensar, criar e decidir. O objetivo não é fazer mais coisas. É estar plenamente presente no que importa, a cada momento.

 

Estrutura da Obra

O livro encontra-se dividido em três partes complementares:

Parte 1 - A Teoria e os Fundamentos do Sistema: apresenta a premissa central e os princípios cognitivos que sustentam o GTD.

Parte 2 - A Implementação Prática: guia o leitor pela aplicação concreta do sistema no quotidiano.

Parte 3 - Os Princípios Mais Profundos e o Impacto de Longo Prazo: explora como o GTD transforma não só a produtividade, mas a qualidade de vida.

 

O Sistema GTD — 5 Passos para Dominar o Fluxo de Trabalho

O coração do método GTD assenta num ciclo de cinco etapas que se complementam e que, quando praticadas com regularidade, constituem um sistema robusto de gestão da atenção:

1. Capturar - Recolher tudo o que exige atenção: ideias, tarefas, e-mails, notas. Poucos repositórios, esvaziados com regularidade.

2. Esclarecer - Processar cada item: exige ação? Se não, arquivar, incubar ou descartar. Se sim, aplicar a Regra dos 2 Minutos.

3. Organizar - Distribuir pelos compartimentos certos: Projetos, Calendário, Próximas Ações, Aguardando, Algum Dia/Talvez.

4. Refletir - Revisão Semanal: limpar, atualizar e garantir que o sistema permanece confiável e completo.

5. Agir - Escolher a ação certa com base em 4 critérios: Contexto, Tempo disponível, Energia e Prioridade.

 

Os 6 Horizontes de Foco

   Uma das contribuições mais originais de Allen é o modelo dos 6 Horizontes de Foco, que integra as ações do quotidiano com o propósito de vida:

Térreo - Ações Atuais: o que fazer agora, as tarefas e próximas ações do dia a dia.

Horizonte 1 - Projetos em Andamento: resultados com mais de uma ação, geridos ativamente.

Horizonte 2 - Áreas de Foco & Responsabilidade: papéis e domínios da vida que exigem atenção contínua.

Horizonte 3 - Objetivos a 1–2 Anos: onde queremos estar no médio prazo.

Horizonte 4 - Visão a 3–5 Anos: direção estratégica de vida e carreira a longo prazo.

Horizonte 5 - Propósito & Princípios: para que existimos? Qual é a missão da nossa vida?

 

Conceitos-Chave

Para além das cinco etapas e dos horizontes, o livro cunha um conjunto de conceitos que merecem destaque:

Laços Abertos - compromissos mentais não resolvidos que drenam energia, mesmo inconscientemente.

Mente como Água - estado de equilíbrio produtivo onde a reação é sempre proporcional ao estímulo.

Regra dos 2 Minutos - se a ação leva menos de 2 minutos, faz-se imediatamente.

Revisão Semanal - hábito semanal de limpar, atualizar e manter todo o sistema confiável.

Próxima Ação - a ação física e concreta mais imediata de qualquer projeto ou compromisso.

Algum Dia/Talvez - lista de ideias e projetos futuros sem comprometimento atual, em incubação.



Análise Crítica:

A Arte de Fazer Acontecer é, acima de tudo, um livro honesto. David Allen não promete milagres nem atalhos. Apresenta um sistema que exige trabalho, disciplina e, acima de tudo, consistência. E é precisamente nessa honestidade que reside uma das suas maiores qualidades.

A solidez do método vem de décadas de trabalho real com pessoas reais. Cada componente tem uma razão de ser, está alinhado com a ciência cognitiva, e funciona em qualquer contexto de vida, do profissional ao pessoal. A Regra dos 2 Minutos é, por exemplo, de uma elegância desconcertante: simples, imediatamente aplicável, e com um impacto desproporcionalmente grande na gestão do fluxo de trabalho.

A metáfora da «mente como água» é outro ponto forte. Allen descreve o estado ideal de produtividade não como frenesi ou urgência permanente, mas como um estado de equilíbrio dinâmico em que somos capazes de responder a cada situação com a energia exatamente proporcional ao que ela exige. É uma visão profundamente anti-ansiosa da produtividade, o que, paradoxalmente, torna o livro mais poderoso, não menos.



