segunda-feira, 2 de junho de 2025

VIRTUDES DO CAMINHO PARA A AUTOLIDERANÇA | Book review : “O MONGE QUE VENDEU O SEU FERRARI” DE ROBIN SHARMA- Por Alexandra Bento

 

LICENCIATURA EM GESTÃO DO TURISMO 2024/2025
2º ANO | 2º SEMESTRE 

Docente: Professora Doutora Sandra Patrícia Araújo Bento
Unidade Curricular: Técnicas de Liderança e Comunicação

VIRTUDES DO CAMINHO PARA A AUTOLIDERANÇA
BOOK REVIEW: “O MONGE QUE VENDEU O SEU FERRARI” DE ROBIN SHARMA

Figura 1 - Capa do Livro "O monge que vendeu o seu Ferrari" - Sharma, R. (2004), Pergaminho


Discente: Alexandra Bento – a22305259 

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 - SOBRE A LEITORA E AUTORA DA BOOK REVIEW - 


AlexandraBento é estudante da licenciatura de Gestão do Turismo no ISMAT– Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. Aos 45 anos, o seu percurso profissional é sobretudo pautado pela sua carreira em gestão de clientes na área da banca e produtos financeiros, tendo durante 5 anos abraçado também a área da Hotelaria, em cargos como Guest Relations e Assistente de Direção. A sua paixão e marca que a distinguem são sobretudo relacionadas com a gestão de relacionamentos, tendo por isso uma inevitável curiosidade de conhecimento por temáticas que envolvem liderança.
Figura 2 - Alexandra Bento

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 - SOBRE O AUTOR DO LIVRO - 


Robin Sharma é cidadão do Canadá, tendo iniciado a sua carreira na área do Direito. Aos 25 anos, abandona um promissor percurso e apresenta a sua vocação mais humanista, especializando-se no propósito de ajudar o próximo a tornar-se a melhor versão de si mesmo.

Atualmente, consolida uma carreira em consultoria, sobretudo direcionada para a liderança e criação de líderes, contando com uma prestigiada carteira de clientes, como o são organizações de topo como a NASA, a Microsoft e a General Electric, entre tantas outras. É autor de livros de teor sobretudo transformacional e de autocrescimento, que se revelaram sucessos mundiais, com mais de 25 milhões de cópias vendidas, destacando-se obras como “A Riqueza que o Dinheiro Não Compra”, “Ser Herói Todos os Dias” e “O Monge que Vendeu o seu Ferrari”, aqui em análise. 


Figura 3 - Robin Sharma

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 - BREVE RESUMO - 


O livro “O Monge que Vendeu o seu Ferrari”, fala-nos sobre a relação de três personagens, Julian Mantle, Julian Mantle após a sua metamorfose interior, e o seu liderado e amigo John, numa surpreendente partilha de experiência e ensinamento, que se provou transformacional para ambos. É um livro que nos apresenta o potencial de mutabilidade nos papéis de liderança e liderado, fundamentado pelo poder de comunicar com propósito - do eu para o mundo -, provocando uma transformação profunda no campo de influência de cada indivíduo, incluindo ele próprio.



Figura 4 - Interpretação gráfica dos momentos do livro (Bento A., 2025)


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 - REFLEXÃO CRÍTICA -


A experiência adquirida por Julian Mante - advogado de topo, líder consolidado e percecionado na sua área como tendo perfil obstinado, austero e materialmente exibicionista do seu sucesso -, é despoletada por um colapso crítico de saúde perante os seus pares e o público que assistia a um julgamento, revelando de forma trágica a fragilidade humana de um homem que se acreditava invencível. Este evento, desperta em Julian um desinteresse geral pela vida, que o leva a tomar a decisão de fazer uma viagem aos Himalaias, onde a sua interação com os sábios monges de Sivana lhe desencadeará uma transformarão profunda.

A decisão do personagem Julian de viajar para a Índia simboliza um movimento de transcendência. O encontro com os sábios de Sivana introduz uma nova lógica de vida assente no propósito, na fé e no serviço. A fé no processo e, a esperança no impacto coletivo, tornam-se forças mobilizadoras mais duradouras e sustentáveis do que qualquer incentivo material.

Entre os ensinamentos centrais transmitidos pelos sábios, destaca-se a metáfora da mente como um jardim. Cultivar pensamentos positivos não é apenas uma prática espiritual: é uma estratégia cognitiva que reforça a crença do indivíduo na sua capacidade de agir com eficácia sobre o mundo.

Outra metáfora relevante é a do farol, símbolo de direção e clareza de objetivos. Esta imagem evoca a motivação orientada para a mestria, o líder, neste contexto, torna-se um farol para os outros: alguém que ilumina o caminho com a sua própria coerência interior.

A prática disciplinada, rotineira e persistente é apresentada como o fundamento da autorrealização. Também aqui, a liderança não é um dom, mas uma construção progressiva, baseada em hábitos, autodisciplina e resiliência. A motivação é autorregulada: o líder não depende de estímulos externos, mas estrutura a sua vida com base em rotinas de excelência pessoal.

