Licenciatura em
Gestão de Empresas- 2º ano 2º semestre
UC: Técnicas de
Negociação, Liderança e Motivação
Docente: Patrícia
Araújo
“O monge que vendeu a
sua ferrari” - Robin Sharma
Figura 1- Capa do
livro “O monge que vendeu a sua ferrari”
Discente: Rui
Marreiros - A22403261
Robin S. Sharma é um dos mais reconhecidos
especialistas mundiais em liderança pessoal e organizacional. Nascido no
Canadá, formou-se em Direito pela Dalhousie University e exerceu a advocacia
antes de se dedicar inteiramente ao desenvolvimento pessoal.
Fundou a Sharma Leadership International
Inc., empresa de consultoria e formação que já prestou serviços a algumas das
maiores organizações do mundo, incluindo empresas da Fortune 500.
O monge que vendeu a sua Ferrari foi
originalmente autopublicado em 1997 e hoje está traduzido em mais de 42
idiomas, tornando-se um fenómeno editorial global.
Resumo do livro:
A narrativa é construída em torno de Julian
Mantle, um advogado de sucesso brilhante terno italiano de três mil dólares,
Ferrari vermelha, festas intermináveis que colapsa em pleno tribunal, vítima de
um ataque cardíaco fulminante. Confrontado com a sua mortalidade, Julian
abandona tudo e parte numa peregrinação à região do Himalaia, em Sivana, onde
encontra um grupo de sábios yogues.
Três anos depois, regressa transformado:
mais jovem na aparência, sereno no espírito e portador de uma filosofia de vida
codificada nos Sete Ensinamentos de Sivana. Partilha então esses
ensinamentos com o seu colega e narrador da história, John, numa noite
prolongada de revelações.
A obra é essencialmente uma fábula
filosófica que utiliza símbolos mnemônicos, o jardim, o farol, o lutador de
sumo, o cabo de fios cor-de-rosa, o cronómetro de ouro, as rosas amarelas e o
trilho de diamantes, para transmitir princípios de desenvolvimento pessoal
aplicáveis tanto à vida pessoal como ao contexto profissional.
Os sete ensinamentos Sivana:
O coração filosófico do livro está
encapsulado numa fábula mística que o Iogue Raman partilha com Julian na
cordilheira do Himalaia. Nessa fábula, sete símbolos surgem em sequência num
jardim imaginado, e cada um deles representa uma virtude atemporal para uma
vida plena.
O próprio Sharma reconhece que esta
estrutura mnemónica é intencional: ao ligar ideias abstractas a imagens vívidas
e improváveis, um lutador de sumo nu num jardim florido, um cabo de fios
cor-de-rosa, o leitor memoriza os ensinamentos de forma involuntária. É um
recurso pedagógico antigo, presente nas tradições orais de inúmeras culturas, e
Sharma usa-o com eficácia. Apresentam-se de seguida os sete ensinamentos e o
seu significado essencial.
1. O Jardim
Magnífico — Domina a tua Mente
O jardim é a metáfora central da obra e
representa a mente humana. Tal como um jardim abandonado é rapidamente invadido
por ervas daninhas, uma mente sem cultivo torna-se refém de pensamentos
negativos, preocupações e medos sem fundamento. Sharma afirma que a maioria das
pessoas tem cerca de 60 mil pensamentos por dia e que 95% são iguais aos do dia
anterior, criando ciclos mentais empobrecedores. O primeiro ensinamento é,
portanto, o mais fundamental: a qualidade da vida exterior começa sempre na
qualidade dos pensamentos interiores. Técnicas como a visualização, a meditação
e o Coração da Rosa (foco intenso num único objeto para treinar a
concentração) são propostas como ferramentas práticas.
2. O Farol — Corre Atrás do teu Objetivo
O farol, erguido no centro do jardim,
simboliza o propósito e a clareza de objetivos. Para Sharma, uma vida sem
direção é como navegar sem bússola: pode haver movimento, mas não há destino. O
segundo ensinamento defende que definir metas claras pessoais, profissionais e
espirituais, é o que separa quem existe de quem verdadeiramente vive. A obra
propõe o Método dos cinco passos para conquistar objetivos, e o exercício de
Autoanálise, como mecanismos para manter o foco e a motivação ao longo do
tempo. Este ensinamento tem uma ressonância direta com a gestão por objetivos e
com o conceito de visão estratégica pessoal.
3. O Lutador de Sumo — Prática o Kaizen
O colossal lutador de sumo representa o
conceito japonês de kaizen, melhoria contínua e sem fim. Sharma argumenta que a
grandeza não nasce de grandes gestos esporádicos, mas da disciplina de melhorar
1% todos os dias em todas as dimensões da vida: física, mental, emocional e
espiritual. O autodomínio é apresentado como o alicerce de qualquer
transformação duradoura: quem não consegue governar-se a si próprio
dificilmente conseguirá contribuir de forma consistente para os outros ou para
uma organização. Este ensinamento é provavelmente o que mais se ouve na
literatura de gestão contemporânea, aproximando-se da filosofia de melhoria
contínua amplamente aplicada em contextos de qualidade organizacional.