Ligação à Unidade Curricular: 


O GTD é, na sua essência, uma teoria da autoliderança. No contexto da UC, um dos pilares centrais do estudo da liderança é precisamente a capacidade de o líder se gerir a si próprio antes de sequer pensar em gerir os outros. A premissa de Allen, de que a clareza mental é condição para a ação eficaz, ecoa diretamente os modelos de liderança situacional e transformacional que estudámos ao longo do semestre.

A ligação à negociação é igualmente evidente. Um negociador eficaz é alguém que entra na sala de reuniões com a cabeça livre, sem laços abertos a consumir energia cognitiva de forma invisível. O estado de «mente como água» descrito por Allen é, em termos práticos, o estado que qualquer negociador ambiciona atingir antes de uma negociação crítica: a capacidade de estar totalmente presente, de ouvir com atenção, de reagir de forma calibrada. O GTD é, nesse sentido, uma ferramenta de preparação para a negociação tão válida quanto o estudo do BATNA ou a análise do estilo do interlocutor.

Por fim, no que respeita à motivação, o modelo dos 6 Horizontes de Foco introduz uma dimensão raramente explorada nas abordagens tradicionais à produtividade: o propósito. Allen afirma que o trabalho mais produtivo e motivado acontece quando existe clareza sobre o Horizonte 5, o propósito de vida,  e quando as ações do dia a dia estão alinhadas com esse propósito. Esta ideia ressoa com as teorias motivacionais estudadas na UC, nomeadamente com a hierarquia de Maslow e com a teoria da autodeterminação de Deci e Ryan.



Experiência enquanto Reviewer:


Escolhi este livro porque sentia, de forma crescente, que a minha capacidade de gerir múltiplos compromissos simultâneos estava a ser colocada à prova. O segundo ano de licenciatura, com os seus projetos, prazos, trabalhos de grupo e vida pessoal, tornou evidente que ter boas intenções não é suficiente, tenho de ter um sistema.

A leitura foi, ao mesmo tempo, validante e desafiadora. Validante porque muitas das dificuldades que sentia, a sensação persistente de que me esquecia de algo importante, a dificuldade em focar num só projeto sem pensar nos outros, tinham nome e explicação. Desafiadora porque o livro não oferece apenas diagnóstico: exige ação. E a ação começa por um exercício simples mas assustador: esvaziar completamente a mente para um papel.

O que mudou em mim? Comecei a usar uma lista de «próximas ações» para cada projeto. Comecei a aplicar a Regra dos 2 Minutos de forma consistente. E, sobretudo, comecei a encarar a ansiedade como informação útil,  como um sinal de que há um laço aberto que precisa de ser capturado e processado, em vez de a tratar como um estado inevitável da vida universitária.

Enquanto futuro gestor, levo deste livro a convicção de que a liderança começa dentro. Que nenhum líder inspira clareza nos outros se não começar por cultivá-la em si próprio. E que um sistema simples, praticado com consistência, vale mais do que qualquer ferramenta sofisticada usada de forma intermitente.  

 

Sobre mim:


Olá, eu sou o Tiago Rio e sou estudante do segundo ano de Gestão de Empresas no ISMAT.

Sempre tive uma certa dificuldade em gerir o meu tempo e acabava por deixar imensas tarefas ou compromissos para a última hora. Por este motivo decidi escolher o livro "Getting Things Done" de David Allen, sendo esta uma obra que explora principalmente o conceito de produtividade e como ser produtivo.

E-mail: Tr.Jacinto@hotmail.com



Referências Bibliográficas:


Allen, D. (2001). Getting Things Done: The Art of Stress-Free Productivity. Penguin Books.

Allen, D. (2015). Getting Things Done: The Art of Stress-Free Productivity (Revised ed.). Penguin Books.

Deci, E. L., & Ryan, R. M. (1985). Intrinsic Motivation and Self-Determination in Human Behavior. Springer.

Maslow, A. H. (1954). Motivation and Personality. Harper & Row.

David Allen Company — www.gettingthingsdone.com


Para Citar esta Book Review, use esta referência final:

Rio, T. (2025). A Mente Livre para o que Realmente Importa: Uma Book Review à obra A Arte de Fazer Acontecer de David Allen. Book Review Orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da Unidade Curricular de 'Técnicas de Negociação, Liderança e Motivação'. ISMAT — Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes.








 




Quando a vulnerabilidade se torna força- Book Review: “A Coragem de Ser Imperfeito”, de Brené Brown

 Quando a vulnerabilidade se torna força- Book Review: “A Coragem de Ser Imperfeito”, de Brené Brown Capa do Livro Discente: Dinis Filipe Je...