Por fim, o culminar da jornada de Julian é a decisão de partilhar os ensinamentos adquiridos com o mundo ocidental. Este gesto representa a passagem do eu para o nós — um momento de viragem. Após a sua metamorfose interior, Julian partilha com John, seu antigo colega, liderado e amigo, os ensinamentos que recebeu, detalhando as sete virtudes que permitem ao homem comum, percorrer o caminho necessário para encontrar a sua transformação interior e felicidade eterna. Trata-se aqui de uma liderança centrada no legado e na contribuição, valores particularmente pertinentes no atual contexto organizacional, marcado por uma crescente exigência de sustentabilidade de valores e de ética.
É um livro rico em simbologia, sobre os papéis de liderança, de liderado e sobre comunicação com poder transformacional, que convida à introspeção e ao confronto de ideias e preconceitos internos, com o propósito de ajudar cada leitor a desenhar o seu próprio caminho para uma plenitude holística. 

Figura 5 - Interpretação gráfica do processo de Julian Mantle (Bento A., 2025)


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 - RELAÇÃO COM A UNIDADE CURRICULAR (UC) -
TÉCNICAS DE LIDERANÇA E COMUNICAÇÃO

São vários os pontos em que podemos identificar relações do livro com os conteúdos estudados na unidade curricular de Técnicas de Liderança e Comunicação. Veja-se por exemplo a metáfora da mente como um jardim, princípio que reflete conceitos elementares em liderança, como a autoliderança (Manz, 1986), capacidade também intimamente associada ao modelo de inteligência emocional proposto por Goleman (1998), onde a gestão das emoções e a autorregulação se revelam competências críticas para o exercício de uma liderança eficaz.

A metáfora do farol, enquanto símbolo de direção e clareza de objetivos, direciona-nos para a liderança transformacional (Bass, 1985), capaz de inspirar os liderados a transcenderem os seus próprios interesses em prol de uma missão comum. O líder, neste contexto, torna-se um farol para os outros: alguém que ilumina o caminho com a sua própria coerência interior.

A decisão de partilhar os ensinamentos adquiridos com o mundo ocidental e o seu amigo e liderado John, sintetiza princípios da liderança servidora (Greenleaf, 1977), em que o líder é, antes de mais, um servidor: alguém que orienta a sua ação para a capacitação dos outros, promovendo o crescimento mútuo e sustentável.

No seu todo, é percetível que os ensinamentos estão no cerne da liderança espiritual (Fry, 2003). Esta abordagem concebe o líder como alguém que se orienta por motivações de ordem superior, em vez de liderar para conquistar, lidera-se para contribuir.



Figura 6 - Interpretação gráfica da interseção temática com a UC (Bento A., 2025)

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 - CONCLUSÃO E IDEIAS FINAIS -


A trajetória de Julian Mantle configura-se como uma alegoria rica sobre a evolução do líder autêntico. Através da crise, do autoconhecimento, da prática disciplinada e do serviço ao outro, delineia-se uma liderança que não é apenas eficaz, mas também ética, espiritual e profundamente humana. Esta narrativa convida-nos a repensar os fundamentos do exercício da liderança, propondo que, antes de liderar os outros, é necessário liderar-nos a nós mesmos com coragem, propósito e compaixão.



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 - REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO -


Sharma, R. (2004). O monge que vendeu o seu Ferrari (18.ª ed.). Pergaminho.

Bass, B. M. (1985). Leadership and performance beyond expectations. Free Press.

Fry, L. W. (2003). Toward a theory of spiritual leadership. The Leadership Quarterly, 14(6), 693–727. https://doi.org/10.1016/j.leaqua.2003.09.001

Goleman, D. (1998). Working with emotional intelligence. Bantam Books.

Greenleaf, R. K. (1977). Servant leadership: A journey into the nature of legitimate power and greatness. Paulist Press.

Manz, C. C. (1986). Self-leadership: Toward an expanded theory of self-influence processes in organizations. Academy of Management Review, 11(3), 585–600. https://doi.org/10.5465/amr.1986.4306232

ISMAT Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes — ISMAT Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. (2023). Ismat.pt. https://www.ismat.pt/pt/

Robin Sharma | Official Website of the #1 Bestselling Author. (2019). Robinsharma.com. https://www.robinsharma.com/

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CARO(A) LEITOR(A), PARA CITAR ESTA BOOK REVIEW, USE ESTA REFERÊNCIA FINAL:

Bento, A. (2025).  – Virtudes do Caminho para a Autoliderança | Book Review: “O Monge que Vendeu o seu FerrariI” de Robin Sharma. Orientado por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de ‘Técnicas de Negociação, Liderança e Motivação’. ISMAT-Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes. Disponível em: https://desenvolvimento-organizacional.blogspot.com/2025/05/entre-o-instinto-e-o-erro-o-poder-e-os.html

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