4. O Cabo Elétrico Cor-de-Rosa — Vive com
Disciplina
O cabo elétrico, composto por inúmeros
fios finos que juntos conduzem uma corrente poderosa, é a metáfora da
disciplina individualmente, cada pequeno hábito parece insignificante, mas a
sua soma cria uma força transformadora. Sharma defende que a disciplina não é
uma forma de punição ou de privação é, pelo contrário, a condição de liberdade.
São as pessoas mais disciplinadas que têm mais tempo, mais energia e mais
capacidade de escolha. A obra propõe rituais matinais e rotinas intencionais
como forma de construir esta disciplina gradualmente, numa lógica que antecipa
o que James Clear viria a sistematizar décadas mais tarde em "Atomic
habits" (2018).
5. O Cronómetro Dourado — Respeita o teu Tempo
O relógio de ouro encontrado pelo
lutador de sumo simboliza o tempo como o recurso mais precioso e irrecuperável
da existência humana. Ao contrário do dinheiro ou da saúde, o tempo perdido não
se recupera. Sharma propõe a Regra antiga dos 20 (concentrar 80% do esforço nas
20% de atividades verdadeiramente importantes, numa aplicação do princípio de
Pareto), a Mentalidade de Leito de Morte (imaginar o fim de vida para
clarificar o que realmente importa hoje) e a coragem de dizer "não" a
tudo o que drena energia sem retorno. Este ensinamento é dos mais práticos e
diretamente aplicáveis em contexto profissional, onde a gestão da atenção e das
prioridades é uma competência crítica.
6. As Rosas Amarelas — Serve os Outros
Altruisticamente
As rosas que revitalizam o lutador
inconsciente representam o poder do serviço e da contribuição aos outros.
Sharma defende que a verdadeira felicidade não reside na acumulação, mas na
doação quem vive apenas para si mesmo empobrece inevitavelmente, enquanto quem
contribui para o bem dos outros encontra um sentido mais profundo e duradouro.
Este ensinamento tem um paralelismo claro com a teoria da autodeterminação de
Deci e Ryan, que identifica a relacionalidade como uma das três necessidades
psicológicas básicas para o florescimento humano. Em contexto organizacional,
traduz-se numa liderança de serviço e numa cultura de entreajuda que, segundo a
investigação, se correlaciona positivamente com o desempenho e com a retenção
de talento.
7. O Caminho de Diamantes — Abraça o Presente
O trilho coberto de diamantes que o
lutador encontra depois de acordar é a imagem mais poética do livro e
representa a ideia de que a vida de cada um já está repleta de tesouros, se
aprendermos a vê-los. O sétimo e último ensinamento é um convite à atenção
plena e à gratidão pelo momento presente, em oposição à armadilha de adiar a
felicidade para quando se atingir o próximo objetivo. Sharma recupera aqui uma
sabedoria transversal a muitas tradições filosóficas e espirituais do budismo
ao estoicismo e que a psicologia positiva contemporânea tem vindo a validar
empiricamente a capacidade de saborear o presente, o chamado savoring, é um dos
preditores mais consistentes de bem-estar subjetivo.
Análise crítica:
A grande virtude de Sharma reside na sua
capacidade de empacotar filosofias ancestrais, do estoicismo ao budismo zen,
passando pelo pensamento positivo americano, numa narrativa acessível e de
leitura fluida.
O livro não pretende ser um tratado
académico, é, antes, um guia prático disfarçado de novela, o que explica o seu
alcance popular. Os sete ensinamentos constituem, no fundo, um sistema coerente
de autodisciplina, propósito e gestão da atenção, temas que continuam
extraordinariamente relevantes num mundo marcado pela sobrecarga informacional
e pelo presentismo organizacional.
Em
particular, os capítulos dedicados à disciplina da mente e ao tempo como
recurso insubstituível dialogam diretamente com literaturas contemporâneas de
gestão, como as obras de Cal Newport sobre deep work ou os estudos sobre
mindfulness em contexto organizacional.
A ideia
central de que o sucesso exterior sem equilíbrio interior é uma ilusão
dispendiosa antecipa, de certa forma, o debate contemporâneo sobre burnout
e bem-estar no trabalho, como documentado pela Organização Mundial da Saúde, ao
classificar o burnout como fenómeno ocupacional.
Do ponto de
vista crítico, o livro pode ser questionado pela sua superficialidade
filosófica, os ensinamentos, embora inspiradores, raramente mergulham em
profundidade nos seus fundamentos teóricos.
A
linearidade excessiva da fábula e o tom por vezes didático e repetitivo podem
causar alguma impaciência no leitor mais exigente. Acresce que a figura central
de Julian, o sujeito que literalmente abandona tudo para se encontrar, pouco se
adequa à realidade da maioria dos trabalhadores e gestores que não têm essa
possibilidade. Nesse sentido, a obra deve ser lida como fonte de inspiração e
reflexão, não como manual prescritivo.
Ligação à
Unidade Curricular:
A leitura desta obra adquire uma dimensão
particularmente rica quando enquadrada nos conteúdos abordados na unidade
curricular de Técnicas de Negociação, Liderança e Motivação. O colapso de
Julian Mantle pode ser lido como uma metáfora poderosa de resistência à
mudança: durante anos, o protagonista acumulou sinais de desgaste, perda de
propósito, deterioração do desempenho, vazio existencial, mas continuou a negar
a necessidade de transformação. Este mecanismo de negação é amplamente estudado
na literatura de gestão da mudança, nomeadamente no modelo de Kübler-Ross
aplicado às organizações.
A posterior
jornada de Julian corresponde a uma fase de desenvolvimento intencional, que
evidencia os princípios do desenvolvimento organizacional centrado no
indivíduo. Tal como o modelo de Kurt Lewin propõe “descongelar, mudar e
recongelar”, Julian passa por um processo análogo:o colapso físico descongela
as suas certezas, a estadia em Sivana representa a fase de aprendizagem e
transformação, e o regresso ao mundo traduz a consolidação de uma nova
identidade. Para os futuros gestores de recursos humanos, compreender que a
mudança pessoal precede e habilita a mudança organizacional é uma das lições
mais transponíveis deste livro.
A ênfase que
Sharma coloca no propósito como motor de desempenho também dialoga com
abordagens contemporâneas de gestão de pessoas, como a liderança
transformacional e a teoria da autodeterminação de Deci e Ryan, que sublinham a
importância da motivação intrínseca. Pode consultar-se o portal da teoria da
autodeterminação para aprofundar esta ligação teórica.
Reflexão
como viewer:
Escolhi este livro porque o título sempre
me chamou à atenção devido à ideia desafiante de alguém que, no auge do sucesso
material, decide abandonar tudo. A leitura superou as minhas expectativas
iniciais não porque o livro seja perfeito, mas porque me forçou a questionar as
minhas próprias prioridades e a forma como distribuo a minha atenção entre o
que é urgente e o que é verdadeiramente importante.
O ensinamento
que mais me marcou foi o da gestão do tempo como reflexo dos nossos valores
mais profundos o tempo que damos a algo revela o que, de facto, valorizamos.
Esta ideia, aparentemente simples, desafia-me enquanto futuro profissional, a
pensar nas organizações não apenas como sistemas de produção, mas como
comunidades de pessoas que procuram significado no seu trabalho diário.
Como gestor, levarei daqui a convicção de que o desenvolvimento das pessoas não começa em formações ou avaliações de desempenho, começa na clareza do propósito individual e na criação de condições organizacionais para que esse propósito floresça. Esta obra é, nesse sentido, um convite à reflexão que recomendo a qualquer pessoa que trabalhe com e para pessoas.
Sobre mim:
Olá, o meu nome é Rui Marreiros, sou estudant do 2º ano da licenciatura em Gestão de Empresas no ISMAT.
Esta book review revelou a importância que mesmo através de uma fábula filosófica, conseguimos aprender princípios de desenvolvmento pessoal, aplicáveis tanto à vda pessoal como ao contexto profissional.
EMAIL:
EMAIL: ruismarreiros@gmail.com
Rui
Marreiros
Estudante de
gestão de empresas no ISMAT.
E-mail: ruismarreiros@gmail.com
Referências
Bibliográficas:
ISMAT-
Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes: https://www.ismat.pt/
Sharma, R. S. (2011). O monge que vendeu
sua Ferrari (G. Zide, Trad.). Editora Objetiva. (Obra original publicada em
1997)
World Health Organization. (2019). Burn-out an
'occupational phenomenon': International Classification of Diseases.
https://www.who.int/news/item/28-05-2019-burn-out-an-occupational-phenomenon-international-classification-of-diseases
Deci, E. L., & Ryan, R. M.
(1985). Intrinsic motivation and self-determination in human behavior.
Plenum. https://selfdeterminationtheory.org
Lewin, K. (1951). Field
theory in social science. Harper & Row.
Newport, C. (2016). Deep
work: Rules for focused success in a distracted world. Grand Central
Publishing.
Caro/a Leitor, para citar está
book Review, use esta referência final:
Marreiros, R (2026). Disciplina, propósito e
transformação- Book review de “O monge que vendeu a sua ferrari” Book Review
Orientada por PhD Patrícia Araújo no âmbito da unidade curricular de “Técnicas
de Negociação, Liderança e Motivação”. ISMAT-Instituto Superior Manuel Teixeira
Gomes. Disponível em: https://desenvolvimento-organizacional.blogspot.com/
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